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José Sena Goulão / LUSA
Suspensão e multa nada deve alterar a decisão do jogador, segundo Rui Santos: não vai voltar a vestir a camisola de Portugal.
Cristiano Ronaldo foi suspenso por 30 dias da selecção nacional de futebol, além de ter de pagar uma multa de 255 euros. Foram as consequências do seu abandono do estágio a meio dos primeiros jogos da Liga das Nações.
A decisão foi divulgada nesta segunda-feira pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, que apresentou justificações para este castigo suave.
No comunicado, o mesmo órgão lembra que o avançado já mostrou a sua “prestação de serviços relevantes ao futebol e o louvor por mérito desportivo”, além da sua carreira desportiva e do seu palmarés únicos, com uma “abrangência e escala global” e com diversos reconhecimentos, entre os quais cinco Bolas de Ouro.
Mas também foi preciso punir o jogador, a quem era exigido um “especial dever de contenção” no que fez e na forma como fez. E o capitão tem “especiais responsabilidades”, é um “modelo a seguir”. Houve “intensidade do dolo”: Ronaldo tinha noção que não podia ignorar que estava a abandonar o estágio sem avisar antecipadamente.
A federação não escondeu que houve circunstâncias atenuantes: “ausência de registo disciplinar na presente época desportiva e nas três épocas anteriores, prestação de serviços relevantes ao futebol, louvor por mérito desportivo e contribuição para a descoberta da verdade material”.
Ao todo, com o referido abandono, Cristiano Ronaldo falhou 31 actividades da selecção.
Na Sport TV, poucos minutos depois da divulgação do castigo, Luís Vidigal disse que ficou surpreendido e começou por perguntar: “Quem não estará surpreendido?”.
O antigo internacional português não concorda com este desfecho: “Não tenho outra palavra que não ‘ridículo’. Esperava-se um castigo exemplar, para que não se repetisse este tipo de erros, sobretudo vindo do capitão”.
“Não me parece que seja bom para os outros jogadores. É uma mão cheia de nada. Não faz sentido nenhum”.
António Tadeia segue o mesmo discurso e aponta para um “tratamento preferencial” que foi dado ao madeirense, neste caso. Mas o comentador na Antena 1 tem uma dúvida: Ronaldo está disponível para voltar, ser convocado, mas ficar no banco? Porque a lógica diz que Gonçalo Ramos continuará a ser titular.
Rui Santos revelou na CNN que, na verdade, este castigo nada altera o futuro de Cristiano Ronaldo na selecção portuguesa.
O jogador “prefere não ser convocado” para os duelos com Dinamarca e País de Gales, daqui a um mês. “Não está disponível para integrar” a lista de convocados, nem está disponível para “passar pelo que já passou” – certas conversas sobre a sua utilização; ser convocado e depois, ou ir para o banco, ou só jogar poucos minutos.
O comentador assegura que a decisão de Ronaldo está tomada: “Definitivamente não vai voltar à selecção”, sobretudo porque “não acredita no espírito desta federação”.
O avançado, acrescenta Rui Santos, está “cada vez mais convicto de que a razão está do seu lado” e continua a achar que foi “traído”.
Em simultâneo, Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, quer que o jogador volte e tenta contactar Cristiano Ronaldo “praticamente todos os dias”. Mas o assunto estará arrumado.