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PONTAPÉ PARA A CLÍNICA - Um artigo de opinião de José João Torrinha
O Vitória atravessa um período potencialmente decisivo na sua história. Anunciam-se transformações que podem muito bem vir a impactar o futuro do clube, sendo fundamental que os vitorianos estejam informados a fim de, querendo, tomarem uma posição acerca do que estará em cima da mesa.
Nessa altura, todas as posições e decisões serão legítimas. Seguramente que haverá, entre os nossos associados, aqueles que levam a tese do "Vitória é nosso" até ao extremo e aqueloutros que acham que o Vitória só terá sucesso quando for entregue a quem tenha outros meios para investir e decidir como entender. Pelo meio, haverá ainda muitos que têm posições de nem tanto ao mar, nem tanto à terra. E está tudo certo.
O ponto é que quem decide esteja na posse de toda a informação que lhe permita fazê-lo em consciência. E nesse sentido, o caminho a trilhar até lá não começou bem. A realização da assembleia geral ordinária para apreciação das contas do clube fora de prazo e apenas após aqueloutra em que se vai decidir a venda de ações à VSports é um mau princípio.
As regras são para ser cumpridas e um prazo estatutário não é um pormenor de somenos. Claro que estamos a falar de uma questão meramente formal, mas os formalismos existem por uma razão.
Mas mais importante do que isso, é a pressa que parece ter presidido a tudo isto e o forcing exercido sobre o clube para que as coisas sejam feitas desta forma, debaixo de toda esta pressão.
Como tantos vitorianos, ainda estou a ouvir o que os nossos dirigentes têm para dizer acerca de tudo isto, mas confesso que o pano de fundo por detrás deste casamento que se anuncia, em que o clube está pressionado por um prazo que lhe é imposto pela outra parte, não me parece o modo mais saudável de (re)unir os trapinhos.
Por outro lado, parece evidente que, na assembleia extraordinária que está convocada, os sócios tenham de saber com detalhes o negócio que está em cima da mesa bem como os termos concretos em que se permitirá alterar o pacto social e ainda que seja a autorização concreta para alteração desses mesmos pontos que seja posta a votação.
Até lá, que toda a informação seja disponibilizada e se assim for cada um será, então, livre de contribuir com aquilo que entende ser o melhor para o futuro do seu clube.