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A televisão estatal chinesa confirmou, esta quarta-feira, a suspensão das transmissões da Liga espanhola devido às declarações de Kylian Mbappé e rejeitou as explicações do Real Madrid, considerando que as palavras do jogador ultrapassaram os limites.
Um porta-voz do Centro de Desporto e Juventude do Grupo de Media da China (CMG) afirmou que a estação não aceita a posição de que Mbappé «nunca teve intenção de ofender» e tem o direito de expressar opiniões. Assim, enquanto o clube espanhol não apresentar um pedido de desculpas considerado satisfatório, a entidade aponta que «não há nada a discutir».
Recorde-se que o CMG confirmou na segunda-feira ter suspendido as transmissões da Liga espanhola, dos jogos relacionados com Mbappé e dos anúncios publicitários protagonizados pelo francês.
A polémica começou após a divulgação de uma entrevista em que Mbappé, questionado sobre o «meme» que mais o fazia rir, referiu uma montagem com o seu rosto sobreposto ao de Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China.
O jogador do Real Madrid descreveu Mao como «um tipo que penso ser um ditador chinês» e disse que costumava partilhar a imagem com os amigos.
A plataforma chinesa de notícias e comunidade de futebol Dongqiudi anunciou que não traduziria a entrevista, por considerar que as palavras do jogador ferem os sentimentos dos adeptos e do povo chinês.
Várias empresas chinesas, incluindo o grupo de bebidas Dongpeng e a gigante dos laticínios Mengniu, anunciaram, entretanto, o fim de parcerias comerciais com Mbappé.
Na terça-feira, o presidente da La Liga, Javier Tebas, enviou uma carta à CMG na qual condenou o comportamento do jogador, classificou-o de «inaceitável» e pediu desculpa pela ofensa causada.
A emissora de rádio e televisão respondeu que a La Liga, o Real Madrid e, especialmente, Mbappé deveriam pedir desculpas publicamente e enviar uma carta de desculpas por escrito.
O avançado divulgou então um comunicado em francês, chinês e inglês, no qual lamentou as palavras e expressou «profundo respeito» pelo povo chinês e pela sua história. «O meu comentário foi irrefletido e compreendo agora que magoou muitas pessoas na China e nas comunidades chinesas em todo o mundo.»
Ainda na terça-feira, Tebas reuniu-se com o embaixador chinês em Espanha, Yao Jing, para procurar uma solução para a controvérsia. A La Liga mantém acordos de cooperação com entidades chinesas, incluindo um acordo estratégico com a liga profissional do país, válido até 2029.
Já esta quarta-feira, o jornal oficial Global Times, ligado ao Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês, publicou um editorial no qual advertiu as celebridades internacionais de que não podem beneficiar comercialmente do mercado chinês sem respeitar as sensibilidades nacionais.
«Respeitar não é opcional. Ninguém pode lucrar com a China enquanto a desrespeita», escreveu o jornal.
O editorial sugeriu ainda que os contratos comerciais com figuras públicas internacionais passem a incluir cláusulas mais claras sobre a respetiva conduta pública.
O Global Times não especificou, contudo, quais foram as declarações de Mbappé que desencadearam a polémica, limitando-se a afirmar que muitos chineses preferem não as repetir, por as considerarem ofensivas.