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A fuga do estágio da Seleção Nacional custou a Cristiano Ronaldo 255 euros e 30 dias de suspensão. E bem se pode dizer que o futebol português está habituado a somas mais pesadas. Que o digam Benfica, Porto e Sporting, entre os outros clubes.
Quando o sangue ferve no relvado, no túnel ou na sala de imprensa, o Conselho de Disciplina não hesita em puxar do livro de cheques. Isto, após ler os regulamentos. De treinadores a presidentes e jogadores, eis 7 casos em que a conta saiu mais cara.
Aqui estão 7 casos no futebol português com multas financeiras mais elevadas do que os 255 euros aplicados a Cristiano Ronaldo.
Em junho de 2026, o Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) aplicou 45 dias de suspensão a Rui Costa. Além disso, ainda lhe aplicou uma multa de 7.650 euros. Em causa estavam declarações e críticas dirigidas à equipa de arbitragem.
Anos antes, em 2020, Jorge Jesus treinava o Benfica e foi suspenso por 15 dias e multado em 15.300 euros pelo CD da FPF após ser expulso num jogo contra o Marítimo e proferir palavras dirigidas à equipa de arbitragem no acesso aos balneários.
Também na Invicta a conta bancária costuma ficar mais magra quando o CD da FPF entra em ação. Por exemplo, em 2019, o então presidente do FC Porto Pinto da Costa foi punido pelo Conselho de Disciplina da FPF com 90 dias de suspensão e uma multa fixada em perto de 12.000 euros na sequência de críticas e incidentes com a arbitragem.
Quem também não escapou ao CD da FPF foi Sérgio Conceição. Assim, durante o seu percurso no FC Porto, acumulou vários castigos disciplinares por expulsões e declarações. Numa das sanções em 2021 (decorrente do clássico com o Sporting e críticas subsequentes), o treinador cumpriu suspensão e somou multas que ultrapassaram os 10.000 euros.
Uma das outras multas que ficaram na história do futebol português aconteceu no conturbado clássico no Estádio do Dragão em fevereiro de 2022. Esse jogo resultou em vários cartões vermelhos e processos disciplinares. Por exemplo, o central Pepe acabou punido com 23 dias de suspensão e uma multa no valor de 9.560 euros por conduta antidesportiva após o apito final.
Outro dos casos mediáticos, que na altura fez correr muita tinta, aconteceu na final da Supertaça Cândido de Oliveira em Aveiro, em agosto de 2023. O então treinador do FC Porto, Sérgio Conceição foi expulso pelo árbitro Luís Godinho. Contudo, Conceição recusou-se a abandonar o banco de suplentes durante vários minutos. Nesse sentido, paralisou a partida até ceder e dirigir-se aos balneários. A sanção do Conselho de Disciplina foi de 23 dias de suspensão e uma multa de 12.600 euros.
Outro dos célebres castigos aplicados pela justiça desportiva portuguesa aconteceu em 2009. Após um clássico tenso entre Benfica e FC Porto, no Estádio da Luz, em dezembro de 2009, despoletaram-se confrontos físicos no túnel de acesso aos balneários envolvendo jogadores do FC Porto e assistentes de recinto desportivo.
Inicialmente suspenso preventivamente por vários meses pela Comissão Disciplinar da Liga, o castigo final de Hulk situou-se em 3 jogos de suspensão e uma multa individual de 2.250 euros.
Na balança da justiça desportiva portuguesa, abandonar a Seleção custou a Cristiano Ronaldo menos do que uma multa por mau comportamento num jogo da Liga ou uma expulsão no túnel, por exemplo.
O valor de 255 euros contrasta não só com as sanções financeiras aplicadas a treinadores e presidentes no futebol de clubes, mas também com a memória de Ricardo Carvalho, que em 2011 viu o Conselho de Disciplina afastá-lo da Seleção Nacional durante um ano após abandonar o estágio da turma das quinas.
O desfecho do caso de Cristiano Ronaldo, colocado em perspetiva com as multas de milhares de euros nas provas nacionais e com o precedente de Ricardo Carvalho, em 2011, ilustra como as molduras disciplinares produzem resultados divergentes na justiça desportiva.