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Tiago Mendes não tem, atualmente, atividade no ramo do futebol. O antigo jogador e treinador, de 45 anos, decidiu enveredar pelo caminho das... finanças, ao envolver-se no projeto MoneyFlix.
"Este é um dos projetos que me tem dado mais alegria em participar. Projeto sobre literacia financeira, são dois médicos que são apaixonados pelo investimento e querem ajudar a sociedade. Percebi que haveria essa necessidade no futebol, eu gostava de ter aprendido mais e tem sido incrível. Só pelo que aprendi já valeu a pena. Tenho a certeza de que se vai ouvir falar muito da MoneyFlix", começou por dizer, na conversa com Record no fecho da EXPOFUT.
"Foi numas férias, estava com a minha esposa e comecei a querer saber mais dos mercados e dos investimentos, o dinheiro, a inflação, o juro composto. Comecei no Youtube a ver um podcast de dois médicos a falarem de dinheiro, queriam deixar algo gravado para os filhos. É um começo, uma base, perceber que o dinheiro é algo que perde valor, que se investirmos cedo ao fim dos 40 anos se calhar somos milionários, perceber o que é o S&P500. Fui vendo episódios, estive num evento deles e acabaram por me reconhecer e tenho feito parte para ajudar a que cresça e atinja um maior número de pessoas. Há uma comunidade grande de pessoas que conversam no Telegram, vamos fazendo coisas devagarinho", prosseguiu.
E, curiosamente, Tiago nem era assim tão bom de contas na juventude. "Nem por isso. Nunca fui um predestinado na escola. Mas gostei de ter aprendido o que sei hoje nestes últimos anos. Gostaria de ter aprendido mais cedo. Tive a felicidade de ter bons contratos, ganhar dinheiro, mas posto no banco e sem grande cuidado. Olho para trás e penso que se soubesse o que sei hoje, com o dinheiro que tinha a entrar mensalmente, estaria bem melhor", afirmou, admitindo que "a grande maioria dos jogadores" não sabe como gerir os seus próprios recursos.
"Estamos a falar de desporto, futebol, dedicamos muitas horas, parece que mais nada interessa, mas mesmo para a população há necessidade de falar em dinheiro, investimento, pensar na reforma. Temos que fazer a nossa parte de irmos à procura do que fazem os outros para estarmos mais tranquilos. Eu fiz muitas asneiras, fiz negócios com amigos que me engaram, fiz investimentos que não correram bem. Alguns jogadores passam por isso. Independentemente dos milhões que ganharam ou tostões, todos nós cometemos erros, por uma razão ou outra. Ou por confiar em certas pessoas ou por termos uma ideia que queremos pôr a funcionar sem sabermos bem no que nos estamos a meter. Felizmente, não fiz assim tantos e permite-me ter uma vida confortável", apontou Tiago Mendes.
"É preciso rodear-se das pessoas certas e ter sorte, também. Temos confiança na família e amigos próximos, não abrimos muito a pessoas de fora, quando conhecemos alguém no banco fazemos tudo com aquela pessoa. O foco estava no dia a dia. Jogo a jogo. O futebol de elite é muito exigente. Mas tínhamos tempo livre para estudar nos estágios, por exemplo. Mas não havia disponibilidade mental nem a própria necessidade, porque no mês seguinte fazia não sei quantos mil euros. Parecia que nunca iria acabar. O futebol passa rápido, mas a verdade, sabendo o que sei hoje e olhando para trás, digo: meu Deus, o que é que desperdicei. Não pelo dinheiro, mas o próprio dia-a-dia e sentimento de que quando acabar teria o planeamento feito, dinheiro não é nem será problema", continuou.
"O que queria deixar bem definido é que não é preciso muito dinheiro para se chegar ao final de carreira e ter uma vida estável. As pessoas acham que é preciso 5.000 euros por mês e não é. Se se juntar 100, 200, 300 euros e se virem com o juro composto, dá média de 10% ao ano. Vão ver o dinheiro que dá. Vão ao google e utilizem calculador de juro composto e comecem a brincar. Juro a 8%, ponham a quantidade de anos e vejam a curva do juro composto. Gostaria de mostrar isto a todos, até aos mais jovens. A curva exponencial é conforme passa o tempo", disse ainda Tiago.
O jogador, na sua ótica, tem de ser o primeiro a querer saber como gerir melhor o seu rendimento, mas não o único. "Acho que somos responsáveis pelo que fazemos. Primeiro tem que ser o jogador. Os clubes e até a Liga podiam ajudar. Vou tentar marcar uma reunião com o Presidente para falar do tema. Se gostamos tanto do futebol, acho que podemos ajudar para, quando deixarem de jogar, termos a sensação de que fizemos tudo para os ajudar e saber que vão ter uma vida mais tranquila", concluiu Tiago Mendes, que jogou no Sp. Braga, Benfica, Chelsea, Lyon, Juventus e Atlético Madrid.