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Dolores Aveiro não esconde a mágoa perante a polémica que envolve Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus. Numa entrevista à TV 7 Dias, a mãe do internacional português admite que ficou em choque com a saída do filho do estágio da Seleção Nacional, revela que chorou com o desenrolar dos acontecimentos e deixa uma mensagem clara: considera que o percurso de Ronaldo por Portugal merece outro reconhecimento.
"Sinto-me triste, é normal. Foi um choque, o meu filho podia sair pela porta grande e assim saiu pela porta pequena, mas não faz mal, Deus vai encarregar-se…", afirmou Dolores Aveiro, numa das declarações mais marcantes da entrevista, reproduzidas por outros órgãos de comunicação social.
A frase traduz a desilusão de uma mãe perante um episódio que ultrapassou rapidamente o plano desportivo e se transformou num dos temas mais discutidos em torno da Seleção Nacional.
Na conversa com a TV 7 Dias, Dolores Aveiro reconheceu que a situação a afetou emocionalmente. "Chorei um pedacinho. Faz bem também, para libertar. Temos de dar a volta a isto", contou, numa declaração que mostra o lado familiar de uma controvérsia habitualmente discutida entre comunicados, conferências de imprensa e opiniões sobre futebol.
A mãe de Cristiano Ronaldo revelou ainda pormenores da primeira conversa telefónica com o filho depois de este ter abandonado a concentração da Seleção, em Copenhaga.
Segundo Dolores, o futebolista procurou tranquilizá-la e garantiu-lhe que explicaria a sua versão dos acontecimentos quando todos estivessem juntos. "A mãe que não se preocupe, que eu vou dizer a verdade quando estivermos todos juntos", terá dito Ronaldo.
Dolores conta que lhe pediu calma e que lhe deu força, embora reconheça que não conseguiu demovê-lo da decisão tomada.
Para além da tristeza, Dolores Aveiro manifesta desagrado com as críticas dirigidas ao filho. Na sua perspetiva, o contributo do capitão da Seleção Nacional para o futebol português não está a ser devidamente reconhecido.
"Ele deu muito a Portugal, portanto, ele está sempre ali. Ele sempre foi o herói de Portugal. Não o estão a valorizar como deviam", afirmou.
A mãe do jogador foi ainda mais direta ao comentar a reação dos portugueses: "Eles não dão valor ao Cristiano. É o português que temos."
É uma posição assumidamente marcada pela ligação familiar. Dolores não esconde que está ao lado do filho num momento difícil, mas as suas palavras também recuperam uma questão que acompanha a carreira de Ronaldo: como equilibrar o reconhecimento por um percurso excecional com a exigência de responsabilidade perante a Seleção Nacional?
A entrevista não resolve essa discussão. Expõe, isso sim, o ponto de vista de alguém que conhece o futebolista para lá da figura pública e que interpreta a polémica através da relação entre uma mãe e o filho.
A reação de Dolores surge depois de Cristiano Ronaldo ter abandonado o estágio da Seleção Nacional, na sequência de um conflito com Jorge Jesus.
No comunicado divulgado a 6 de outubro, o capitão explicou a sua versão do desentendimento e alegou uma "absoluta quebra de confiança" em relação ao selecionador.
Entre os pontos contestados estiveram a gestão da sua utilização no encontro com a Noruega e as declarações de Jorge Jesus numa conferência de imprensa. Ronaldo afirmou que existia um entendimento prévio sobre a forma como a situação seria explicada publicamente e considerou que esse entendimento não foi respeitado.
Estes são os argumentos apresentados pelo próprio futebolista. A existência de versões divergentes sobre o sucedido exige que as responsabilidades de cada interveniente sejam avaliadas com base em informação confirmada, e não apenas na repercussão pública do caso.
Dolores, por sua vez, não entrou em detalhes sobre o conflito. Preferiu falar da conversa com o filho, do impacto emocional da situação e da confiança que mantém nele.
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