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Festa antecipada no Jamor: Belenenses deu tudo, Arouca segue em frente

Um verdadeiro jogo de Taça, com resultado indefinido até aos 120 minutos

Belenenses-Arouca (António Pedro Santos/Lusa)

Festa do início ao fim! O Arouca bateu o Belenenses este domingo por 4-3, após prolongamento, no Estádio Nacional, numa espécie de final antecipada no tradicional palco da final da prova rainha, pelo menos, a julgar pelo ambiente de festa que os adeptos «azuis» conseguiram recriar nas matas do Jamor. A equipa do Restelo fez a festa ao longo da tarde, mas são os lobos de amarelo que seguem em frente, num jogo que só ficou resolvido após 120 minutos, com três reviravoltas no marcador e um final de loucos.

Com o Estádio do Restelo a mudar de relvado, que já deverá estar operacional na próxima semana, para a receção ao Sp. Covilhã, o Belenenses voltou a fazer do Jamor a sua casa, esta tarde, com um ambiente particular, antes do jogo que, depois, se prolongou até ao final da partida, num verdadeiro ambiente de taça, do princípio ao fim.

Mal chegámos ao Jamor, sentimos o cheiro a bifanas, tão tradicional na Taça, e seguimos-lhe o rasto. Descemos três socalcos, pelo meio da mata, não se via vivalma, mas o cheiro era cada vez mais intenso e, à distância, já se ouvia música.

Finalmente, chegámos a uma clareira onde estavam os condimentos para a festa. Três carrinhas com bifanas, pão com chouriço, cachorros-quentes e cerveja. Faltava tudo o resto. As pessoas, os adeptos, os cachecóis. A duas horas do início do jogo, apenas encontrámos David, emigrante em França, que estava ao balcão, equipado a rigor, com cachecol do Belenenses e camisola da Fúria Azul.

Passou a ser o nosso anfitrião. «O pessoal está a chegar! Eles vêm aí! Quer fazer uma reportagem? Espere mais um pouco que vão arrancar agora dois autocarros do Restelo. Já vamos ter festa, espere só mais um bocadinho», atirou-nos David a transbordar entusiasmo. «Sou emigrante em França, este vai ser o meu último jogo. Sou do Belenenses não sei porquê. Nasci em Belém, o meu pai era do Belenenses e o meu avô jogou no Belenenses. Está-me no sangue», apresentou-se.

Os autocarros demoraram a chegar, mas, aos poucos, do meio da mata, foram surgindo adeptos em pequenos grupos. Famílias, grupos de amigos, uns mais jovens, outros mais velhos, foram-se juntando no «ponto azul», uma espécie de «fanzon» que o Belenenses colocou à disposição dos adeptos. Davi, o nosso interlocutor, fez questão de nos apresentar Zé Luís Lemos, de 80 anos, sócio número 1.056 do Belenenses.

«Hoje está pouca gente, mas quando for a final vamos ser muito mais! Estes são jogos completamente diferente, são equipas de divisões diferentes, mas estou confiante que vamos ganhar», atirou o sócio veterano enquanto ia buscar uma cerveja.

Entre o verde do Jamor, iam surgindo pontos azuis, certamente também ao cheiro das bifanas. Foi o caso de Ricardo Murça, de 46 anos, que chegou com a família. «Isto é quase uma final para nós. Vir aqui, ao Jamor, é sempre especial para nós, para a malta de quarenta e tal anos já passámos aqui umas tardes boas. Não é o melhor palco, preferimos jogar no Restelo. É a nossa casa, jogamos melhor lá, acredito que a equipa seria mais forte a jogar no Restelo. De qualquer forma, os últimos jogos que temos feito aqui no Jamor temos ganho, pode ser que seja um talismã para hoje», disparou mais um sócio confiante.

A verdade é que o Belenenses ganhou os primeiros seis jogos esta temporada, incluindo duas eliminatórias da Taça de Portugal, e só empatou, na semana passada, na visita à Mafra. «Ainda não perdemos esta época e acredito que hoje possamos fazer um bom resultado. O Arouca está a fazer uma boa época, mas, se formos a ver, o Santa Clara foi eliminado pelo Mafra, o Viseu foi eliminado pelo Fátima. Taça é Taça», atirou ainda Ricardo, numa altura em que já se aproximava a hora do início do jogo.

Testemunhos a transbordar confiança, ainda não sabiam os adeptos o que estava para vir.

Os «amigos» do David não chegaram a jogar [«os autocarros estão atrasados, mas já saíram do Restelo»], mas a verdade é que cada vez havia mais adeptos do Belenenses que chegaram a ser algumas dezenas juntou às roulottes. A caminho do estádio, encontrámos mais alguns grupos, dispersos, pela mata. A verdade é que, todos juntos, chegaram a ocupar uma boa parte da bancada central do Estádio Nacional.

Um verdadeiro jogo de Taça, com final imprevisível até ao último suspiro

Quando Miguel Nogueira apitou para o início do jogo, a festa continuou a ser dos azuis, até porque o Belenenses entrou muito bem no jogo, com ousadia no ataque, com Bruninho a abrir caminho pela direita. Aliás, as primeiras oportunidades do jogo foram mesmo da equipa de Gonçalo Brandão, com destaque para duas de Diogo Leitão, uma delas a obrigar Arruabarrena à defesa da noite.

O Arouca, ainda a adaptar-se aos conceitos de Vítor Severino, que só tinha feito um jogo, fechou-se bem atrás, susteve as primeiras investidas da equipa do Restelo, e, aos poucos foi crescendo no jogo. Foi ganhando metros, na mesma medida que obrigava o Belenenses a recuar.

