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Afinal, Cristiano Ronaldo pode não ser o único a sofrer consequências na Seleção: Jorge Jesus também arrisca castigo

Cristiano Ronaldo arrisca uma suspensão após abandonar o estágio da Seleção. E Jorge Jesus, também poderá enfrentar consequências? Saiba o que está em causa

Jorge Jesus arrisca castigo, tal como Cristiano Ronaldo | Fotos: Instagram

O caso Cristiano Ronaldo está longe de estar encerrado. O abandono do estágio da Seleção Nacional, na sequência do desentendimento com Jorge Jesus, abriu uma frente disciplinar que pode ter consequências para o capitão português. Mas há agora outra questão a ganhar destaque: poderá também o selecionador ser chamado a responder pelo episódio?

A possibilidade foi avançada pelo Correio da Manhã, que aponta para um eventual comportamento incorreto de Jorge Jesus na relação com o capitão das Quinas. Para já, importa distinguir os cenários em discussão de qualquer decisão oficial: não há confirmação pública de que o selecionador tenha sido alvo de uma sanção disciplinar por este caso.

O que está em causa vai muito além de uma discussão entre duas figuras de peso do futebol português. Está em causa a gestão da autoridade dentro da Seleção, o respeito pelas regras coletivas e a forma como a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) vai resolver uma crise que colocou Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus no centro das atenções.

Cristiano Ronaldo reconhece o erro e admite uma suspensão

O abandono da concentração da equipa nacional, em Copenhaga, a 30 de setembro, marcou o início de uma polémica que ganhou outra dimensão depois de Cristiano Ronaldo divulgar a sua versão dos acontecimentos.

O avançado do Al Nassr reconheceu que não deveria ter abandonado o estágio e pediu desculpa aos companheiros de equipa e aos adeptos portugueses. Ao mesmo tempo, reafirmou a disponibilidade para continuar a representar Portugal, mesmo admitindo que poderá ter de cumprir uma suspensão.

A posição do capitão tornou o enquadramento disciplinar particularmente relevante. De acordo com o artigo 160.º do Regulamento Disciplinar da FPF, o abandono injustificado de atividades da Seleção pode ser punido com uma suspensão entre um e seis meses, além de uma multa aplicável a jogadores profissionais.

A norma prevê ainda a suspensão preventiva automática nas condições nela estabelecidas. A aplicação concreta da sanção e a sua duração dependem, contudo, do enquadramento disciplinar do caso e dos procedimentos previstos no regulamento.

A RTP e o Polígrafo analisaram as implicações desta norma, numa altura em que o processo disciplinar assumiu particular importância para o futuro imediato do internacional português.

Jorge Jesus também pode enfrentar consequências?

É neste ponto que a polémica ganha uma nova dimensão. Segundo a informação divulgada pela comunicação social, Jorge Jesus poderá também ficar sob escrutínio devido a um alegado comportamento incorreto para com Cristiano Ronaldo. A hipótese levanta uma questão inevitável: se o comportamento do jogador pode ser avaliado disciplinarmente, poderá a atuação do selecionador ser igualmente analisada?

A resposta exige prudência. Uma eventual discordância entre treinador e jogador não constitui, por si só, prova de infração disciplinar. Para que exista uma sanção, será necessário identificar os factos relevantes, o enquadramento regulamentar aplicável e a eventual responsabilidade do técnico.

Até ao momento, não existe confirmação pública de um castigo aplicado a Jorge Jesus por este episódio. Por isso, a possibilidade de consequências para o selecionador deve ser tratada como uma hipótese noticiada, e não como uma decisão tomada pela Federação.

Ainda assim, a questão não é irrelevante. Um selecionador tem autoridade para tomar decisões desportivas, gerir o grupo e definir os critérios de utilização dos jogadores. Essa autoridade, porém, não o coloca acima das regras que enquadram a atividade da Seleção.

Uma crise que expôs o conflito entre autoridade e estatuto

O desentendimento tornou-se público depois de Cristiano Ronaldo ter ficado no banco durante o encontro com a Noruega e de terem surgido versões divergentes sobre as conversas mantidas com Jorge Jesus a respeito da sua utilização.

No comunicado divulgado a 6 de outubro, o capitão apresentou a sua versão do conflito, alegando uma quebra de confiança e contestando a forma como o selecionador abordou publicamente o assunto. Ronaldo também assumiu a responsabilidade pelo abandono do estágio e reconheceu que a sua conduta deveria ter consequências.

Jorge Jesus, por seu lado, tinha defendido anteriormente que as regras eram iguais para todos e que o estatuto de um jogador não determinava as decisões da equipa técnica.

É precisamente aqui que reside o principal problema para a Seleção: como conciliar o peso histórico de Cristiano Ronaldo com a autoridade do treinador e a necessidade de preservar a estabilidade do balneário?

O capitão é uma das figuras mais importantes da história do futebol português. Mas a importância do seu contributo não elimina as responsabilidades associadas à representação nacional. Da mesma forma, a autoridade do selecionador não dispensa uma gestão rigorosa dos conflitos nem o respeito pelos procedimentos aplicáveis.

A FPF tem agora um equilíbrio delicado para encontrar

A Federação Portuguesa de Futebol enfrenta uma situação em que qualquer decisão será observada dentro e fora do país. Uma resposta considerada demasiado branda poderá alimentar a ideia de que o estatuto de uma estrela permite contornar as regras. Uma decisão excessivamente pesada, por outro lado, poderá agravar uma crise que já ultrapassou o plano estritamente desportivo.

O presidente da FPF, Pedro Proença, manifestou a expectativa de que o caso fosse resolvido com tranquilidade e apontou para a possibilidade de Ronaldo regressar à Seleção em novembro. Essa expectativa, porém, não equivale a uma garantia de que o avançado estará disponível na próxima convocatória.

A resolução dependerá do processo disciplinar, das decisões dos órgãos competentes e do calendário da equipa nacional.

A eventual análise da conduta de Jorge Jesus acrescentaria outra variável a este cenário. Se existirem factos suscetíveis de apreciação disciplinar, estes terão de ser avaliados com o mesmo cuidado, sem antecipar culpas ou sanções.

O desfecho poderá marcar um precedente na Seleção

Mais do que determinar quanto tempo Cristiano Ronaldo poderá ficar afastado, este caso coloca à prova a capacidade da FPF para aplicar as regras de forma coerente e transparente.

A Seleção não pode depender apenas da dimensão individual dos seus protagonistas. Precisa de uma estrutura em que jogadores, equipa técnica e dirigentes conheçam os limites das suas responsabilidades e saibam que os conflitos são resolvidos através de procedimentos claros.

Cristiano Ronaldo continua a ser uma figura central do futebol português, mas o seu legado não o dispensa de responder pelos seus atos. Jorge Jesus, enquanto selecionador, também tem responsabilidades na forma como conduz o grupo e gere as relações com os jogadores, sem que isso signifique, automaticamente, que tenha cometido uma infração.

Por agora, a eventual punição do treinador permanece por confirmar. A certeza é outra: a polémica deixou de ser apenas um desentendimento entre capitão e selecionador. Tornou-se um teste à liderança, à disciplina e à credibilidade das decisões da Federação Portuguesa de Futebol

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