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Três quedas em três dias: o prejuízo de Vasco, Flamengo e Fluminense

Clubes são eliminados e perdem oportunidade de conquista sul-americana

Cariocas eliminados competições sul-americanas
Cariocas eliminados em competições sul-americanas (Foto: Editoria de Arte Lance!)

Três noites, três eliminações e um prejuízo que ultrapassa as quatro linhas. Vasco, Fluminense e Flamengo deram adeus às competições continentais em sequência, entre terça-feira (20) e quinta-feira (22), em resultados que interromperam o sonho de disputar decisões internacionais e impediram os clubes de ampliar suas receitas com as premiações da Conmebol.

As quedas tiveram cenários distintos. O Vasco foi derrotado pelo Boca Juniors por 3 a 1, no Maracanã, e se despediu da Copa Sul-Americana. O Fluminense venceu o Palmeiras por 1 a 0 no tempo normal, no Nubank Parque, em São Paulo, mas perdeu por 5 a 3 nos pênaltis. Já o Flamengo empatou sem gols com o Estudiantes, no Maracanã, e foi eliminado por 3 a 2 nas cobranças de penalidades.

O saldo esportivo é expressivo: nenhum dos três representantes do futebol carioca disputará a final dos torneios. No aspecto financeiro, a eliminação também representa a perda da oportunidade de receber dezenas de milhões de reais adicionais, com cifras ainda maiores em caso de título.

Vasco: queda em casa e sonho adiado

A eliminação vascaína teve um componente particularmente doloroso. Depois de vencer o Boca Juniors por 1 a 0 na Argentina, o time voltou ao Maracanã diante de mais de 66 mil torcedores, mas perdeu por 3 a 1. O gol de Leandro Paredes nos minutos finais encerrou a reação cruz-maltina e confirmou a classificação dos argentinos.

A derrota impediu o Vasco de voltar a disputar uma final continental neste século. A última decisão internacional do clube havia sido a Copa Mercosul de 2000, quando conquistou o título em uma histórica virada sobre o Palmeiras. Na ocasião, o time venceu o rival paulista por 4 a 3.

Segundo levantamento publicado pelo Lance!, o Vasco encerrou sua campanha na Sul-Americana com R$ 15,1 milhões em premiações, valor superior ao previsto no planejamento financeiro para a competição. A classificação para a decisão, porém, garantiria pelo menos mais US$ 2,5 milhões, cerca de R$ 12,9 milhões. Caso conquistasse o título, a premiação destinada ao campeão seria de US$ 10 milhões, aproximadamente R$ 50 milhões.

O impacto, portanto, não se resume à diferença entre o que o clube arrecadou e o que poderia receber na final. A equipe também perdeu a oportunidade de encerrar a temporada com uma conquista internacional, fortalecer sua relação com a torcida e aumentar a receita em uma competição que representava uma possibilidade concreta de título.

Fluminense: reação insuficiente e adeus nos pênaltis

O Fluminense esteve perto de levar a disputa contra o Palmeiras à final da Libertadores. Depois de perder por 2 a 1 no Maracanã, o Tricolor venceu por 1 a 0 no Nubank Parque, com gol de Hércules, e levou a decisão para os pênaltis. Nas cobranças, porém, o time paulista venceu por 5 a 3 e garantiu a classificação.

O resultado encerrou a campanha tricolor com US$ 8,93 milhões acumulados em premiações, aproximadamente R$ 46,3 milhões. A eliminação impediu o clube de garantir mais US$ 7 milhões, cerca de R$ 36 milhões, valor destinado ao vice-campeão. O prêmio reservado ao vencedor da Libertadores é de US$ 25 milhões, aproximadamente R$ 129 milhões.

A queda teve um significado adicional para o elenco. Em sua última temporada como jogador, Thiago Silva lamentou a eliminação e afirmou que considerava o Fluminense merecedor de um resultado melhor no confronto. O capitão também saiu em defesa de Nonato, que desperdiçou uma cobrança na disputa por pênaltis.

A reação em São Paulo mostrou que o Tricolor conseguiu competir e tirar a desvantagem do primeiro jogo, mas não foi suficiente para alcançar a decisão. Para o clube, fica a frustração de interromper a caminhada continental a uma etapa do título e a perda de uma receita importante para o planejamento financeiro.

Flamengo: pressão, superioridade numérica e frustração

A eliminação rubro-negra teve contornos diferentes. Atual campeão da Libertadores, o Flamengo buscava uma nova decisão e tinha a oportunidade de decidir a vaga em casa, diante de sua torcida. Depois do empate sem gols na Argentina, porém, voltou a ficar no 0 a 0 com o Estudiantes no Maracanã e acabou derrotado por 3 a 2 nos pênaltis.

O time argentino atuou com um jogador a menos durante quase todo o segundo tempo, após a expulsão de Baltasar Rodríguez, mas o Flamengo não conseguiu transformar a vantagem numérica em gol. Nas cobranças, o goleiro Muslera defendeu os chutes de Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique, assegurando a classificação do Estudiantes.

A queda impede o Flamengo de defender o título continental e de disputar mais uma final em uma fase recente de protagonismo no torneio. Antes da semifinal, o clube buscava sua quinta decisão em oito anos, marca que reforçaria sua presença entre as principais forças da Libertadores no período.

Financeiramente, o Flamengo também deixou escapar uma oportunidade relevante. Os semifinalistas da Libertadores tinham acumulado premiações conforme o desempenho nas fases anteriores, e o Rubro-Negro somava US$ 9,61 milhões antes da definição das vagas na decisão, aproximadamente R$ 49,88 milhões na conversão. A classificação para a final garantiria mais US$ 7 milhões, cerca de R$ 35 milhões, enquanto o campeão receberá US$ 25 milhões, aproximadamente R$ 129 milhões.

A eliminação, assim, combina a perda esportiva de não disputar a final com a frustração de não aproveitar uma oportunidade em que o time teve vantagem numérica e apoio da torcida.

Três eliminações, um alerta para o futebol carioca

As três quedas não são iguais, seja pelo contexto esportivo, seja pela dimensão financeira. O Vasco buscava uma final internacional que não disputa desde 2000; o Fluminense tentava voltar à decisão da Libertadores; e o Flamengo queria defender a conquista continental da temporada anterior.

O denominador comum é a distância entre chegar à semifinal e transformar a campanha em uma decisão. Em torneios que distribuem premiações tão elevadas, cada etapa conquistada representa uma oportunidade de receita, mas também aumenta a expectativa de torcedores e dirigentes.

Os números ajudam a dimensionar o impacto. Vasco e Fluminense deixaram de garantir, respectivamente, cerca de R$ 12,9 milhões e R$ 36 milhões apenas pela vaga na final. O Flamengo também perdeu a possibilidade de assegurar aproximadamente R$ 35 milhões pela classificação à decisão da Libertadores. Os valores não incluem receitas comerciais, bilheteria ou eventuais efeitos indiretos de uma conquista.

Em três dias, os clubes cariocas viram seus projetos continentais terminar antes do esperado. Para as torcidas, ficou a decepção das eliminações em jogos decisivos. Para as diretorias, além da necessidade de avaliar o desempenho das equipes, permanece o desafio de lidar com receitas que poderiam fortalecer o planejamento da próxima temporada.

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