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Resumo
Em meio à hostilidade e superficialidade do futebol atual, o técnico do Atlético Mineiro, Eduardo Domínguez, surge como contraponto positivo. Com postura respeitosa, autocrítica e diálogo maduro, ele superou desconfianças iniciais e aprimorou o time taticamente após a pausa da Copa. Ao transformar o elenco em uma equipe coletiva e valorizar o fator humano, "El Barba" resgata a essência da paixão popular pelo esporte, aliando trabalho técnico e conexão genuína com a torcida.
Um Barba no palheiro. Em tempos estranhos, de grande confusão sobre as missões e atribuições de cada um, o futebol tem sido colocado à prova quanto à sua real capacidade de ser parte da paixão ou da degradação moral da civilização humana.
Criar vínculos e, ao mesmo tempo, ser reflexo das nossas mazelas agressivas que vão para os gramados como parte de um campo de guerra mistura, o tempo todo, o amor e a putrefação, tudo num mesmo "recipiente".
Com o argumento do "entretenimento", normalizamos nossas perguntas mal-educadas e sem preparo. Recebemos em troca respostas desrespeitosas de treinadores, famílias são ameaçadas por uma atuação ruim de um atleta, e gritamos, gritamos muito para ter a atenção. O corte nosso de cada dia pode ser honesto, mas não rende. E TODOS seguem dentro do mesmo "balaio": os éticos, trabalhadores e os desprovidos de limites, moldados em personagens caricatos, e os que vendem quase a própria dignidade.
É óbvio que fazer jornalismo é perguntar e apurar sobre o que é de utilidade pública e desconfortável; o resto é publicidade. Contudo, há que se ter estudo e elegância até na dureza; assim se concebe o respeito. Por outro lado, treinadores, atletas e dirigentes necessitam remodelar a forma beligerante de responder às críticas e aos questionamentos dos profissionais. Há pouca maturidade e todos, mais uma vez, estão no mesmo balaio, mudando o objetivo do esporte para um mercado paralelo que usa grandes símbolos e massas gigantes e se esquece das premissas básicas.
Agora, configure o contraponto, a outra direção, que é o atual treinador do GALO. O "cara" saiu da Argentina festejado, com roda de despedida e com minuto de aplausos…
Prossiga a receita do entendimento e acrescente uma colher de sopa: mesmo diante de situações adversas e críticas pesadas, essa mesma figura seguiu respondendo com sabedoria, respeito e ainda evoluiu no diálogo, aprendendo português para se comunicar melhor. Acabou? Não!
Podemos também relembrar o episódio da ressignificação, logo após a peleja contra o fraco Juventud (URU). Naquela oportunidade, Eduardo afirmou que a dedicação do elenco estava abaixo do esperado, apesar do triunfo: "se não respeitarmos quem está aqui, a torcida, se não treinarmos melhor, e se não soubermos o que queremos, tudo será muito mais difícil".
Por um tempo, o treinador parecia alguém muito frio na condução, mas, na verdade, Eduardo não era "VTzeiro". A prova disso ocorreu no jogo contra o Vitória, quando, de costas, com o estádio apagado, "pê da vida", sem perceber que estava sendo filmado, chutou a própria garrafinha de água longe, num desabafo, instrumento de uma catarse. As coisas não estavam bem e o humano ali exalou a insatisfação.
Mas era preciso trabalhar e extrair mais do que o próprio elenco podia dar; era vital criar automatismos de jogo. Barba Domínguez aproveitou a parada da Copa e o Atlético voltou, incrivelmente, melhor, como quase nunca ocorria. Atletas começaram a fazer parte de um processo de organismo de jogo. Jogadores questionados começaram a se recuperar e os processos ensaiados de jogo começaram a se amarrar na arte da COLETIVIDADE. O Atlético se transformava de um punhado de atletas em uma EQUIPE.
Se, no primeiro instante, a nossa ansiedade quis classificar Domínguez como treinador de uma nota só, que só jogava na transição, ele nos respondeu trabalhando com um sonoro NÃO. Barba quebrou os rótulos de não ter cardápio tático trabalhando e, com a chegada dos reforços Fred e Kevin Castaño, as aulas de movimentação e variações foram se acumulando. O comandante do GALO provou que analisa caso a caso, jogo a jogo, e acrescenta os "ingredientes" de acordo com a dinâmica que precisa dar ou neutralizar.
Por fim, Eduardo Domínguez costura no Galo o que a essência da atleticanidade tem de melhor: o valor das pessoas. O Atlético não é um clube de matéria, o Atlético é um time de Massa e que só funciona se tiver o povo jogando junto.
El Barba, carinhosamente chamado de Seu Madruga, a cada dia, conquista mais um punhado de gente brasileira que acredita que o futebol é encantamento, amor, plástica, gentileza e até perdão.
Na última peleja, contra o Coritiba, na Arena MRV, Domínguez reconheceu ter falhado na comunicação com Igor Gomes e ponderou:
"Lá atrás, eu falhei na comunicação com ele (Igor Gomes), não tenho problema em pedir desculpas… Estou aqui para tomar decisões, mas vou errar. Conversamos, ele é muito inteligente e está sendo muito importante".
O Galo ainda não conquistou taças em 2026, mas, certamente, o Barba está decorando a sala para que isso ocorra da forma mais genuína possível: com o povo junto.
E, voltando lá atrás, se o CAM precisa do Barba, imagina o futebol brasileiro que está se perdendo nos gritos vazios dos personagens do entretenimento. Antes de ser negócio e máquina de mobilização comercial, o futebol chega primeiro ao coração. Vida longa ao Barba da Massa, viva o Barba do verbo esperançar. Temos um Barba no palheiro. E quem não correr? Não vai jogar.
Galo, som, sol e sal é fundamental
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