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O código deontológico é intransigente na relação jornalista/publicidade, por isso aconselha-nos a prudência a não equipararmos o Benfica de Marco Silva a qualquer marca automóvel.
Mas que anda rápido, lá isso anda.
A fiabilidade será ditada pelos quilómetros na estrada, que ainda não são muitos, e quem conduz no limite da vertigem quanto esta águia nunca está isento de erros (como ficou provado), mas, até agora, o saldo, até pela amostra comparativa com chassis anteriores, tem sido francamente positivo.
O nono jogo oficial entre Benfica e Celtic terminou com um dos resultados mais desnivelados da história dos embates entre os dois clubes, mas também podia ter redundado num triunfo magro da equipa de Marco Silva. Como assim? Sim, isso mesmo! O duelo desta quinta-feira à noite teve sinais de esquizofrenia.
Nas virtudes ofensivas das águias e também nos erros quase fatais que levaram a bola a fazer, três vezes (!) ricochete nos ferros da baliza de Trubin e a mais um par de calafrios. Mas também na permeabilidade de uma equipa escocesa capaz de importunar no ataque, mas que durante toda a primeira parte pareceu ter deixado a defesa em Glasgow.
Ao intervalo, o segundo jogo europeu do Benfica parecia praticamente decidido, graças a um bis de Jhon Durán (titular no lugar de Pavlidis), a um golo de Bah e à irreverência de Prestianni, com duas assistências e mais uma noite inspirada para juntar a tantas outras em 2026/27.
A tremenda capacidade ofensiva aliada à eficácia, faziam a diferença perante um Celtic que, olhando meramente para os números, parecia mais fraco do que efetivamente viria a mostrar-se, talvez mais por facilitismo alheio do que por competência própria.
Na segunda parte, o experiente Martin O’Neill mexeu nas peças. Lançou Hasseim Hassan para o flanco direito, Osmand para a esquerda e deslocou Camilo Durán para o centro do ataque. E, enquanto o Benfica caía como o fizera, ainda que sem consequências práticas, há dias frente ao V. Guimarães, o Celtic cresceu. Reduziu por Camilo Durán, que voltou a ameaçar depois com um remate ao ferro.
Por essa altura, Marco Silva já tinha notado que precisava de refrescar. Fê-lo com quatro afinações no motor espaçadas por quatro minutos que permitiram acelerar para as voltas finais da corrida.
Ainda que em permanente instabilidade defensiva, o Benfica já era novamente capaz de responder a cada transição perigosa dos escoceses.
E essa é, até ver, a melhor defesa da equipa encarnada em 2026/27: a forma como se defende a atacar os adversários (e isso nem sempre é bom). Schjelderup respondeu a Camilo Durán com um remate ao ferro e Pavlidis fez o 4-1 pouco depois de Circati, acabado de entrar, ter negado o 3-2.
A marca? É esta a do Benfica de Marco Silva, que parece só saber andar depressa.