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Marco Silva abordou a identidade de jogo do Benfica e a produção ofensiva da equipa, que atingiu um registo goleador histórico nas primeiras 17 partidas. O treinador recusou comparações diretas com os rivais e voltou a defender melhores condições para o futebol português.
«Cada clube e cada treinador têm a sua forma de jogar ou de pensar o jogo. Às vezes, pensamos de uma forma e queremos jogar dessa maneira, mas acabamos por não conseguir, porque temos adversários à nossa frente que também têm qualidade e nos tentam bloquear. Não há apenas uma forma de ganhar. Felizmente, há variadas maneiras de tentar ganhar jogos e de os ganhar. Depois, compete a cada clube e a cada equipa técnica optar pelo caminho que quer seguir. Não vou entrar nessa discussão. Se quiserem olhar para a classificação, não é isso que ela diz, apesar do que muita gente afirma. Nós temos o nosso caminho, queremos segui-lo e queremos ganhar jogos. Acima de tudo, não estamos neste clube para sermos os mais bonitos da festa, nem para sermos aqueles que festejam melhor ou fazem tudo de forma mais bonita. Queremos progredir como equipa, ganhar jogos e conquistar títulos. Esse é claramente o nosso objetivo. É o que penso, sinceramente, sobre o futebol.»
«É um bom sinal. Vocês sabem que, independentemente dos golos marcados, gosto muito de não sofrer também. É algo que fui aprendendo ao longo da minha carreira como treinador e que tento incutir nos nossos jogadores. Não há ninguém que consiga atacar bem se não tiver capacidade para defender bem. Nenhuma equipa consegue ser suficientemente sólida se não tiver capacidade para evitar sofrer golos. Posso dizer-vos que fiquei muito satisfeito com o nosso resultado fora de casa frente ao Arouca, mas fiquei furioso com o golo que sofremos nesse jogo. Tem de haver equilíbrio em tudo o que fazemos. Mesmo com este número de golos marcados, temos capacidade para criar mais. A nossa eficácia em alguns jogos não esteve, se calhar, ao nível que poderia estar, e isso custou-nos um pouco. Se tivesse sido melhor, os golos ainda poderiam ter sido mais. Estou muito satisfeito.»
«São números e, quando recuamos tantos anos num clube da dimensão do Benfica, que normalmente é dominador e tem grande capacidade ofensiva, percebemos a importância deste registo. A qualidade individual dos jogadores ofensivos que passaram por esta casa é muito grande. É um sinal positivo, de que estamos a fazer as coisas bem e a construir uma identidade clara, que não muda muito de um jogo para o outro. Desde que cheguei, sempre foi um objetivo fazer com que as pessoas sentissem que, quando o Benfica está a jogar, é o Benfica que está a jogar, independentemente de não fazermos tudo bem ou de não sermos perfeitos. Estamos muito longe disso. Sou o primeiro a dizer que temos um caminho muito grande a percorrer em todos os aspetos daquilo que queremos para o Benfica. Estou satisfeito com a abertura e a abordagem dos jogadores, com a vontade de melhorarem sempre e com o trabalho que têm feito para que a equipa evolua. Há sempre aspetos a melhorar. Mesmo as equipas que normalmente são consideradas perfeitas têm muito a melhorar. Imaginem nós, que ainda temos um caminho longo pela frente. É bom que os jogadores sintam que há muito a melhorar, mas também que estamos no caminho certo.»
«Não quero bater demasiado no futebol português, porque sou português com orgulho, gosto de estar onde estou e não estou aqui por obrigação. Como sabem, não fui obrigado a regressar ao futebol português: voltei porque quis muito voltar e quis muito estar aqui. Não vou ser eu a falar sistematicamente sobre aquilo que é bem vendido ou não. Na altura, falei muito dos relvados. Já o tinha feito quando fomos jogar à Madeira, por isso não foi apenas num jogo em particular. Infelizmente, já tivemos alguns encontros em que os relvados não estiveram em condições. E não somos só nós a dizê-lo. Acho que já houve um relvado que teve de ser substituído a meio da temporada, porque não estava em condições. Há outros em que também se pode fazer melhor. O que queremos é que quem vai ao estádio possa assistir a bons jogos. Todos os jogadores de futebol gostam de jogar em bons relvados, independentemente do clube que representam, porque gostam de expressar o seu futebol. Quando vemos jogos na televisão, também gostamos de assistir a bons espetáculos. Tudo isto ajuda os bons jogadores e os treinadores competentes. Felizmente, em Portugal temos muitos treinadores competentes, que o demonstram por todo o mundo. Se pudermos oferecer boas condições aos nossos jogadores para praticarem futebol da melhor forma, tanto melhor. Quero falar bem e proteger o máximo que puder, porque é o meu país e é o futebol. Temos muita qualidade e é por isso que vendemos tão bem.»