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Bola de Ouro: qual é a lógica disto?

A France Football até pode escrever trinta textos para trinta vencedores diferentes, ninguém vai estranhar

Bola de Ouro

Na tarde da gala, o site oficial Bola de Ouro publicou, por engano, três textos a felicitar três vencedores diferentes: Lamine Yamal, Harry Kane e Mbappé.

Perante o burburinho na sala, a organização apressou-se a explicar que não havia batota, era tudo perfeitamente normal: os textos estavam preparados para cobrir os três possíveis vencedores. O que, parecendo que não, se revelou o momento mais transparente da noite.

E é precisamente aí que interessa chegar.

A France Football, no fundo, teve o bom senso de assumir que era capaz de encontrar um conjunto de argumentos para justificar qualquer vencedor. É como Groucho Marx: tem estes princípios, mas se não gostarem, ele arranja outros.

Finalmente fez-se luz, portanto.

É que estava difícil encontrar uma lógica naquela classificação final. Senão, pensem comigo.

Disseram-nos que os portugueses foram prejudicados pelo mau Mundial da Seleção. Vá, aceitemos a regra. Mas se o Mundial pesa tanto, porque é que Lamine Yamal, campeão do mundo, ficou atrás de dois jogadores que não chegaram à final? E como é que Kvaratskhelia foi o melhor jogador do PSG, se nem sequer esteve no Mundial?

Não, calma, o primeiro critério afinal é o rendimento individual: é isso que diz o regulamento da Bola de Ouro.

Então porque é que Fabián Ruiz ficou à frente de Vitinha? Aliás, que explicação pode haver para o patrão de todo o futebol do PSG bicampeão europeu não passar do 14.º lugar? E como é que Cucurella ficou à frente de Nuno Mendes? Já agora, e Bruno Fernandes, eleito o melhor da Premier League e recordista de assistências, não merecia mais do que a 27.ª posição? Quer dizer, o homem fez 21 assistências, será que o júri não viu nenhuma? Ou acha que o rendimento individual podia ter sido melhor? Ao nível, porventura, de um Upamecano?

A verdade é que cada resultado, sozinho, até pode ter uma explicação razoável. Por experiência já sabemos que a France Football arranja argumentos para qualquer um.

Harry Kane ganhou pelos golos. Lamine Yamal perdeu apesar dos títulos de campeão de Espanha e do Mundo. Mbappé ficou no meio sem precisar de nenhum dos dois.

O problema aparece no fim, quando se tenta juntar tudo numa única lógica. Aí damos de caras com a falta de coerência e percebemos que não vale a pena tentar mais. A Bola de Ouro não distingue o melhor do mundo: distingue o mais votado. É no fundo uma espécie de Festival da Eurovisão, mas de smoking. E com um ar menos absurdo, vá.

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