flag
back Voltar
Justo, o En9rme: o guarda-redes da camisola 9, imortalizada num mural no estádio da Sanjoanense

Figurão do futebol de Aveiro, Pedro Justo cresceu a idolatrar Vítor Baía, teve de convencer Pepa de que era o seu guarda-redes e criou um mito na baliza. Aos 43 anos, regressou à sua Sanjoanense para tentar chegar ao jogo 500 da carreira e fechar o ciclo

Dabo, o herói da Sanjoanense na Taça: «É o golo mais importante da carreira»

Taça: Sanjoanense vence Nacional em crise e vira tomba-gigantes

Pedro Hipólito: «Resultado inteiramente justo, fomos superiores ao Nacional»

Pedro Justo (Foto: Maisfutebol)

Profetizava Pedro Justo, a cerca de hora e meia do Sanjoanense-Nacional. «Algo me diz que a Sanjoanense poderá passar esta eliminatória. Acredito que possa haver a festa da taça.» O resto da história o leitor já conhecerá, mas serve esta passagem para confirmar os bons instintos deste irreverente guarda-redes, fundamentais na posição, que à custa da sua personalidade se tornou enorme. Perdão, no En9rme. Mas, afinal, quem é Pedro Justo?

Pepa começou por vê-lo assim, em 2013, quando chegou à Sanjoanense: «Vi um rapaz gordinho, “quase sem braços” a jogar à frente e perguntei quem era. Disseram-me: é o teu guarda-redes. Pensei que estivessem a brincar.»

Foi mesmo assim, Pedro? «É verdade (risos). Ele viu um jogo de futebol de sete e eu, que gostava de jogar na frente nesses jogos, lá estava com o número 9. Disseram-lhe “aquele ali é o teu guarda-redes”, e ele respondeu: “Não, aquele quem? Aquele gordinho, baixinho? Não pode ser”. Começou logo com o pé atrás, demorou uma semana a convencê-lo. Consegui-o sendo eu próprio, deixando rolar as coisas. Consegui tocá-lo verdadeiramente pela minha forma de ser e pela paixão que tenho pelo futebol e a Sanjoanense.»

Essa sua forma de ser, divertida e descomplexada, transformou-o numa figuraça do futebol em Aveiro, onde já leva quase 500 jogos, meta que espera alcançar no decorrer desta temporada, muito provavelmente a da despedida, ao serviço da equipa B da Sanjoanense.

É que já são 43 anos, muitos deles passados entre postes, onde criou um mito. «Nos treinos, para me galvanizar e enervar os meus colegas, começava a dizer “é impossível fazerem-me golos, sou um gigante, um monstro, sou enorme”. Comecei a achar piada ao nome “enorme”, até que, como uso o número 9 há muitos anos, percebi que no meio dava colocar o 9 em vez do “O”. As pessoas gostavam, eu autointitulava-me assim e ficou».

Assim nasceu Justo, o En9rme, um guarda-redes excêntrico que jogava com a camisola 9. Isso mesmo, a camisola 9. Por três motivos.

«O meu único ídolo, futebolisticamente falando, é o Vítor Baía. Para mim, é o melhor guarda-redes do mundo, de todos os tempos. Ele era o 99 e, se eu acho que sou o segundo melhor, se tirarmos um 9 fica o outro. Depois, sempre tive a mania de que jogava bem com os pés. Gostava de fazer golos nos torneios de futebol de salão e o número que normalmente usa o jogador que está na frente é o 9. Para além disso, gostava muito do Ronaldo, o Fenómeno, que sempre jogou com o 9», explica.

Tudo certo, sobretudo em alguém que sempre gostou de «marcar pela diferença». «Porque é que não posso ser o 9? Se é de 1 a 99, porque é que o guarda-redes tem de ser o 1, o 12 ou o 24? Não senhor, sou o 9. E isso chama logo a atenção». Lá isso chama, de facto.

