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— Marcou 25 golos em 101 jogos pelo FC Porto. Foi, durante muito tempo, o defesa mais goleador da história do clube, mas viria a ser superado por Alex Telles e Marcano. Qual era o segredo?
— Eu batia muito bem as faltas e aproveitei isso para fazer muitos golos, além do jogo aéreo, onde tinha facilidade. No Gil Vicente também fiz muitos golos de grande penalidade. Fiquei feliz por outros atletas do FC Porto terem passado essa marca, sinal de que estão a evoluir, mas também não escondo que fiquei um pouco triste por ter deixado de ser o central mais goleador. [risos] Mas hoje em dia acho que é muito mais fácil fazer golos do que antigamente. Antigamente, nós, centrais, só subíamos à área nos pontapés de canto. Hoje em dia, todas as jogadas são treinadas, nas faltas toda a gente sobe. Veja-se o Arsenal, que é um portento nas bolas paradas. Mesmo o FC Porto… No meu tempo, isso treinava-se pouco. A modernização do futebol tem sido benéfica para que os defensores possam fazer mais golos.
— Proponho-lhe, agora, um desafio: quem é o José Carlos do plantel atual do FC Porto?
— Uma pergunta difícil… Sabe, eu tenho acompanhado muito pouco futebol. Há uns seis anos parei completamente de trabalhar no futebol e, hoje em dia, estou num ramo totalmente diferente. Mas sei que há um central bom, titular na seleção dele. O Bednarek! Tem tido grandes desempenhos, tanto no FC Porto, como na seleção [da Polónia]. Gosto muito, parece-me ser um bom líder. Gostava muito do Otávio, também, cheguei a cruzar-me com ele quando ele estava na base do Flamengo. Tinha personalidade, gostava de assumir e jogava bem. Ainda está no FC Porto?
— Saiu no último verão, para o Paris FC, por 17 milhões de euros.
— Sim, o outro clube de Paris… Eu gostava bastante dele, vi-o progredir bem no FC Porto, pelo menos numa fase inicial. 17 milhões de euros na venda? Puxa, foi um bom negócio...
— Acaba de me dizer que já não está ligado ao futebol. O que faz agora?
— Eu sou goiano, mas vivo no Rio de Janeiro desde que voltei de Portugal. Estou a trabalhar com reciclagem e sucata. É um ramo totalmente diferente, nada a ver com futebol. Neste momento, estou a falar consigo enquanto corto comboios velhos abandonados. Trabalho no corte e venda de aço e ferro. A vida segue…