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O grupo chinês de bebidas Dongpeng Beverage Group anunciou o fim imediato da colaboração comercial com Kylian Mbappé, avançado do Real Madrid, depois do futebolista francês ter admitido que se diverte com um meme que o compara a Mao Zedong, fundador da República Popular da China.
A decisão foi comunicada através de publicações na rede social chinesa Weibo, nas contas oficiais da Dongpeng e da marca Bu Shui La. Nos comunicados, a empresa invoca uma política de "tolerância zero perante comportamentos que firam os sentimentos nacionais", sem identificar diretamente o episódio que motivou a rutura.
A empresa chinesa limitou-se a manifestar a sua "firme oposição", sem apresentar detalhes sobre os acontecimentos que levaram ao fim da parceria com o jogador do Real Madrid. Os comunicados partilham o mesmo selo corporativo da empresa-mãe.
A decisão surge num contexto de forte controlo das redes sociais na China, onde conteúdos satíricos sobre antigos líderes e figuras históricas associadas ao Partido Comunista Chinês (PCC) podem gerar controvérsia e consequências legais.
A legislação chinesa prevê sanções para atos considerados difamatórios contra heróis e mártires, num enquadramento que reforça a sensibilidade política em torno de figuras históricas do país.
A polémica ganhou visibilidade depois de ter sido divulgada uma resposta de Kylian Mbappé durante uma entrevista recente. Questionado sobre o seu meme favorito na Internet, o internacional francês referiu uma montagem em que o seu rosto surge associado a um ditador chinês.
"Aquela com que mais me ri foi uma em que usam a minha cara num ditador chinês. Uso-a muito com os meus amigos", afirmou o futebolista, sem identificar especificamente qualquer dirigente.
Nos últimos meses, tornou-se popular nas redes sociais uma imagem que sobrepõe o rosto do avançado do Real Madrid ao retrato de Mao Zedong. A montagem tem sido utilizada por adeptos para satirizar o jogador francês.
Embora Mbappé não tenha mencionado diretamente Mao Zedong na declaração citada, a imagem que circula na Internet associa o futebolista ao fundador da República Popular da China.
A rutura representa um revés para a parceria comercial entre o futebolista e a marca Bu Shui La. Nos últimos meses, os anúncios protagonizados por Mbappé para promover as bebidas da empresa tornaram-se frequentes em cidades chinesas.
As campanhas surgiram em paragens de autocarro, veículos de transporte público e elevadores, sobretudo durante o verão, numa altura marcada pela promoção do Mundial de futebol de 2026.
A presença do avançado francês na publicidade da marca contrastava com a decisão agora anunciada pela Dongpeng, que optou por terminar imediatamente a colaboração.
O fim da parceria entre a Dongpeng e Mbappé surge na sequência de outras controvérsias que envolveram clubes espanhóis e o público chinês.
Em setembro, órgãos de comunicação social oficiais da China criticaram o Real Madrid após a publicação de uma mensagem nas redes sociais que mencionava conjuntamente o Nepal e a região chinesa do Tibete, na sequência de inundações. A formulação foi considerada "incorreta" pela imprensa chinesa, por colocar os dois territórios no mesmo plano.
Em abril, o Barcelona pediu desculpa na China depois de ter sido divulgada uma imagem com a bandeira de Taiwan numa página gerida por terceiros e associada à sua academia internacional.
Também em fevereiro deste ano, o Real Madrid publicou na Weibo um pedido de desculpas atribuído ao defesa Dean Huijsen. A iniciativa surgiu depois de o jogador ter republicado na sua conta de Instagram um conteúdo considerado racista e ofensivo para os cidadãos asiáticos.
A decisão da Dongpeng de terminar a colaboração com Mbappé acrescenta, assim, um novo episódio à sequência de controvérsias que têm colocado clubes, jogadores e marcas desportivas sob escrutínio na China.