Um mural e o «fora da caixa» Pepa

Por esta altura já terá percebido que Justo é um comunicador nato, sempre com uma boa história na ponta da língua para contar. «Revelou-se um excelente capitão de equipa, motivador e com boa performance desportiva», elogiou-lhe um já mais do que convencido Pepa, que, em 2014, com o En9rme na baliza, se sagrou campeão de Aveiro e conquistou a Supertaça distrital, resolvida nos penáltis, com Justo a defender dois deles, «inclusive o último», nota o guardião.

Esse momento está imortalizado num mural pintado na zona de acesso aos balneários do Estádio Conde Dias Garcia, casa da Sanjoanense. «Está lá perpetuada a equipa que foi campeã. Ele retrata o momento em que levantámos a taça. Não escondo que é um orgulho muito grande saber que, por exemplo, quando os jogadores do Nacional chegarem vão dar de frente com o mural e ver um jogador com uma camisola de cor diferente, o guarda-redes, com o 9, que sou eu, a levantar a taça». Terá ajudado nesta tarde? O futebol tem formas misteriosas de se manifestar…

«Esses foram os dois últimos troféus que a Sanjoanense conquistou no futebol sénior. E eu era o capitão da equipa», salienta Justo, que recorda Pepa como «um treinador fora da caixa». «Pode parecer fácil dizer isto agora, mas já na altura prevíamos que havia algo de magnífico nele», acrescenta.

«A minha fisionomia não me permitia estar entre os gigantes. Fiquei-me pelo enorme»

Mais de uma década depois, Pedro Justo decidiu voltar à Sanjoanense para, com a sua experiência, ajudar os jovens que integram a equipa B, que disputa o segundo escalão de Aveiro. «Podiam todos ser meus filhos», brinca o já quarentão.

Por falar nisso, há que dizer que Justo não assistiu ao feito da Sanjoanense frente ao Nacional, para a Taça. A razão é irrefutável: «Vou estar com as minhas filhas, já lhes tinha prometido. Não posso falhar, elas estão sempre acima.»

Voltando ao futebol, o guarda-redes sente que «não havia melhor sítio para terminar» uma carreira longa, «bem melhor do que o que seria previsto dada a minha fisionomia».

Compensou essa debilidade sendo «muito comunicativo, se calhar até levando ao exagero, e tendo um excelente jogo de pés, rapidez e agilidade». «Mas também tinha as minhas pechas. Tudo o que fosse cruzamentos era sempre mais complicado, resguardava-me mais. A minha fisionomia não me permitia estar entre os gigantes. Fiquei-me pelo enorme», brinca.

E golos, quantos marcou este camisola 9? «Marquei um, num jogo do distrital de Aveiro pelo Milheiroense. Foi há uns 15 anos. Costumo dizer, em tom de brincadeira, que sou um dos poucos jogadores FIFA que tem 100 por cento de eficácia em penáltis, também porque só marquei um.» Está visto, não há nada que Pedro Justo não consiga transformar numa história interessante.

Você pode gostar

Mourinho «feliz» com castigo a Vini Jr.: «Pensei que os gatos escondidos dariam mais...»

sapo.pt 17 horas atrás

Mourinho: «Se fosse o Vinicius, tinha forçado uma transferência no verão passado»

cnnportugal.iol.pt 17 horas atrás

Os jogadores mais bem pagos em Portugal: surpreenda-se com alguns...

mag.sapo.pt 14 horas atrás

Amorim 'inspira-se' nos tempos de Mourinho no Benfica e toma decisão

lifestyle.sapo.pt 4 horas atrás

Novo Regulamento FIFA: jogadores também lucram com as transferências

tvi.iol.pt 1 dia atrás

Revelada a promessa que Cristiano Ronaldo lhe fez no dia em que abandonou a seleção

mag.sapo.pt 4 horas atrás

Bomba: Real Madrid prepara-se para avançar por grande promessa do Sporting

mag.sapo.pt 1 dia atrás

Hansi Flick não tem dúvidas: «Lamine Yamal é o melhor jogador do mundo»

tvi.iol.pt 7 horas atrás

Sérgio Conceição aborda conflito entre Ronaldo e Jesus: «Não me parece justo...»

mag.sapo.pt 15 horas atrás

Deu cabeçada a Lamine Yamal e pede desculpa: "Devia ter-me controlado"

ojogo.pt 3 horas atrás