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A última convocação da Seleção Brasileira em 2026 trouxe uma notícia curiosa para o palmeirense. O Palmeiras não terá nenhum jogador do elenco principal na lista de Carlo Ancelotti para os amistosos contra Japão e Singapura. Mas, de certa forma, a camisa alviverde estará muito bem representada: cinco jogadores formados na Academia de Futebol foram chamados.
Vitor Reis, Danilo, Allan, Estêvão e Endrick estarão com a Amarelinha. Cinco histórias que começaram no Palmeiras e que hoje seguem caminhos diferentes pelo futebol mundial.
Enquanto isso, o Verdão e o Flamengo conseguiram o que muitos clubes gostariam de ter nesta reta final de temporada: não perder jogadores brasileiros para a Data Fifa de novembro.
A decisão da CBF já nasceu cercada de discussão. E, como quase tudo que envolve calendário, convocação e disputa pelo Brasileirão, não demorou para virar assunto entre torcedores e jornalistas.
A CBF decidiu que jogadores de Palmeiras e Flamengo não seriam convocados para os amistosos de novembro. A justificativa apresentada pela entidade foi preservar a isonomia na reta final do Campeonato Brasileiro, já que os dois clubes disputam diretamente o título.
O diretor de seleções, Rodrigo Caetano, explicou que o critério foi discutido com os clubes e estabeleceu a convocação de, no máximo, um jogador por equipe, com exceção justamente dos dois concorrentes ao título.
Na prática, Palmeiras e Flamengo não terão brasileiros convocados por Ancelotti, enquanto outros clubes perderão atletas em um momento decisivo da temporada.
E aqui começa a polêmica.
Data Fifa sempre foi motivo de discussão entre clubes e CBF. O calendário brasileiro já é apertado, os compromissos internacionais aparecem em momentos importantes e os clubes precisam reorganizar seus elencos para disputar competições que não esperam a Seleção terminar seus amistosos.
Nos últimos anos, também não faltaram críticas ao nível de algumas partidas e à sensação de que determinadas Datas Fifa acabam interrompendo o ritmo do futebol brasileiro sem oferecer grandes motivos para empolgação.
Desta vez, porém, a discussão ganhou outro ingrediente: a decisão de preservar justamente os dois clubes que disputam o título nacional.
Para o jornalista Danilo Lavieri, a medida foi um erro.
Em sua análise, a decisão parece beneficiar Palmeiras e Flamengo, mas não resolve o problema central do calendário e ainda cria consequências para os outros clubes que terão jogadores convocados.
O argumento é importante porque a discussão não termina no fato de o Verdão ter sido poupado. Outros times também estão envolvidos na disputa por vagas, em confrontos diretos e na luta contra o rebaixamento. Perder um jogador importante nessa altura da temporada pode representar um prejuízo considerável.
A CBF buscou uma solução para preservar a disputa pelo título, mas acabou criando uma situação em que alguns clubes terão de lidar com desfalques enquanto outros não.
E, naturalmente, a decisão também alimenta as narrativas de favorecimento que já fazem parte do ambiente do futebol brasileiro.
É preciso separar as coisas: a entidade apresentou um critério e afirmou que os clubes envolvidos foram consultados. Não há, apenas por essa decisão, comprovação de que exista um clube favorito da CBF.
Mas é compreensível que o torcedor questione a coerência de um calendário no qual os critérios mudam conforme a situação da competição.
E, quando o assunto é Palmeiras e Flamengo, qualquer decisão da CBF ganha uma dimensão ainda maior.
Existe outro detalhe que não pode passar despercebido.
A ausência de jogadores do Palmeiras na Seleção não é exatamente uma novidade. Em diferentes convocações, atletas que vivem bons momentos no Verdão ficaram de fora das listas, mesmo quando havia expectativa de que pudessem receber uma oportunidade.
Mas o Flamengo também costuma ter jogadores presentes nas convocações. Desta vez, nenhum atleta dos dois clubes foi chamado.
A medida evita que os concorrentes diretos pelo título brasileiro percam jogadores brasileiros para os amistosos de novembro. E isso, independentemente da justificativa apresentada, terá impacto na reta final da competição.
O torcedor palmeirense pode até olhar para a situação e pensar: se a CBF decidiu poupar os dois, que seja. O importante é que o Palmeiras não tenha mais um problema para administrar em uma temporada tão exigente.
Mas a discussão sobre a isonomia continua válida. Afinal, os demais clubes também têm objetivos, torcidas e jogadores que fazem diferença dentro de campo.
Agora, se existe algo que o palmeirense pode olhar com orgulho nessa convocação, é a presença de cinco Crias da Academia.
