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Francesco Totti recordou a forma como foi "forçado" a terminar a sua lendária carreira, unicamente passada na Roma, em 2017
Francesco Totti recordou na segunda-feira a forma "forçada" como terminou a sua lendária carreira no futebol em 2017, reiterando que gostaria que a sua história na Roma, único clube que alguma vez representou, tivesse terminado de forma diferente.
Presente à margem da apresentação do seu livro "Oltre", no Teatro Brancaccio, na capital italiana, o antigo avançado italiano, atualmente com 50 anos, explicou que não queria terminar a carreira quando o fez, mas que se viu forçado a aceitá-lo por se sentir descartado pela direção do clube.
"Estou morto, de um certo ponto de vista. Foi um momento forçado, uma despedida forçada. Uma que eu não queria e não sentia. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde tinha de acontecer, porque tudo tem um início e um fim, mas para mim foi doloroso neste caso, diferente de como eu tinha pensado. No final, acho que é a norma num trabalho como o futebol, em que, quando és útil, és útil e, quando não és útil, já não és útil. É uma forma errada de pensar, mas infelizmente é a verdade", refletiu.
Totti assumiu ainda que, antes de pendurar as chuteiras, sentia-se "assustado" ao pensar em como seria a sua vida pós-futebol.
"Sinto falta daquelas duas ou três coisas que estava habituado a fazer todos os dias. Se nos tirarem o chão debaixo dos pés, começamos a cambalear. Como não foi a minha vontade e foi tudo à pressa e de repente, visto que fui o último a saber, aceitei contrariado. Aceitei a decisão da direção e, como disse, fiquei assustado. Não sabia o que iria encontrar ao virar a página, o que eu queria. Sou uma pessoa muito sensível, muitas vezes recolho-me em mim próprio e não me expresso. Uma qualidade, um defeito, não sei. Ao mesmo tempo, passei em revista todos os 25 anos a pensar nas coisas boas e más, se tinha cometido erros com certas pessoas. Não conseguia compreender o que estava a acontecer, sentia-me perdido. 'Morto' é uma palavra pesada, mas quando uma jornada de 25 anos e uma história tão importante com uma única camisola termina... Eu disse: 'Estou assustado'", contou.
De resto, o "eterno" capitão da Roma descartou um regresso ao seu clube do coração enquanto dirigente, pelo menos enquanto o clube for detido pela família norte-americana Friedkin.
"Normalmente, quando há reuniões, são de duas vias, não é 'um contra um'. Em sete ou oito anos, nunca aconteceu. Vê-se que o outro lado não tem os mesmos pensamentos, as mesmas ideias. Eles têm ideias diferentes sobre a vida, o pensamento e o trabalho. Mas é assim que deve ser, aceito-o de bom grado. Ou fazemos as coisas juntos, ou não as fazemos de todo. Se o outro lado não está disposto ou não tem os mesmos pensamentos que eu, paramos por aqui. Não temos de ir mais longe, parece a coisa certa a fazer. Espero que os Friedkins vão o mais longe possível. Estou nos bastidores, mas estou sempre lá pela Roma", vincou Totti.