Desde maio, o único responsável pelos deslizes do Sporting é Varandas
Escrevi, no dia seguinte à final da Taça, que o Sporting devia despedir Rui Borges e contratar Sérgio Conceição ou Marco Silva. Voltei a sublinhar, no arranque desta época, que manter Borges era um erro crasso. Não por ter uma bola de cristal, mas porque era demasiado fácil prever que, com este treinador, a época acabaria por ser um desastre. Por um lado, a história de Alvalade mostra que treinadores com este perfil ficam condenados depois de um desaire como o do Torreense. Por outro, a sua incapacidade para dar a volta à situação — não consegue acabar com esta tremideira constante — e para corrigir problemas que já eram evidentes, mesmo com jogadores como Hjulmand e Diomande, tornavam o cenário ainda mais previsível. A fragilidade na transição defensiva e nas bolas paradas são apenas dois exemplos.
E, como tudo isto era evidente, desde maio que Frederico Varandas é o único responsável pelos deslizes do Sporting. Não está em causa o balanço global do seu mandato: é, por larga margem, o melhor presidente da história do clube, com três campeonatos em cinco anos e dezenas de títulos nas modalidades, incluindo conquistas europeias. Também colocou o Sporting no patamar que merece, algo que se percebe pela ânsia dos adeptos rivais em vê-lo sair.
Mas nada disso o iliba do falhanço absoluto neste processo. Varandas devia ter antecipado o desfecho, e era fácil fazê-lo. Não o fez, continua sem reagir e dá a impressão de estar mais preocupado com o próprio ego — em demonstrar que não toma decisões sob pressão — do que em defender os interesses do Sporting.