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A recuperação de Stefanos Tsitsipas começou no momento em que decidiu libertar-se da pressão, das expectativas e, acima de tudo, separar os laços familiares da esfera desportiva. Em declarações prestadas no Almaty Open, o tenista grego de 28 anos, atual 39.º da hierarquia mundial e antigo número 3 do ranking ATP, garantiu estar a praticar melhor ténis do que no período em que atingiu as finais de Roland Garros, em 2021, e do Open da Austrália, em 2023.
Após ter concluído cinco anos consecutivos no top-10 mundial, entre 2019 e 2023, o jogador helénico enfrentou uma quebra acentuada de rendimento, espoletada por problemas nas costas e pelo desgaste na relação técnica com o pai, Apostolos. O cenário culminou numa descida ao 88.º posto do ranking em junho. Pouco antes de Wimbledon, Tsitsipas anunciou o fim definitivo da colaboração profissional com o progenitor.
Foi também por essa altura que Paula Badosa, ex-namorada do tenista, veio a público arrasar o grego, dizendo que a relação que tiveram até julho de 2025 era «tóxica». Tudo parecia correr mal ao grego, tanto dentro como fora de campo.
«Amo o meu pai e amo-o como pai. Quero manter a parte profissional fora da relação com ele. A minha relação com o meu pai melhorou agora que já não é meu treinador. Era muito difícil para mim separar o treinador do pai. Tinha chegado a um ponto em que não conseguia evitar as reações negativas», explicou o tenista, recordando os episódios de tensão pública nos torneios e acrescentando: «Continuamos em contacto e gosto muito de como as coisas estão agora.»
Segundo o atleta, afastar esse foco de tensão tem sido determinante para a sua evolução dentro do court. «Eliminar o fator de pressão ajuda. Antes sentia-me pressionado grande parte do tempo. Havia muitas coisas acumuladas dentro de mim e certas pessoas provocavam-me reações negativas. Afastar alguns desses fatores e ter pessoas ao meu redor que me mantêm calmo e me ajudam a ser mais compreensivo comigo próprio quando as coisas não correm bem permite-me experimentar mais e não ter medo de arriscar», salientou.
Tsitsipas destacou ainda a importância do novo ambiente de trabalho: «Quando nos sentimos julgados, tendemos a optar pelas soluções mais seguras. E a segurança nem sempre traz evolução. É preciso uma equipa que não julgue o que fazemos, mas que analise e apoie, porque tudo faz parte do processo.»
A reestruturação técnica, agora com o trabalho de Thomas Perrin e a supervisão de Patrick Mouratoglou, tem apresentado resultados práticos. Depois de um registo de 16 vitórias e 14 derrotas nas primeiras 16 provas do ano, Tsitsipas somou 21 triunfos e oito desaires nos 10 torneios realizados desde Wimbledon, conquistando o torneio de Gstaad em julho, troféu que encerrou um jejum de 16 meses. Desde agosto, bateu nomes como Arthur Fils (então 11.º do ranking), Jiri Lehecka (19.º), Tomas Etcheverry (30.º), Luciano Darderi (21.º) e Taylor Fritz (12.º).
«Estou a jogar melhor agora do que há alguns anos. Sinto que estava de certa forma preso ao passado. Alguns aspetos do meu jogo não estavam devidamente estruturados e não havia verdadeiramente uma base sobre a qual construir», vincou.
Parte dessa renovação reflete-se na sua pancada de esquerda. Sendo um dos três únicos tenistas do top-50 a utilizar o backhand a uma mão — a par de Lorenzo Musetti e Denis Shapovalov —, Tsitsipas tem recorrido a novas soluções e promete voltar a dar que falar no circuito ATP.