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O FC Porto recebe o PSV a partir das 20h00 desta terça-feira, num jogo relativo à terceira jornada da fase de liga da Liga dos Campeões
Onze provável do FC Porto: Diogo Costa; Alberto Costa, Bednarek, Kiwior e Martim Fernandes; Froholdt, Pablo Rosario e Gabri Veiga; Borja Sainz, André Silva e Pepê.
O FC Porto recebe o PSV na terceira ronda da Champions e praticamente obrigado a vencer. Francesco Farioli revê o conjunto de Eindhoven, que lhe "roubou" o título neerlandês no Ajax à beira do fim, em 2024/25, mas as emoções ficam de fora, ao contrário do conhecimento aprofundado do adversário.
Disse que o FC Porto já merecia ter pontos. Qual a importância de regressar ao Dragão?
-É muito importante voltar a casa. Sobre os dois jogos anteriores, já expressei os meus pensamentos: foram dois jogos em que provavelmente merecíamos mais. Competimos bem, mas não conseguimos os resultados que queríamos. Agora, temos a oportunidade de voltar ao Dragão e sabemos que temos uma montanha a escalar, vamos defrontar o tricampeão neerlandês. Muito respeito pelo que tem feito o PSV, mas também temos de ter a confiança necessária para ganhar o jogo.
Este jogo já é decisivo?
-Com certeza que é um jogo muito importante. Nos primeiros jogos tivemos em mãos um bom desempenho, mas zero pontos. É importante começar a escalar a tabela o mais depressa possível e, espero, a partir do jogo de amanhã [hoje].
O que há a aprender dos dois primeiros jogos?
-Nesta competição é assim, por vezes bons desempenhos ou muito bons, se não forem suportados por detalhes de alto nível, podem custar-te o jogo. Competimos bem nos dois primeiros jogos, mas nos momentos decisivos não estivemos ao nível que esta competição exige.
A pouca experiência do plantel na prova pode estar a pesar?
-Estão habituados a jogar jogos importantes contra adversários fortes e estádios cheios. Esta competição é contra os melhores do mundo e é um processo de aprendizagem que tem de ser mais rápido do que o habitual. A Champions não espera por ti, tens de ir atrás do que mereces e ser muito rigoroso em tudo o que te é exigido.
O FC Porto sofreu golos nas últimas seis partidas. Quão importante é o regresso de Bednarek para este jogo?
-É verdade que, nos últimos jogos, concedemos mais do que estamos habituados. Adoraríamos não ter golos sofridos, mas não temos sido capazes disso. O facto do Jan [Bednarek] voltar é importante para as dinâmicas da equipa, mas, nestes dois jogos, contra adversários exigentes, quem o substituiu esteve bem.
Depois do que aconteceu quando era treinador do Ajax em 2024/25, espera um reencontro emotivo com o PSV?
-Conhecemos qualidade, pelo tempo que passámos lá, vimos muitos jogos e sabemos o quão bons são. Marcaram mais de 100 golos na liga nas últimas três temporadas e ganharam a prova com 19 pontos de vantagem este ano. Como o Pablo [Rosario] disse, é sempre bom defrontar pessoas que conheces, mas não há tempo para emoções extra, porque estamos aqui para ganhar jogos e não interessa o rival.
Já ganhou duas vezes a Peter Bosz...
-O passado é passado, são clubes diferentes e muitos jogadores mudaram. Isso não nos dá qualquer crédito ou vantagem tática. Todas as suas equipas são reconhecíveis, com uma identidade muito clara, muito brava, muito ofensiva. Sabemos o que nos espera, com detalhes e estratégias em termos de abordagem e duelos individuais, e jogadores que, em certas posições, podem ter um impacto diferente.
