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Alvalade precisava de uma noite tranquila.
Depois das derrotas com o LASK Linz e o Académico de Viseu, Rui Borges decidiu mudar tudo: onze alterações, uma estreia absoluta para Moncef Zekri e uma equipa praticamente nova à procura de certezas. Mas a revolução não apagou as dúvidas. Os assobios ao nome do treinador e as bancadas mais despidas que o normal mostravam que a paciência dos adeptos estava a esgotar-se.
Do outro lado estava um Marítimo de regresso à Taça da Liga, depois de conquistar a II Liga, e sem vontade de ser figurante nesta história. O Sporting entrou nervoso, acumulou passes falhados e demorou a encontrar o caminho para a baliza. Aos seis minutos, Jesse Derry até marcou, mas o fora de jogo anulou a festa. Mais tarde, João Simões teve de corrigir uma falha de Eduardo Quaresma para travar uma investida perigosa de Boakye. Alvalade começava a ficar inquieto.
O Sporting foi apertando o cerco, mas a bola parecia ter um pacto com a baliza madeirense. Aos 23 minutos, Pedro Lima desviou um cruzamento de Ioannidis contra a barra. Três minutos depois, Rui Silva teve de brilhar para travar um remate de Igor Julião. A resposta leonina chegou aos 40, quando Jesse Derry bateu um livre que embateu no poste. Quatro minutos depois, João Simões também não conseguiu bater Gonçalo Tabuaço.
A ansiedade crescia e a noite ameaçava transformar-se em mais um episódio de frustração. Até que, aos 44 minutos, Pedro Lima encontrou a solução. Na sequência de um canto de Jesse Derry, apareceu ao primeiro poste e cabeceou para o fundo da baliza. Primeiro golo pela equipa principal do Sporting, primeiro grande rugido de Alvalade. A água mole tinha finalmente encontrado uma fenda na pedra dura.
O intervalo não trouxe descanso. O Marítimo regressou com vontade de estragar a festa e Raphael Guzzo obrigou Rui Silva a nova intervenção, aos 59 minutos. Os leões continuavam sem controlar totalmente o jogo e, aos 68, Ioannidis teve nos pés a oportunidade de acabar com o suspense: ultrapassou Tabuaço, mas Rafael Fernandes salvou em cima da linha de golo.
Dois minutos depois, Igor Julião voltou a ameaçar. O remate de fora da área parecia levar o empate, mas Rui Silva esticou o braço esquerdo e assinou uma defesa monumental. O guarda-redes mantinha o Sporting de pé, enquanto Pedro Lima tratava de lhe dar algum conforto. Aos 71 minutos, Vagiannidis rematou de longe, Tabuaço defendeu para a frente e o médio brasileiro apareceu na recarga para bisar. O 2-0 parecia finalmente dar aos leões a noite de que precisavam.
Mas o Marítimo não estava disposto a sair de Alvalade sem uma última tentativa. Aos 90+2 minutos, um cruzamento para o segundo poste encontrou Butzke, que cabeceou para o fundo da baliza. De repente, o conforto desapareceu: o 2-1 devolveu a incerteza aos descontos e obrigou o Sporting a resistir até ao último instante.
O apito final trouxe o alívio que a equipa procurava, mas fez regressar os assobios. Pedro Lima foi o herói inesperado, com dois golos decisivos, e Rui Silva revelou-se fundamental para impedir que a noite tivesse outro desfecho.
O Sporting segue em frente na Taça da Liga, mas não sem sustos. No entanto, a pedra dura acabou por ceder.