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Primeiro jogo oficial da época em casa terminou com triunfo claro da formação de Macinhata do Vouga. Nuno Lourenço gostou da resposta da equipa antes do arranque do campeonato, enquanto a FIDEC saiu preocupada com a lesão de Herlander.
A AA Macinhatense venceu a FIDEC por 4-0, no Campo 1.º de Maio, em Macinhata do Vouga, num encontro da Taça Distrital de Aveiro em que o resultado já não tinha consequências na classificação, mas que serviu às duas equipas como um importante teste competitivo antes do início dos respetivos campeonatos.
Num jogo praticamente de sentido único, a formação da casa apresentou-se claramente superior durante grande parte dos 90 minutos e construiu uma vitória que, perante o número de situações criadas, poderia mesmo ter atingido números mais expressivos.
O Macinhatense entrou determinado a assumir o jogo e rapidamente instalou-se no meio-campo adversário. Ainda assim, foi a FIDEC quem dispôs de uma das primeiras grandes oportunidades da partida. Contra a corrente do encontro, a formação visitante esteve perto de inaugurar o marcador, obrigando Pina a uma excelente intervenção.
O lance acabou por funcionar como aviso para a equipa da casa. Pouco depois, o Macinhatense chegou ao 1-0 e, embalado pelo golo, voltou a marcar, estabelecendo o 2-0 que se verificava ao intervalo.
Na segunda parte, o cenário pouco se alterou. O Macinhatense manteve maior posse, iniciativa e presença junto da área adversária, enquanto a FIDEC procurava resistir e encontrar espaços para sair em transição.
A superioridade da equipa de Macinhata do Vouga acabaria por traduzir-se em mais dois golos, fixando o resultado final em 4-0.
Apesar de alguns erros pontuais, a equipa de arbitragem realizou, globalmente, uma prestação positiva num encontro disputado sem grandes incidentes disciplinares.
No final, o treinador do Macinhatense, Nuno Lourenço, destacou sobretudo a exibição e a possibilidade de dar minutos aos vários elementos do plantel.
“A vitória nunca esteve em causa. Era mais pela exibição. Queríamos brindar os nossos adeptos com uma vitória e uma boa exibição e aproveitar para dar oportunidade a todos de jogar”, explicou.
Com a equipa já afastada da competição, o técnico aproveitou o encontro para continuar a trabalhar a identidade que pretende implementar.
“Queríamos consolidar os nossos processos, aquilo que temos vindo a trabalhar. Sabíamos que já estávamos fora da competição, mas tínhamos de honrar o clube. Foi isso que fizemos, trabalhando na construção desta nova identidade para esta época.”
O campeonato começa já no próximo domingo e coloca imediatamente o Macinhatense perante uma deslocação exigente ao terreno do Alba, formação despromovida na última temporada.
Nuno Lourenço não esconde as dificuldades esperadas.
“Vai ser um jogo muito difícil, contra uma equipa que desceu de divisão no ano passado e que está habituada a outro quadro competitivo. Vai trazer-nos muitas dificuldades.”
O plantel do Macinhatense sofreu várias alterações, mas o treinador acredita que existem agora condições para realizar uma época mais tranquila.
“O nosso objetivo é fazer o maior número de pontos o mais rapidamente possível para evitar as dificuldades de manutenção que tivemos no ano passado. Trouxemos jogadores que acreditamos que nos podem acrescentar e tornar mais fortes.”
Também Chinês, jogador do Macinhatense, considerou que a equipa cumpriu aquilo a que se propunha, sobretudo perante os adeptos naquele que foi o primeiro jogo oficial da temporada em casa.
“Sabíamos que era um jogo para cumprir calendário na Taça, mas queríamos mostrar aos nossos adeptos compromisso e atitude dentro de campo. Podíamos ter marcado mais, mas deu para todos mostrarem ao mister que estamos cá e que pode contar connosco.”
Questionado sobre uma eventual candidatura do Macinhatense aos lugares cimeiros, o jogador preferiu não assumir esse estatuto, mas deixou clara a ambição.
