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Resumo
Antes de se consagrar como lenda do São Paulo, Rogério Ceni iniciou a carreira no Sinop enquanto trabalhava em banco, quase perdeu o teste no tricolor e recusou proposta do Goiás. Com paciência na reserva de Zetti, assumiu a titularidade e inovou ao somar 131 gols na carreira. Conquistou a Libertadores, o Mundial de 2005 e três Brasileiros seguidos pelo clube, além da Copa de 2002 pela Seleção. Aposentado em 2015 com 1.237 jogos, seguiu carreira vitoriosa como técnico por times como Fortaleza e Flamengo.
Rogério Ceni construiu uma das trajetórias mais marcantes do futebol brasileiro. Ídolo do São Paulo, o ex-goleiro conquistou títulos importantes, marcou 131 gols e se tornou uma referência para diferentes gerações de torcedores. Antes de alcançar esse reconhecimento, enfrentou situações que poderiam ter mudado completamente o rumo de sua carreira.
Nascido em Pato Branco, no Paraná, Ceni cresceu em Sinop, no Mato Grosso. Foi nessa cidade que começou sua trajetória profissional, conciliando os treinamentos no Sinop Futebol Clube com o trabalho no Banco do Brasil.
Aos 17 anos, ainda não tinha espaço garantido na equipe. Sua primeira oportunidade surgiu em 1990, quando os dois goleiros à sua frente sofreram lesões. Rogério assumiu a posição, defendeu um pênalti na estreia e ajudou o clube a conquistar o Campeonato Mato-Grossense.
O desempenho abriu caminho para um teste no São Paulo. A viagem, contudo, teve um imprevisto. Ceni e seu pai se perderam na capital paulista e não conseguiram chegar a tempo da avaliação. Uma nova oportunidade foi concedida, e o jovem acabou aprovado.
Contratado em 1990, Rogério passou pelas categorias de base antes de integrar o elenco profissional. Durante esse período, conviveu com Telê Santana e aprendeu com Zetti, então titular absoluto, e com o preparador de goleiros Valdir Joaquim de Moraes.
A espera pela titularidade durou anos. Em 1996, Ceni recebeu uma proposta do Goiás que oferecia um salário três vezes maior. Ele chegou a considerar a transferência, mas permaneceu após conversar com o presidente Fernando Casal de Rey sobre seu futuro no clube.
Antes disso, já havia protagonizado uma atuação importante na Copa Conmebol de 1994. Na semifinal contra o Corinthians, defendeu duas cobranças na disputa de pênaltis. O São Paulo avançou e conquistou o título diante do Peñarol.
Outro detalhe curioso envolve seus gols. Rogério treinava cobranças de falta desde 1995 e acumulou milhares de tentativas antes de marcar pela primeira vez.
Em 15 de fevereiro de 1997, contra o União São João, balançou as redes em uma cobrança de falta. Era sua quinta tentativa em jogos oficiais naquela temporada. Muricy Ramalho, treinador do São Paulo, havia apostado no goleiro como cobrador da equipe.
A confiança deu resultado. Ceni terminou a carreira com 131 gols, sendo 62 de falta e 69 de pênalti. Em 2005, viveu sua temporada mais artilheira, com 21 gols, além de conquistar a Libertadores e o Mundial de Clubes.
Na decisão mundial contra o Liverpool, foi fundamental para a vitória por 1 a 0, com defesas decisivas que ajudaram o São Paulo a conquistar seu terceiro título mundial.
Pela Seleção Brasileira, integrou o elenco campeão da Copa do Mundo de 2002. Também participou do Mundial de 2006, quando entrou em campo contra o Japão.
Ao encerrar a carreira como jogador, em 2015, acumulava 1.237 partidas pelo São Paulo e três títulos consecutivos do Campeonato Brasileiro, conquistados entre 2006 e 2008.
A ligação com o futebol continuou à beira do campo. Como treinador, passou por São Paulo, Fortaleza, Cruzeiro, Flamengo e Bahia. Conquistou a Série B de 2018 com o Fortaleza e o Campeonato Brasileiro de 2020 pelo Flamengo, ampliando uma trajetória que começou com um jovem funcionário de banco no interior de Mato Grosso.