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Neymar utilizou as redes sociais na noite deste sábado (24) para se manifestar sobre sua expulsão no empate em 1 a 1 entre Santos e Bahia, na Vila Belmiro. O camisa 10 recebeu o cartão vermelho antes do início da segunda etapa, após cobrir a boca com a mão durante um bate-boca com o meio-campista Rodrigo Nestor. O árbitro Sálvio Spínola foi acionado pelo VAR e aplicou a punição com base no protocolo da Lei Vini Jr.
Em sequência de vídeos publicados em seu perfil no Instagram, o atacante santista pediu desculpas aos torcedores pelo cartão recebido, mas subiu o tom contra Nestor. Segundo Neymar, o jogador do Bahia agiu de forma desleal ao utilizar uma legislação antirracista para tirar vantagem esportiva em campo:
— O que o Nestor fez comigo hoje é muito sério, porque é uma lei criada contra o racismo, e ele quis se beneficiar no jogo por algo que botei a mão na boca e nem cheguei a falar nada para ele. Obviamente, a gente estava se xingando, um trocando farpas com o outro e está tudo certo, é do futebol. Foi sério porque eu estava no meio de campo e eu estava brincando com os dois zagueiros. Ele usou isso para se beneficiar no jogo — declarou o camisa 10.
O jogador também fez um alerta sobre a forma como o protocolo vem sendo aplicado pela arbitragem. De acordo com o craque, a regra pode abrir brechas perigosas para que atletas busquem vantagens indevidas, mas disse aceitar o papel de pioneiro no debate:
— E quem criou essa lei aí, cuidado. Pode existir safadeza no meio e acontecer o que aconteceu comigo. Mais uma vez estou sendo exemplo, mas está tudo certo se for para mudar o futebol e ajudar — completou.
Por fim, o capitão do Peixe afirmou que vai dormir com a consciência tranquila e acusou o meio-campista tricolor de tentar buscar holofotes com a punição:
— Vou para casa, estou de cabeça limpa, obviamente chateado. Fiz merda, dei oportunidade de um idiota aparecer, mas está tudo certo. Valeu, Nestor. Eu vou dormir de cabeça tranquila. Tu, com a tua safadeza, não vai não. Isso é para o racismo, e não para você usar a teu favor.
Sancionada em julho de 2023, a Lei Vini Júnior (Lei nº 10.053/2023) surgiu como uma resposta institucional aos episódios de racismo enfrentados pelo jogador brasileiro Vinícius Júnior durante partidas na Espanha. O objetivo é combater e prevenir manifestações racistas em estádios e arenas esportivas.
O texto da lei estabelece um protocolo com medidas práticas a serem adotadas durante eventos esportivos, a fim de coibir atos de discriminação racial. Entre os principais pontos, destaca-se a obrigação de identificar torcedores que pratiquem atos racistas, com o apoio de recursos de monitoramento e segurança. Outra medida prevista envolve a regra que proíbe os atletas de cobrirem a boca ao se dirigirem a um adversário.
A proposta é considerada um instrumento não apenas de punição, mas também de conscientização. A intenção é usar o esporte, enquanto fenômeno cultural de massas, como ferramenta para educar e transformar comportamentos sociais.
O autor da lei é o professor Josemar, deputado estadual pelo PSOL-RJ. Um dos maiores desafios na elaboração e aprovação do projeto foi consolidar a pauta racial como prioridade dentro do Legislativo. A aprovação no Rio de Janeiro abriu caminho para iniciativas semelhantes em outros estados brasileiros. Atualmente, projetos inspirados na Lei Vini Júnior tramitam em diversas Assembleias Legislativas pelo país.