“Não vou dizer que somos candidatos assumidos. O Macinhatense é candidato a entrar em cada jogo para ganhar. Esse é o nosso principal objetivo, seja contra quem for, em casa ou fora.”
Para a deslocação ao Alba, Chinês espera dificuldades, mas acredita igualmente numa forte presença dos adeptos de Macinhata do Vouga.
“Vai ser um jogo difícil, mas também podem esperar um Macinhatense muito forte. Os nossos adeptos vão connosco para todo o lado e acredito que vamos fazer uma enchente em Albergaria.”
Do lado da FIDEC, o treinador António Vida reconheceu sem reservas a justiça do resultado, salientando que estes encontros estão a ser utilizados sobretudo para preparar uma equipa profundamente renovada para o campeonato da 2.ª Divisão Distrital.
“A vitória do Macinhatense é super justa. O Macinhatense conduziu o jogo como quis e marcou praticamente quando quis”, reconheceu.
Apesar do resultado, António Vida encontrou aspetos positivos, particularmente na fase inicial.
“Nos primeiros 20 minutos conseguimos estar mais ou menos equilibrados, embora o Macinhatense estivesse sempre por cima. Inclusive, penso que a primeira grande oportunidade foi nossa, com uma excelente intervenção do guarda-redes.”
O treinador assume que o principal objetivo passa por alterar o percurso das últimas temporadas.
“A FIDEC tem ficado em último nos últimos três anos. O nosso grande objetivo é trabalhar para conseguirmos ficar numa zona confortável, sensivelmente a meio da tabela.”
Para isso, o clube procurou construir um plantel onde a juventude possa crescer acompanhada por futebolistas mais experientes.
“Há ainda muita coisa a aprender e muitos miúdos. Conseguimos trazer alguns jogadores para dar experiência e alguma almofada a esses jovens. Vai ser preciso muito trabalho, mas acredito que podemos fazer uma época tranquila e melhor do que nos últimos anos.”
Uma das figuras da FIDEC foi Silvério, que, aos 52 anos, voltou a mostrar que a experiência continua a ser determinante dentro das quatro linhas.
António Vida destacou a prestação do veterano e a importância que assume junto dos elementos mais jovens.
“O Silvério esteve muito bem. Teve algumas intervenções de tirar o chapéu. É muito importante podermos contar com ele porque conhece o futebol por dentro e por fora e ajuda muito os mais novos, sobretudo no posicionamento, na forma de atacar a bola e de estar dentro da grande área.”
Também Diogo Anileiro, jogador da FIDEC, sublinhou que a equipa está ainda num processo de crescimento.
“Somos uma equipa totalmente remodelada. Temos gente com experiência e temos juventude, que está a ganhar maturidade com esses jogadores. Podemos fazer um bom campeonato, mas tudo vai depender de nós e da vontade de cada um.”
Para o jogador, apesar do 4-0, há razões para acreditar numa temporada diferente.
“Penso que vai ser melhor do que no ano passado e do que há dois anos. Acredito que podemos fazer um campeonato muito bom.”
A nota mais negativa do encontro aconteceu com Herlander, jogador da FIDEC, que necessitou de ser transportado de ambulância para o hospital devido a uma lesão na zona do ombro.
No final da partida ainda não existia um diagnóstico definitivo. António Vida revelou que havia suspeita de uma lesão com alguma gravidade, eventualmente uma fratura ou deslocação na zona do ombro, ficando a confirmação dependente da avaliação hospitalar.
A FIDEC terminou ainda o encontro com preocupação relativamente a outros dois jogadores, devido a problemas musculares.
Mais do que o resultado, o encontro serviu assim para deixar indicações sobre o momento das duas equipas. O Macinhatense fecha a participação na Taça com uma vitória convincente e sinais positivos antes da estreia no campeonato, enquanto a FIDEC continua a construção de uma equipa renovada, procurando deixar para trás as dificuldades das últimas temporadas.
No próximo domingo chega o primeiro grande teste aos objetivos traçados para a nova época. Para o Macinhatense, será no terreno do Alba, onde a equipa de Nuno Lourenço promete entrar com a mesma ideia que deixou no 1.º de Maio: jogar para conquistar os três pontos.