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O árbitro leva a mão ao bolso, levanta o braço e mostra um ecrã amarelo. A cena aconteceu no Uruguai, onde os tradicionais cartões começaram a dar lugar a um dispositivo eletrónico. A novidade promete simplificar o trabalho da arbitragem, mas já revelou um problema: nem sempre se percebe a cor.
O teste decorreu a 15 de outubro, no estádio Gran Parque Central, em Montevideu, durante o encontro entre Nacional e Rentistas, da Copa AUF Uruguay.
Aos 12 minutos, o árbitro, Eduardo Varela, mostrou um cartão amarelo eletrónico a Juan Pablo Plada, do Rentistas, depois de uma falta sobre Maximiliano Silvera. Em vez do cartão convencional, o árbitro levantou um dispositivo com o ecrã iluminado de amarelo. O equipamento também foi utilizado para assinalar expulsões durante a partida, que terminou com a vitória do Nacional por 3 a 0.
Apesar da designação de “cartões virtuais”, a sanção continua a ser comunicada através de um objeto físico. A diferença está no ecrã que apresenta a cor e nas funcionalidades de registo associadas.
Segundo a explicação à comunicação social, o aparelho possui dois botões para apresentar as cores amarela e vermelha. No ecrã, o árbitro seleciona a equipa e o jogador para registar a ocorrência.
O dispositivo também permite anotar golos e substituições, gravar notas de voz sobre o motivo de uma sanção e corrigir decisões posteriormente alteradas após intervenção do VAR. O objetivo é reduzir as anotações manuais e facilitar a preparação do relatório do jogo.
O árbitro continua a tomar todas as decisões. A tecnologia serve para comunicar e organizar essas decisões, sem substituir a avaliação das infrações.
Trocar um cartão por um ecrã parece simples, mas as condições de um estádio colocam dificuldades.
Uma utilização prevista para 30 de setembro, no encontro entre Defensor Sporting e Plaza Colonia, não avançou devido à dificuldade em visualizar as cores sob a luz solar. No teste com Nacional e Rentistas, a perceção do cartão a partir de certos ângulos também motivou críticas.
O juiz da partida sugeriu acrescentar iluminação LED à volta do equipamento, para que jogadores e público consigam identificar a sanção lateralmente. Os responsáveis pelo projeto reconheceram que o dispositivo precisa de melhorias na visibilidade.
Há um detalhe que merece atenção: registar digitalmente as ocorrências não significa transmiti-las imediatamente.
Marcelo de León, responsável pelo Departamento de Arbitragem da Associação Uruguaia de Futebol, apresentou como objetivo a ligação dos dados aos sistemas da federação e, futuramente, à imprensa.
Contudo, o árbitro explicou que o equipamento utilizado não estava ligado à Internet durante o encontro, sendo sincronizado antes e depois da partida. Assim, a transmissão em tempo real deve ser entendida como uma ambição do projeto, e não como uma funcionalidade já demonstrada neste teste.
TARJETA ELECTRÓNICA
— Jose Borda (@Borda_analista) October 16, 2026
En el Nacional vs Rentistas en Uruguay, el árbitro probó la nueva tarjeta electrónica, un dispositivo, parecido a un celular, que al ser programado muestra el color, amarillo o rojo y la información queda registrada en el Comet. Lo malo, solo se ve por un lado pic.twitter.com/80OJxl2erp
O projeto pertence à empresa uruguaia REFe. Os seus responsáveis afirmam que o desenvolvimento resulta de investimento privado e que a federação disponibilizou o contexto para os testes, sem financiar a solução.
A vantagem potencial está na redução da burocracia. A dificuldade está em preservar uma comunicação que os cartões tradicionais tornam imediata: qualquer pessoa deve perceber, num instante, se houve uma advertência ou uma expulsão.
Este teste mostra que há espaço para digitalizar o trabalho dos árbitros. Mas, antes de conquistar os relvados, o cartão eletrónico terá de cumprir a sua função mais básica: ser claramente visto por todos.