Assim que chegou às imediações da área do Belenenses, esta noite com um nov guarda-redes, o Arouca chegou ao golo. Investida de Alphonso Trezza pela direita, com cruzamento atrasado para o remate de primeira de Iván Barbero. Simples e eficaz. Trezza acabou por sair logo a seguir, com problemas físicos, e Barbero chegou a festejar um segundo golo, mas estava adiantado e não valeu. Até ao intervalo, registo para mais uma oportunidade para o Belenenses, num remate forte de Chamito, mas por cima.

O Belenenses voltou a ensaiar uma entrada forte, enquanto o Arouca voltava a ceder muitos espaços no arranque da segunda parte, mas, desta vez, os azuis não se ficaram pelas ameaças e chegaram mesmo ao golo. Cruzamento de Diogo Leitão [está em todas] e entrada de rompante do brasileiro Cesinha para desviar, de raspão, para o fundo das redes.

A festa estava de volta ao Jamor, com os adeptos do Belenenses a darem largas à alegria, numa altura em que o Arouca parecia perdido em campo. Vítor Severino não esperou muito mais e promoveu três alterações de uma assentada. Os lobos ainda demoraram a assimilar as mudanças, mas, tal como tinha acontecido na primeira parte, começaram a ganhar algum ascendente no jogo.

Quando o Arouca começava a ficar por cima, foi o Belenenses que passou para a frente do marcador, naquele que foi um dos lances mais bonitos da partida: Monteiro cruza da direita, Herrera, na área, dá de calcanhar, e Bruninho enche o pé para um golo espectacular.

Parecia que já estava feito, com as bancadas em ebulição e os minutos a correrem para o final, mas Mansilla, numa jogada de insistência, silenciou o Jamor, aos 87 minutos, como novo empate. O jogo parecia condenado a um inevitável prolongamento, até porque, pouco depois, foi mostrada a placa com o tempo de compensação: 4 minutos!

Quatro minutos que pareceram uma vida. Aos 90+1, o Arouca virou o resultado, de forma espetacular, com Mansilla a bisar no jogo com um espetacular pontapé de bicicleta na sequência de um canto.

O Belenenses não baixou os braços e, no limite da compensação, aos 90+4, David Monteiro surpreendeu tudo e todos com um pontapé do meio da rua que só parou nas redes de Arrubarrena. Empate 3-3 e o jogo foi mesmo para prolongamento.

Já no prolongamento, veio ao de cima a melhor forma física do Arouca, com os jogadores do Belenenses a acusarem o enorme desgaste, físico e emocional. A fechar a primeira parte, os lobos passaram, pela terceira vez neste jogo, para a frente do marcador, num lance que começa num lançamento de Esgaio, com Mayulu a combinar com Nandín e a marcar com classe.

Apesar de tudo, o Belenenses não baixou os braços e, empurrados pelo entusiasmo dos adeptos, lutou até ao fim.

É o Arouca que segue em frente na Taça, mas a festa foi, sem dúvida, do Belenenses. Do princípio ao fim.

Momento do jogo: espetacular bicicleta de Mansiila

O Belenenses tinha acabado de elevar a fasquia, com o melhor lance do jogo, que permitiu a Bruninho marcar um grande golo, mas Mansilla conseguiu fazer ainda melhor. Já depois de ter marcado o golo do empate, o uruguaio arrancou um espetacular pontapé bicicleta na área que colocava novamente o Arouca em vantagem no jogo.

Figura do jogo: Diogo Leitão deixou tudo em campo

Que grande jogo do lateral esquerdo do Belenenses, com duas oportunidades flagrantes, logo a abrir o jogo e um cruzamento bem medido para o primeiro golo do Belenenses. Esteve sempre em evidência no jogo até ao momento em que foi substituído, esgotado, ao minuto 85.

FICHA DE JOGO

Estádio Nacional, no Jamor

Árbitro: Miguel Nogueira

Assistentes: Paulo Brás e Nuno Pires

4.º árbitro: Jose Rodrigues

BELENENSES: Riechlmann; João Lucas, Nuno Tomás, David Monteiro e Diogo Leitão (85m); Tiago Morgado e Afonso Afonso (46m); Cesinha, Juan Herrera (85m) e Chamito (85m); Bruninho.

Suplentes: Guilherme Oliveira, Afonso Pinto, Diogo Maria (46m), Diogo Varela, Tiago Moninhas (85m), Miguel Bandarra, João Oliveira, Afonso Valente (85m) e Eduardo Souza (85m).

Treinador: Gonçalo Brandão

AROUCA: Arruabarrena; Tiago Esgaio, Javi Sánchez, Jose Fontán e Orest Lebedenko; Espen van Ee e Taichi Fukui (63m); Alfonso Trezza (27m), Pablo Gozálbez (63m) e Naïs Djouahra (81m); Barbero (63m).

Suplentes: Martim Duarte, Diego Monteiro, Mário Climent, Mateo Flores (112m), Pedro Santos (63m), Rukavina (63m), Mansilla (entrou 27 e saiu 112m), Mayulu (63m) e Dylan Nandín (81m).

Treinador: Vítor Severino

Resultado ao intervalo: 0-1

DISCIPLINA

Cartões amarelos: Pedro Santos (73m), Chamite (73m) e Javi Sanchez (115m)

Cartões vermelhos: nada a registar

GOLOS: Barbero (22m), Cesinha (49m), Bruninho (76m), Mansilla (87 e 90+1m), David Monteiro (90+4m) e Mayulu (105m)

Resultado final: 3-4 (ap)

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