Voltar
Treinador do Sporting viu lenços brancos após a derrota com o Académico de Viseu, mas quem resolveu renovar o plantel foi o presidente Frederico Varandas. Agora a fatura está à vista de todos.
A turbulência em Alvalade aumentou o registo e já atingiu um efeito de crise com consequências matemáticas bem claras na classificação. A inesperada derrota com o Académico de Viseu coloca o Sporting a nove pontos da liderança do campeonato, uma margem já grande e perigosa, mesmo que se esteja em outubro e ainda com muito caminho pela frente. No olho do furacão surge Rui Borges, que saiu do relvado a ver lenços brancos e perante um coro de assobios capaz de deixar o mais resistente de orelhas a arder.
Nas alturas sensíveis, o treinador é sempre o elo mais fraco da máquina, a peça que pode saltar a qualquer momento quando cresce a contestação e aumenta a desconfiança. Mas neste período de aflição, apontar o dedo pelo fracasso do Sporting apenas ao técnico pode ser um exercício injusto e até descontextualizado da realidade. No último mercado de transferências, os leões deram um sinal claro de renovação do plantel com as saídas de atletas importantes como eram os casos de Diomande, Trincão, Hjulmand e Pedro Gonçalves, o que feriu a forma de atuar da equipa e também deixou marcas no processo de construção de jogo. Doumbia, Altimira, Silas Anderson e Rodrigo Zalazar até podem acrescentar qualidade, mas não é num simples estalar de dedos que se coloca um coletivo a carburar, depois de ter sido desenhado quase de raiz.
Toda esta mudança radical foi pensada e executada pela administração do Sporting e até os adeptos caírem na realidade que a revolução em Alvalade já está há muito na rua, Rui Borges será um bom escudo de Frederico Varandas até cair como qualquer outro treinador que deixa de ser a proteção da imagem do presidente.