Vitor Reis, Danilo, Allan, Estêvão e Endrick foram chamados por Carlo Ancelotti para representar o Brasil nos amistosos contra Japão e Singapura.
E, nesse momento, vale fazer uma pausa para reconhecer o trabalho de quem ajudou a construir esse caminho.
JP Sampaio e toda a estrutura das categorias de base do Palmeiras merecem ser exaltados mais uma vez.
Não é simples formar jogadores capazes de chegar à Seleção Brasileira. Não basta encontrar um garoto talentoso e colocá-lo em campo. Existe um processo de formação, acompanhamento, desenvolvimento técnico, físico e psicológico, além de uma estrutura que precisa funcionar por muitos anos.
O Palmeiras vem colhendo os frutos desse trabalho.
Cinco jogadores formados na Academia de Futebol aparecem na lista de Ancelotti. E não estamos falando de atletas que simplesmente passaram pelo clube durante a infância. São jogadores que carregam uma parte importante da formação futebolística construída no Verdão.
O Palmeiras pode não ter representantes do elenco atual na convocação, mas tem algo igualmente importante: a confirmação de que sua base continua produzindo jogadores para o mais alto nível.
JP Sampaio merece os aplausos. E não é de hoje.
Mas confesso que existe um lado dessa convocação que também desperta uma certa saudade.
Vitor Reis, Danilo, Allan, Estêvão e Endrick.
Cinco nomes que fazem o palmeirense lembrar de diferentes momentos, gols, comemorações e histórias vividas com a camisa alviverde.
E como seria bom ter todos eles novamente no elenco atual!
Imagine o que Endrick poderia representar no ataque de Abel Ferreira. Pense em Estêvão criando jogadas pelos lados, em Danilo dando equilíbrio ao meio-campo, em Allan oferecendo velocidade e criatividade e em Vitor Reis reforçando a defesa.
Seria um elenco ainda mais poderoso.
Mas aí aparece aquele velho adversário que não usa chuteira, não entra em campo e não pode ser marcado: o capitalismo.
O futebol se tornou um mercado gigantesco. Os clubes formam talentos, desenvolvem jogadores e, quando eles atingem determinado nível, recebem propostas que muitas vezes são difíceis de recusar.
O Palmeiras também precisa vender. Precisa equilibrar suas contas, investir na estrutura, manter a competitividade e continuar formando novos atletas.
É parte do futebol moderno. E, por mais que doa ao torcedor, não dá para ignorar essa realidade.
Só que uma coisa não impede a outra: podemos reconhecer a importância financeira das vendas e, ao mesmo tempo, sentir falta daqueles que poderiam estar vestindo a camisa do Palmeiras hoje.
Porque uma coisa é assistir a uma Cria da Academia brilhando na Seleção.
Outra, muito diferente, é imaginar o que ela poderia fazer novamente pelo nosso time.
E quem sabe um dia?
Endrick, Estêvão, Danilo, Allan e Vitor Reis seguiram seus caminhos. Alguns estão na Europa, outros construíram suas trajetórias em diferentes clubes, mas todos carregam uma ligação com o Palmeiras.
Não sabemos se algum deles voltará. Não sabemos quando isso poderia acontecer ou se as condições financeiras permitiriam uma reunião desse tamanho.
Mas sonhar não custa nada.
O torcedor gosta de imaginar reencontros. Gosta de pensar naquele jogador que saiu cedo demais, naquele talento que poderia ter ficado mais algumas temporadas e naquela possibilidade de vê-lo novamente no gramado do Nubank Parque.
O bom filho à casa torna.
Assim esperamos.
Enquanto isso, que cada um siga brilhando, que represente bem o Brasil e que nunca se esqueça de onde começou.
No fim das contas, a convocação deixa duas mensagens para o palmeirense.
A primeira é que o Palmeiras e o Flamengo foram preservados pela CBF em uma decisão que merece discussão, principalmente pelo impacto sobre os outros clubes e pela falta de uma solução mais ampla para o calendário brasileiro.
A segunda é motivo de orgulho: cinco jogadores formados na Academia de Futebol estarão representando a Seleção Brasileira.
E isso não acontece por acaso.
É resultado de trabalho, investimento, planejamento e de uma estrutura que continua revelando talentos capazes de chegar ao futebol internacional.
Que JP Sampaio receba o reconhecimento merecido. Que a Academia continue produzindo grandes jogadores. E que Ancelotti saiba aproveitar o talento dessas Crias.
Quanto a nós, palmeirenses, fica aquela mistura de orgulho e saudade.
Orgulho por vê-los na Seleção.
Saudade por imaginar todos eles novamente com a camisa do Verdão.
E uma esperança que não precisa de convocação para existir: quem sabe, um dia, alguns desses meninos voltem para casa?