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Jorginho, Paquetá e Bruno Henrique tiveram suas cobranças defendidas pelo goleiro do Estudiantes, que silenciou o Maracanã e colocou o Palmeiras diante de mais uma chance de conquistar a América.
Há noites em que o futebol parece escrever suas próprias ironias. Na quinta-feira, 22 de outubro, o Flamengo descobriu que não basta lotar o Maracanã, ter um elenco milionário ou contar com jogadores acostumados a decisões. Para chegar à final da Libertadores, também era preciso fazer a bola entrar. E ela simplesmente não quis.
O empate por 0 a 0 se repetiu no confronto contra o Estudiantes, e a vaga precisou ser decidida nos pênaltis. Foi aí que a história ganhou contornos ainda mais cruéis para os rubro-negros: Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique foram para a marca da cal e pararam nas mãos de Muslera. O goleiro uruguaio defendeu as três cobranças e conduziu os argentinos à final. Sim, três. Diante de mais de 70 mil torcedores, o Flamengo não conseguiu superar o homem que se transformou em seu maior pesadelo.
Embora Bruno Henrique e Lucas Paquetá tenham superado as graves acusações de envolvimento com apostas esportivas e manipulação de resultados, o destino cobrou seu preço no Maracanã. Os dois atletas, inocentados pelas comissões disciplinares oficiais, não encontraram a mesma clemência perante a justiça divina da bola.
Na decisão por pênaltis de ontem contra o Estudiantes, ambos falharam nos momentos decisivos e pararam nas defesas do goleiro Muslera, sacramentando a eliminação do Flamengo na semifinal da Copa Libertadores.
Lembram de Jorginho e da discussão sobre o Mundial de Clubes? Quando o assunto foi o título conquistado pelo Palmeiras, o jogador do Flamengo entrou na conversa com uma declaração que virou combustível para a rivalidade. O currículo, porém, não cobra pênalti. A bola não pergunta quantos títulos o jogador conquistou, qual camisa veste ou quantas vezes já esteve em uma decisão.
Na hora em que o Flamengo mais precisava, Jorginho desperdiçou sua cobrança. Depois, Paquetá e Bruno Henrique também pararam em Muslera. O futebol, que tantas vezes alimenta debates intermináveis sobre merecimento, resolveu a discussão da maneira mais direta possível: com a bola na marca da cal e um goleiro no caminho.
É claro que perder um pênalti não apaga a carreira de ninguém. Mas, em uma semifinal de Libertadores, cada cobrança tem o peso de uma temporada inteira. E, para quem passou tanto tempo falando em grandeza, a noite terminou com uma lição simples: reputação não converte penalidade.
Essa crônica não é uma sentença judicial. É uma provocação futebolística. As acusações e os processos envolvendo jogadores precisam ser tratados com responsabilidade, e absolvições não podem ser confundidas com culpa. Mas a rivalidade permite brincar com a ironia do esporte — e, na noite de ontem, ela estava afiadíssima.
Muslera, experiente goleiro do Estudiantes, foi o personagem central dessa história. Enquanto muitos já discutiam seu momento e questionavam seu futuro, ele respondeu dentro de campo. Não precisou de discurso, entrevista ou provocação nas redes sociais. Bastaram três defesas na disputa de pênaltis para transformar o Maracanã em cenário de festa argentina e frustração rubro-negra.
O Flamengo teve praticamente todo o segundo tempo com um jogador a mais, pressionou, acumulou posse de bola, mas não conseguiu marcar. Quando chegou a hora das penalidades, encontrou um goleiro que parecia ter escolhido justamente aquela noite para lembrar a todos de que experiência também pesa.
E o que isso significa para o Palmeiras? Significa que a decisão está marcada: o Verdão reencontrará o Estudiantes na final da Libertadores, em 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu. O adversário argentino eliminou o Flamengo; o Palmeiras passou pelo Fluminense. Dois caminhos diferentes, uma só taça.
A lembrança histórica também está aí. Palmeiras e Estudiantes já protagonizaram duelos decisivos na Libertadores, e o encontro de 1968 terminou com o título argentino. Agora, décadas depois, o Verdão terá a oportunidade de escrever outro capítulo dessa rivalidade e buscar o tetracampeonato continental.
Não será simples. O Estudiantes mostrou organização, resistência e frieza para sobreviver mesmo com um jogador a menos. E, se o Palmeiras quiser levantar a taça, precisará fazer muito mais do que torcer contra o rival: terá de jogar, competir e aproveitar as oportunidades.
Mas, por enquanto, fica difícil não sorrir diante da ironia da noite. O Flamengo foi ao Maracanã sonhando com a final, viu três de seus cobradores pararem em Muslera e terminou assistindo ao Estudiantes comemorar a classificação.
Nós, palmeirenses, podemos aproveitar a provocação — sem esquecer que a nossa decisão ainda precisa ser vencida. Que a justiça do futebol continue implacável naquilo que realmente importa: dentro das quatro linhas. E que o Palmeiras tenha força, futebol e competência para transformar a oportunidade em história.
Porque o tetra não virá por causa da eliminação do Flamengo. Virá se o Palmeiras fizer por merecer.