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«Vitinha teve de perceber que não é só passe curto e qualidade técnica e é um orgulho vê-lo hoje»

Sérgio Conceição recorda trabalho com o médio, diz que procura um projeto onde possa transmitir a sua «paixão e determinação» e lembra o FC Porto. «Eu tinha praticamente construído um grupo, não apenas os jogadores, mas toda a estrutura, a relação que eu tinha com o presidente», diz

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Sérgio Conceição (FOTO: Al Ittihad)
Sérgio Conceição (FOTO: Al Ittihad)

O treinador português Sérgio Conceição, sem clube desde a saída do Al Ittihad no final da época passada, em junho, mas ainda a viver na Arábia Saudita, afirmou que quer um projeto em que possa transmitir a sua «paixão, determinação e forma de ver uma equipa».

«Procuro um projeto onde eu tenha a possibilidade de transmitir a minha paixão, determinação e forma de ver uma equipa. Não falo apenas dos jogadores, mas também da estrutura, o presidente, a ambição do clube com a ambição da região, da cidade, dos sócios, dos simpatizantes, dos adeptos. Tem de haver um conjunto de situações que para mim façam sentido, porque senão fica difícil, e eu gosto de abraçar um projeto para ganhar, não para ser mais um. Nos últimos oito anos, ganhei sempre títulos, com exceção destes meses no Ittihad, e é assim que eu quero continuar», referiu, em declarações ao canal árabe Koora Break.

O técnico abordou ainda os distintos contextos que apanhou com treinador em vários países, entre Portugal, Itália e Arábia Saudita. «São realidades diferentes. Eu trabalhei em Portugal muitos anos, a fase final da minha história com o FC Porto foi feliz em termos desportivos, porque ganhámos a Taça de Portugal. Eu tinha praticamente construído um grupo, não apenas os jogadores, mas toda a estrutura, a relação que eu tinha com o presidente. Eu acho que isso é fundamental para se ganhar, e daí os meus títulos durante esses anos. Devo recordar que foram anos difíceis porque tivemos três anos sob fairplay financeiro e dois anos de uma pandemia que ninguém queria, com estádios vazios e repercussões financeiras», começou por recordar, falando depois de Itália e da Arábia.

«Depois de uma pausa, fui para Itália, um contexto diferente daquele a que estava habituado e onde encontrei uma equipa (ndr: Milan) com qualidade individual, mas sem a mesma estrutura capaz de ser a base da força da equipa e dos adeptos. Mesmo assim, conseguimos ter seis meses positivos onde chegámos a duas finais e vencemos uma contra o Inter, que foi nesse ano finalista da Champions, e chegámos à final da Taça de Itália eliminando os dois adversários que, para mim, estavam em melhor forma nessa altura: a Roma do Ranieri e o Inter do Simone Inzaghi. A Arábia... muitas vezes dizemos que o futebol é universal e é igual em todo o lado, mas isso não é bem assim. São realidades diferentes», sublinhou.

O técnico português, que diz ser importante «olhar nos olhos de um jogador, chamá-lo para perceber qual é a história e o percurso dele, no futebol e na vida, para o poder ajudar», falou também das influências das escolas de treinadores portuguesa, italiana e belga. «Todas tiveram influência. Eu gostei muito de fazer o segundo e terceiro níveis de treinador na Bélgica, primeiro pelo meu francês, e depois porque encontrei uma forma de olhar para o treino diferente da que vi depois em Portugal. Em Itália, fui jogador em anos maravilhosos, no momento que o campeonato italiano era o melhor do mundo, apanhei treinadores com ideias muito interessantes e acho que foi tudo isso que me permitiu depois escolher o que eu acho que é o melhor como base. Depois temos de passar por adaptações e ajustarmo-nos à própria evolução do futebol, tendo a nossa criatividade. O Jorge Jesus costuma dizer que o treinador tem de ser criativo e não copiar ninguém, criar exercícios e situações que levem o grupo a melhorar e a potenciar os jogadores para poder ganhar», lembrou.

O cruzamento com Vitinha e Luis Díaz

Sérgio Conceição orientou o médio português Vitinha e o extremo colombiano Luis Díaz no FC Porto, atletas que hoje se evidenciam no PSG e no Bayern Munique. O técnico português também falou do trabalho com ambos. «O Vitinha era um jogador da equipa B, que não jogava com assiduidade, fui buscá-lo para uns treinos na equipa principal e estreou-se comigo, foi emprestado um ano ao Wolverhampton, no ano seguinte regressou, teve também os seus meses difíceis comigo, para ele perceber que o futebol, no caso dele, não era só capacidade de passe curto e qualidade técnica, era preciso também outras características num médio e ter algo diferente em termos de intensidade, capacidade de recuperação e chegada à área contrária. Ganhou tudo isso e foi titular indiscutível na época em que fizemos 91 pontos, e para mim é um orgulho vê-lo ao nível a que está hoje», disse.

Já sobre Díaz, Conceição recordou que «quando chegou ao FC Porto teve ali cerca de seis meses para se adaptar». «Ele driblava em todo o lado e saía muito da sua posição. Teve de se adaptar. Mas tinha características que me convenceram quando observei três ou quatro jogos dele, e depois veio-se a confirmar o potencial que tinha, sobretudo a partir do momento em que ganhou algum rigor tático e percebeu o que o jogo lhe dava e o momento em que podia usufruir de toda a capacidade que tinha, aí ganhámos um jogador extraordinário. Prova disso é o trajeto que tem feito nos clubes por onde passou, não só agora na Alemanha como também em Inglaterra», apontou.

A liga saudita

O treinador de 51 anos também analisou a competitividade da liga saudita, dizendo que «está num patamar de evolução e de crescimento» e falou de porque é que continua a viver no país. «Se ainda estou a viver na Arábia Saudita é porque fui bem acolhido aqui. É um povo que vive muito o futebol, e há poucos dias tive a oportunidade de vibrar com a seleção do país e com a conquista da Taça do Golfo. Vivo o futebol da mesma forma que eles, com a mesma paixão. O Ittihad, à imagem dos outros clubes e do futebol árabe, tem uma margem de evolução grande, e aquilo que desejo é muito sucesso e muitas felicidades, e é um local no qual, como treinador, nunca direi não a um bom projeto», rematou.

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