Questionado em diferentes momentos por Francisco Moura, Farioli defendeu o jogador, muito criticado no último jogo, por ter ficado associado às jogadas que permitiram ao Bétis virar o jogo de 2-1 para 3-2. "As críticas foram muito injustas, só porque as duas ações vieram do lado esquerdo. Na primeira [2-2], é uma situação bem defendida, se a bola tivesse ido para fora no duelo com o Antony, estaríamos a falar de uma situação muito boa. No 3-2, falámos internamente sobre os principais erros e acredito que alguns companheiros poderiam ter resolvido a situação ou ajudado o Moura a solucioná-la. Aqui, nunca é sobre um só jogador. O Francisco Moura, como todos os outros, dá sempre o melhor", disse o treinador do FC Porto, que lembrou outro episódio: "Tive muitas perguntas sobre o Samu, quando falhou dois penáltis consecutivos e aqui é a mesma situação. É um desporto coletivo, todos são importantes". Neste contexto, o técnico garantiu que os "três laterais-esquerdos vão ter minutos" esta época, ressalvando as diferenças: "Temos três laterais-esquerdos em estados diferentes. O Zaidu está a voltar de lesão, o João [Souza] veio numa forma não muito boa, mas está a ganhar entendimento e confiança, e o Francisco [Moura] tem estado connosco desde o início e a fazer o que lhe pedimos".
Convicto de que o FC Porto "criou várias oportunidades de golo", Farioli elogiou a entrada de Gimenez em Sevilha. "Todos podem ter impacto se continuarem com esta atitude. O Santi [Gimenez] tem sido um exemplo, entrou numa posição que não é a principal e teve um impacto muito bom, com uma das maiores chances, que só uma grande defesa do guarda-redes travou", recordou, voltando a apelar à paciência com Samu. "Está a voltar de uma lesão muito longa, a situação tem de ser gerida com muito cuidado. Está a melhorar, o impacto no último jogo foi evidente, mas temos de ter noção de que ele acelerou alguns processos para ficar preparado o mais rápido possível. Temos de controlar a sua carga pelo menos por mais uns meses", rematou.
Numa sala de conferências anormalmente lotada no Olival, os jornalistas neerlandeses foram a principal novidade e fizeram Farioli sorrir ao recordar os tempos em Amesterdão. "As minhas memórias adoráveis do clube [Ajax] e da cidade são algo de que gosto muito. Foi a minha primeira vez num grande clube e tenho uma conexão com as pessoas de lá. Algumas vieram visitar-me aqui há pouco tempo. O futebol afastou-nos, mas a amizade e a conexão mantêm-se", disse o técnico, muito acarinhado pelos media daquele país.
O italiano esclareceu as principais diferenças entre o futebol praticado em Portugal e nos Países Baixos. "É uma abordagem um pouco diferente. Há dias, comparámos ligas diferentes e a Eredivisie destaca-se como a mais física fora do top-5 e da nossa liga. Não interessa se é um grande clube a jogar com um pequeno, vemos sempre blocos altos e pressão alta. Na liga portuguesa, não são tão comuns estes blocos altos, especialmente contra equipas do top 4 ou 5. Aqui há mais noção defensiva e desejo de controlar o jogo, enquanto, nos Países Baixos, é mais sobre jogos abertos e muitos duelos em todo o lado", explicou.
Pablo Rosario reencontra um dos clubes mais importantes da carreira. Ainda era muito jovem quando captou a atenção do PSV pela primeira vez e foi no emblema de Eindhoven que se estreou no campeonato dos Países Baixos e na Liga dos Campeões. Aliás, a estreia a marcar foi mesmo na Champions. "Muitas memórias, pelas pessoas com quem coincidi, é isso que fica do futebol. Se falarmos do sucesso em campo, claro que é o campeonato e o meu primeiro golo contra o Inter na Champions. Mas, para mim, é mais importante a conexão com as pessoas do clube", afirmou o internacional dominicano, que admitiu ter ficado "muito feliz com o sorteio". Hoje, Pablo regressa à posição 6, entre as muitas que é capaz de executar. "Já joguei em muitas posições, mas não é só a mim que dá confiança, é a todos. Fico feliz por ajudar a equipa. Todos estamos prontos para jogar na posição que o treinador nos dá", respondeu o camisola 13, que também foi desafiado pela Imprensa holandesa a revelar o que torna Farioli especial: "O controlo e a calma que dá ao grupo. É muito exigente no que quer da equipa. Rígido? Num bom sentido, porque ele sabe quando ser rígido e quando ser leve a ligar jogadores. Temos uma boa combinação na equipa técnica nesse sentido".
Rosario evitou o rótulo de "obrigatório" num triunfo - "queremos ganhar todos os jogos, logo se vê - e mostrou-se preparado para um adversário "de alta intensidade".