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As duas derrotas averbadas nas duas primeiras jornadas da Champions League constituem um cenário longínquo daquele que Francesco Farioli tinha idealizado para o regresso do FC Porto à prova milionária. Se, na primeira jornada, o desaire caseiro com o Manchester City não fugiu muito à norma, atendendo ao poderio do adversário, a derrota de anteontem ante o Betis deixou um sabor mais amargo no universo azul e branco. Não só pelas circunstâncias do resultado — reviravolta em cima de reviravolta —, mas também pela exibição do campeão nacional, desviada da imagem que tem vindo a ser cultivada dentro de portas: uma equipa pressionante, inteligente na gestão dos momentos do jogo e incisiva na hora de atacar.
Em Sevilha, depois de uma primeira parte pobre, Farioli tentou, ao intervalo, resgatar a versão habitual dos dragões. O treinador italiano pediu aos jogadores maior tranquilidade e paciência com a bola, de forma a que fosse o FC Porto a ditar a toada do jogo, evitando, em simultâneo, o cariz descontrolado e imprevisível que acabou por favorecer os anfitriões. Certo é que, nos primeiros 15 minutos do segundo tempo, os azuis e brancos estiveram por cima, período que o homem do leme portista quer ver replicado (e prolongado) na próxima terça-feira, em novo compromisso milionário, frente ao PSV Eindhoven, no Estádio do Dragão.
Num contexto de calendarização pouco habitual, o FC Porto joga duas vezes seguidas para a Champions, pelo que não haverá necessidade de mudar o chip. Contra o campeão neerlandês, a ideia é clara: entrar em campo de olhos postos no triunfo, mas sem perder de vista os princípios que caraterizam a equipa de Farioli — confiança com a bola nos pés, ponderação e frieza na tomada de decisão. Os dragões querem ter o controlo das operações diante de um opositor cuja média de posse de bola na presente edição da Champions é de 51% (49% no 1-1 com o Shakhtar e 53% no desaire com o Leipzig).
A partida da 3.ª jornada da fase de liga reveste-se, assim, de especial importância para o campeão nacional, não só pela necessidade de amealhar pontos, mas também por ser jogada em casa.
Vamos a factos e... números. Apesar de ainda estar a zeros na tabela classificativa, o FC Porto tem ainda seis jogos pela frente, ou seja, 18 pontos em disputa. Olhando para as fases de liga no atual formato, constatamos que, em 2024/25, o 24.º classificado (última posição de acesso ao play-off), no caso o Club Brugge, somou 11 pontos e registou uma diferença de golos negativa (-4). Já em 2025/26, a fasquia baixou: o última clube em lugar de apuramento foi o Benfica, com 9 pontos e saldo de dois golos negativos. Importa referir, ainda assim, que em ambas as tabelas houve equipas com 11 e 9 pontos que acabaram eliminadas.
Nesse sentido, a turma de Farioli sabe que a margem de manobra não é nula, mas também que os jogos em casa (PSV, Nápoles e Slavia de Praga) ganham peso adicional. Fora, o FC Porto terá pela frente o poderoso Liverpool, o Feyenoord, que anteontem bateu o Como em Roterdão (3-2), e o LASK. Os adeptos esperam uma resposta convincente já na terça-feira...
O FC Porto de Farioli é uma equipa que se sente confortável no momento defensivo, mesmo quando o adversário monta cerco à grande área, mas, na Champions — e tal como o italiano frisou após o jogo com o Betis —, conceder várias oportunidades costuma sair caro. Em termos de posse de bola, os dragões surgem na cauda da tabela (33.º lugar em 36) da presente edição da competição, com uma média de 43%.
Mas há outros dados estatísticos em que o campeão nacional apresente registos... tímidos. Em Sevilha, a quantidade de passes falhados pelos azuis e brancos saltou à vista: o FC Porto tem 82,5% de eficácia na circulação e são a sexta pior equipa neste item. Na hora de atirar à baliza, também há que melhorar. Os dragões ocupa o 33.º posto nos remates efetuados (16), sendo que apenas cinco foram enquadrados.
Nem tudo é mau: no plano defensivo, só sete equipas contam mais recuperações de bola do que o campeão nacional (82).