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Tudo por causa de um meme: a grande polémica entre Mbappé e a China - que já valeu a suspensão de um contrato milionário

Imagens do astro do Real Madrid misturadas com Mao Tsé-Tung não caíram bem na China

Kylian Mbappé nas garrafas da Dongpeng (Andy Wong/AP)

O grupo chinês de bebidas Dongpeng anunciou esta terça-feira o fim da colaboração com o futebolista francês Kylian Mbappé, do Real Madrid, após o jogador ter admitido que se diverte com imagens humorísticas que o comparam a Mao Tsé-Tung.

A Dongpeng Beverage Group, através da sua conta oficial e da marca Bu Shui La, divulgou comunicados na rede social chinesa Weibo para confirmar a rutura imediata das relações comerciais com o jogador, invocando uma política de "tolerância zero perante comportamentos que firam os sentimentos nacionais".

A empresa não especificou, contudo, os acontecimentos que motivaram a decisão.

Nos últimos meses, anúncios protagonizados pelo futebolista francês a promover as bebidas da marca Bu Shui La surgiram frequentemente em paragens de autocarro, veículos de transporte público e elevadores de cidades chinesas, sobretudo durante o verão, por ocasião do Mundial de futebol de 2026.

Nos comunicados, que apresentam o mesmo selo corporativo da empresa-mãe, a Dongpeng limita-se a manifestar a sua "firme oposição", sem identificar qualquer incidente específico, num contexto de forte censura nas redes sociais chinesas.

Na China, as sátiras dirigidas a antigos líderes e figuras históricas associadas ao Partido Comunista Chinês (PCC) podem ser punidas ao abrigo da legislação que criminaliza a "difamação de heróis e mártires".

O anúncio da Dongpeng surge após a divulgação de uma resposta de Mbappé numa entrevista recente, quando foi questionado sobre a sua imagem humorística favorita na Internet, conhecida como 'meme'.

"Aquela com que mais me ri foi uma em que usam a minha cara num ditador chinês. Uso-a muito com os meus amigos", afirmou o jogador, sem mencionar especificamente qualquer dirigente chinês.

A Mengniu e a Milkground também confirmaram o fim dos respetivos acordos comerciais com o avançado francês, embora nenhuma das empresas tenha especificado, nos comunicados, o incidente concreto que motivou a decisão.

China reage

A China advertiu que palavras e comportamentos que "firam os sentimentos do povo chinês serão rejeitados por todos os setores da sociedade", em resposta à polémica provocada por declarações do futebolista francês Kylian Mbappé sobre Mao Tsé-Tung.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Guo Jiakun reagiu assim, numa conferência de imprensa regular, à controvérsia desencadeada pela resposta do avançado do Real Madrid, durante uma entrevista recente, quando foi questionado sobre a sua imagem humorística favorita na Internet, conhecida como 'meme'.

"Aquela com que mais me ri foi uma em que usam a minha cara num ditador chinês. Uso-a muito com os meus amigos", afirmou o jogador, sem mencionar especificamente qualquer dirigente.

Contrato suspenso

A televisão estatal chinesa CCTV suspendeu, desde segunda-feira, as transmissões de jogos da Liga espanhola de futebol, após declarações do avançado do Real Madrid Kylian Mbappé sobre uma imagem humorística que o compara a Mao Tsé-Tung.

Segundo noticiou hoje o órgão de comunicação social chinês The Paper, que cita fontes ligadas à estação pública, a medida entrou em vigor na noite de segunda-feira e inclui também a retirada de todos os anúncios e vídeos protagonizados pelo futebolista francês.

Nos últimos meses, tornou-se popular nas redes sociais uma montagem que sobrepõe o rosto do avançado do Real Madrid a um retrato de Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China, utilizada por adeptos para satirizar o futebolista francês.

A rescisão do contrato com Mbappé junta-se a uma série de controvérsias recentes envolvendo clubes do futebol espanhol na China.

Em setembro, órgãos de comunicação social oficiais chineses criticaram o Real Madrid após a publicação de uma mensagem nas redes sociais que mencionava conjuntamente o Nepal e a região chinesa do Tibete, na sequência de inundações.

A formulação foi considerada "incorreta" pela imprensa chinesa, por colocar os dois territórios no mesmo plano.

Em abril, o FC Barcelona pediu desculpa na China após a divulgação de uma imagem com a bandeira de Taiwan numa página gerida por terceiros e associada à sua academia internacional.

Em fevereiro deste ano, o Real Madrid divulgou na rede social Weibo um pedido de desculpas atribuído ao defesa Dean Huijsen, após o jogador ter republicado na sua conta de Instagram um conteúdo considerado racista e ofensivo para os cidadãos asiáticos.

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