Voltar
Pedro Proena tem em m ̄os a oportunidade de ficar recordado como um dos mais marcantes presidentes da histria da Federa ̄o Portuguesa de Futebol (FPF), aquele que, confrontado com a press ̄o daquilo que ← o edif■cio Cristiano Ronaldo, com tudo o que significa do ponto de vista desportivo, medi£tico e financeiro, soube colocar os interesses do coletivo acima dos v£rios interesses pessoais.
Ao inv←s, vamo-nos deparando com uma confrangedora falta de amor prprio. Perante um jogador que abandonou companheiros de equipa, treinador e toda uma na ̄o, o presidente ignora o processo que o seu prprio Conselho de Disciplina abriu e vai-se multiplicando em lamrios pblicos sobre o qu ̄o importante pensa ser o seu regresso ¢ sele ̄o nacional.
Mas afinal, por que (e a quem) Cristiano Ronaldo faz tanta falta? Olhando aos factos puros e duros, foi desde que abandonou o est£gio de Portugal que Jorge Jesus colocou a equipa a jogar o melhor futebol que a vimos praticar em largos anos, levando, inclusive, de vencidas as duas partidas teoricamente mais dif■ceis que tinha pela frente, na fase de grupos da Liga das Naes.
Cristiano Ronaldo marcou tr↑s golos nos nove ltimos jogos pela sele ̄o nacional (dois dos quais no famoso "I'm back", contra o Usbequist ̄o), aos quais acrescentou um cart ̄o vermelho. O seu substituto, Gonalo Ramos, marcou tr↑s golos nos tr↑s ltimos jogos, e, pelo meio, ainda fez uma assist↑ncia (a ltima de CR7 pela equipa das quinas foi em novembro de 2024).
Se Cristiano Ronaldo era o cerne de todos os problemas de Portugal? N ̄o. Se, sem ele, tudo est£ resolvido? N ̄o. Mas, pelo menos, foi neste per■odo que vimos, finalmente, aquilo de que esta sele ̄o ← capaz, quando se foca no coletivo e n ̄o em fazer passar todo e qualquer lance pelo capit ̄o. Este seria, sem dvida, um ativo valios■ssimo se bem gerido, mas sabemos bem que n ̄o est£ para a■ virado.
Se n ̄o ← o plano desportivo que origina tamanho clamor, restam, ent ̄o, o medi£tico e o financeiro. No primeiro, os resultados est ̄o ¢ vista, com a perda de milhares de seguidores, nas redes sociais, como se de uma trag←dia se tratasse. No segundo... o problema n ̄o ← nosso. A FPF ← uma institui ̄o privada, e por muito pouco dinheiro que faa sem Cristiano Ronaldo, ter£ de ser a prpria a adaptar-se ao tempo das vacas magras.
Ali£s, neste momento, n ̄o ser£ descabido constatar que Cristiano Ronaldo faz mais falta ¢ Ar£bia Saudita do que a Portugal. Se aquilo que continua a passar-se no M←dio Oriente ← tantas vezes ofuscado, muito o deve ao 'sportswashing', que o prprio preconiza, e se os olhos do mundo continuam a dirigirem-se para o futebol deste pa■s em concreto, n ̄o pode dever-se a mais ningu←m.
A partir do momento em que Cristiano Ronaldo optar por 'pendurar as chuteiras' ou, simplesmente, 'mudar de ares', a Ar£bia Saudita perder£ toda e qualquer relev¬ncia desportiva que possa ter, por muitos outros craques que l£ possam aterrar. E, a■ sim, justificar-se- ̄o os lamrios por uma figura cuja import¬ncia vai muito, mas muito al←m do que faz nas quatro linhas.
Ali£s, ¢ medida que o 1.000.ᄎ golo se aproxima, os receios do 'adeus' v ̄o-se adensando, e as consequ↑ncias j£ se fazem sentir. No futebol, com uma aposta cada vez menor do Estado, o investimento decresce, e a privatiza ̄o dever£ mesmo ser o caminho a seguir. Fora dele, por exemplo, a declara ̄o de fal↑ncia por parte da LIV Golf ← outro sinal de que, sem Cristiano Ronaldo, o futuro ser£ tudo menos sorridente.
O espao de opini ̄o de Carlos Pereira Fernandes, editor de Desporto do Not■cias ao Minuto. Em an£lise, est£ a queda vertiginosa dos legados de Cristiano Ronaldo e Pep Guardiola no espao de dias.