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Reportagem com 71 testemunhos faz acusações graves à equipa neerlandesa, que anunciou "investigação independente". O caso poderá ditar em definitivo a saída do World Tour
A invulgar falta de resultados e apatia dos ciclistas da Picnic-PostNL em provas como a recente Volta a Espanha parece estar explicada. Uma reportagem conjunta do canal NOS Sport e da plataforma "In De Waaier", que falou com 71 pessoas que trabalham ou trabalharam na equipa neerlandesa, revelou a existência de uma cultura do medo já com bastantes anos, mas que se terá intensificado. A história poderá originar a saída da formação do World Tour, pois embora as próximas despromoções, feitas a cada três anos, sejam em 2028, a Picnic estava em análise na União Ciclista Internacional, que tem de dar este mês o aval à sua continuidade.
A Picnic-Post NL, na estrada desde 2008, tem de momento 29 ciclistas na equipa principal, mais 17 na de formação e 15 na feminina, esta também com estatuto World Tour e sem qualquer triunfo este ano. A masculina, que por coincidência ficou esta quinta-feira na liderança da Tour de Guangxi, obteve na China o terceiro triunfo da época, primeiro na categoria máxima. Alguns ciclistas saíram a meio do ano, como Fabio Jakobsen, e o principal deles, Pavel Bittner, já tem contrato com a Pinarello-Q36.5, precisamente aquela que poderá render a Picnic no escalão máximo.
"Diziam que criava uma atmosfera negativa. Andava ansioso. Cheguei a pensar magoar-me", relatou Martijn Tusveld, ciclista que se retirou no final de 2024. "Perdi a cabeça", disse um dos entrevistados, com outro a afirmar que exista "uma forma de tirania" e um funcionário a revelar que se sentia "um polícia".
Marcel Kittel, sprinter já retirado e que até 2015 foi a maior estrela da equipa, também se pronunciou à NOS sobre o que leu: "Não é inesperado. Mas estou chocado por ser tão mau. Não me sentia em casa nessa equipa a partir de 2015 e saí. O resto guardo para mim".
A Picnic, dirigida por Iwan Spekenbrink, que recusou comentários, respondeu hoje em comunicado. "Não nos reconhecemos no panorama apresentado pelas publicações", lê-se, sendo anunciada uma "investigação independente sobre a nossa cultura de equipa".