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Iúri Leitão conquistou, em Xangai, o seu segundo título mundial no omnium, repetindo o ouro de 2023, naquela que é a quarta medalha do português em Campeonatos do Mundo. Leitão junta ainda nova camisola do arco-íris ao título europeu na mesma prova, conquistado este ano.
O vice-campeão olímpico do omnium, em Paris 2024, confirmou o título mundial numa corrida por pontos em que teve grande oposição do belga Fabio Van den Bossche, que chegou a roubar por momentos uma liderança que o português agarrou desde a primeira prova. O minhoto seria capaz de responder aos ataques de Van den Bossche, controlando depois os restantes adversários até confirmar mais um título mundial.
A jornada do omnium, prova que junta quatro disciplinas do ciclismo de pista, começou da melhor forma para Iúri Leitão, o mais forte no scratch, onde deu uma volta à concorrência para arrebatar os primeiros 40 pontos. Na tempo race, Iúri foi 3º, atrás de Tim Torn Teutenberg e do espanhol Sebastian Mora Verdi. O ciclista de Viana do Castelo repetiu o 3º lugar na eliminação, onde Teutenberg foi segundo. Leitão partiu na frente para a última disciplina, com 6 pontos de vantagem para o alemão.
A corrida por pontos tudo pode mudar numa competição de omnium e Fabio Van den Bossche, que partia apenas em 4º para a derradeira etapa, mantinha-se como um perigo para a liderança até então descansada de Leitão.
E o belga foi mesmo o homem que agitou e partiu a corrida. Na 50ª das 100 voltas, e já depois do português recolher importantes pontos nos terceiros e quartos sprints, Van den Bossche atacou e ganhou uma volta ao pelotão, somando os 20 pontos da dobragem, mais cinco do sprint, saltando para a frente. Por momentos, Leitão pareceu desconectado, mas não demorou ele próprio a atacar e a dobrar também o pelotão, voltando à liderança.
Daí até final apenas precisou de controlar os esticões do belga, com Teutenberg e Henry Hobbs, 2º e 3º antes do arranque da corrida por pontos, a nunca conseguirem entrar na luta pelo ouro. Leitão foi primeiro, com 143 pontos, vitória apesar de tudo confortável para Van den Bossch, prata com 129. Teutenberg foi bronze com 115 pontos.
Normalmente sorridente, Iúri Leitão irrompeu em lágrimas depois de recuperar um título que já tinha sido seu. Para Portugal, os Campeonatos do Mundo de pista de Xangai já são históricos: são três as medalhas já conquistadas, algo inédito. Antes de Iúri Leitão, Maria Martins foi bronze no scratch e Miguel Salgueiro foi também 3º na corrida por pontos. No domingo, há nova oportunidade para a seleção nacional e para Iúri, que fará dupla com Ivo Oliveira no madison, disciplina em que Portugal é campeão olímpico, então com Leitão e o outro dos gémeos Oliveira, Rui.