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Humberto Coelho, 'lenda viva' do futebol português, concedeu, esta quarta-feira, uma extensa entrevista ao programa 'Bola Branca', emitido pela Rádio Renascença, na qual abordou, 'sem papas na língua', a polémica espoletada pelo abandono de Cristiano Ronaldo à principal seleção de Portugal, em desacordo com a gestão de que foi alvo por parte de Jorge Jesus.
"Ninguém ganhou. Ninguém ganhou e ninguém vai ganhar. Isto foi, de facto, um período muito, muito complicado, muito negro. Não só para o Cristiano Ronaldo, mas também para a federação", começou por afirmar o antigo vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), cargo que abandonou, em 2025, aquando da eleição de Pedro Proença para o cargo de líder máximo do organismo.
"Trata-se de um jogador extraordinário e que fez muito pela seleção nacional e por Portugal e trata-se de uma federação que tem também, enfim, a responsabilidade. Por isso foi pena, foi pena. Tenho pena disso", acrescentou, não poupando ninguém às críticas, nem mesmo o selecionador nacional, pela maneira como lidou com este caso.
"Eu sei é que se eu fosse selecionador, isto não acontecia. Isto com certeza. E se fosse jogador também penso que não, porque fui capitão da seleção e acho que não deveria acontecer. Não deveria acontecer. Portanto não sei, sinceramente, o que é que pode acontecer (...). Eu acho que ele é de facto o capitão. A gente esteve 20 anos com o Cristiano Ronaldo a apoiar e a andar com a seleção às costas", defendeu.
Para o histórico defesa do Benfica, apesar do que sucedeu, Cristiano Ronaldo terá de voltar a representar Portugal. Ainda assim, sublinhou que "depende tudo dos jogadores" e da maneira como estarão dispostos a recebê-lo: "Há uma coisa que é importante, é me parece que os jogadores hoje estão com o Jorge Jesus".
"Eu gostava que ele voltasse, não é? Mas que voltasse não para haver mais situações como esta. Tinha de estar tudo de acordo e isso compete ao selecionador, ao presidente e ao Cristiano (...) Tem de haver um entendimento, mas um entendimento que seja bom. E que as pessoas se responsabilizem. Porque se o regresso não for bem delineado e bem preparado, com responsabilidade, não adianta. Porque aí pode haver outra vez problemas graves", analisou.
"Era importante que, de facto, ele fosse suspenso. Isso é uma coisa. Agora, dar uma multa de 255 euros... acho isso um bocado fora do contexto, não ajuda nada", concluiu.
Cristiano Ronaldo, recorde-se, foi castigado com uma suspensão de 30 dias, período que começou a contar a partir do momento em que abandonou a concentração da equipa das quinas, isto é, a 30 de setembro, na véspera da vitória alcançada na deslocação ao Parken, sobre a Dinamarca, por 2-4.
Significa isto que o avançado do Al Nassr estará 'solto' a partir de 30 de outubro, e poderá integrar a lista de convocados de Jorge Jesus já para os jogos das duas últimas jornadas da fase de grupos da Liga das Nações, contra Dinamarca (a 14 de novembro, no Estádio Municipal de Braga) e País de Gales (a 17 de novembro, no Cardiff City Stadium).