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Em poucos meses, a carreira de Luís Soares deu uma volta que lhe parecia improvável. O extremo, autor de dois golos na vitória do São João de Ver, por 3-1 no Vianense, leva três remates certeiros nas últimas três partidas e apresenta argumentos que atestam a aposta dos malapeiros num jogador que nunca tinha passado do Distrital de Aveiro.
Luisinho, como também é conhecido, estava há quatro temporadas no Paços de Brandão, freguesia de Santa Maria da Feira onde nasceu e começou a jogar à bola, com três anos, até surgir uma oportunidade "do nada".
"Estava orgulhoso por fazer a minha melhor temporada como sénior, com 23 golos em 36 jogos no Paços de Brandão, surgiu o São João de Ver e tive de dar ao chinelo e dizer que sim. É sinal de que o trabalho foi bem feito", expressa.
Antes, Luís Soares trabalhava de tarde em part-time num centro psicopedagógico, onde ajuda crianças do primeiro ciclo a fazer os trabalhos de casa ou desempenha funções de motorista escolar, e treinava ao fim da tarde. Agora, os treinos são de manhã, mas o part-time mantém-se. "Faço-o por gosto. Sou semi-profissional, mas a minha vida continua como estava. Só mudou passar a treinar de manhã", relata.
Não só deu o salto de dois patamares competitivos, como passou a ser treinado por Sandro Raniere, antigo médio internacional brasileiro que passou por clubes como o Tottenham (Inglaterra). "Se acreditava? Acreditaria, mas sempre com um pé atrás", resume.
Questionado sobre a experiência de trabalhar com Sandro, responde com elogios. "É cinco estrelas. Lembro-me de o ver jogar. Como jogador, era excelente. Ele próprio costuma falar de histórias que viveu e dos jogadores com quem partilhou o campo e o balneário em convívios da equipa ou no dia a dia", revela.
Outra das figuras ilustres em São João de Ver é Daniel Alves, o antigo astro do Barcelona que é coproprietário da SAD malapeira. "Tive uma conversa com ele quando fui contratado. Olhar para o Daniel Alves como uma estrela do futebol mundial a falar para um jogador com ambições de crescer, foi marcante. Foi um dia que ficou para a vida. Tê-lo como presidente é um motivo de orgulho", enfatiza.
O objetivo passa pelo famoso "jogo a jogo", mas com um olho nos quatro primeiros que dão acesso à fase de subida. "Claro que olhamos sempre para lá, mas, se não conseguirmos, iremos jogo a jogo lutar pela permanência", termina.
Extremo de 24 anos reconhece que a ascensão "surgiu do nada". Divide o futebol com um trabalho num centro psicopedagógico, onde dá explicações e faz de motorista de crianças, por "gosto".