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Os pequenos prodígios têm uma característica comum: parecem chegar demasiado cedo a lugares que, para a maioria, só se tornam acessíveis depois de muitos anos de aprendizagem. É precisamente esse o caso de uma jovem britânica de apenas 11 anos que acaba de alcançar um feito no xadrez. Mas quem é, afinal, Bodhana Sivanandan?
Bodhana Sivanandan tem 11 anos, frequenta a escola a tempo inteiro e, até há poucos anos, praticamente não sabia jogar xadrez. Agora, é a mais jovem jogadora de sempre a cumprir os requisitos para o título de Woman Grandmaster (WGM), a mais elevada distinção da FIDE exclusiva para mulheres.
O feito foi conseguido na 46.ª Olimpíada de Xadrez, disputada em Samarcanda, no Uzbequistão, onde Bodhana representou Inglaterra no primeiro tabuleiro — a posição destinada à jogadora mais bem classificada da equipa. Disputou as 11 rondas e terminou a competição com oito pontos.
Para chegar ao título, precisava de três normas de WGM, ou seja, desempenhos em torneios que cumprem os critérios definidos pela Federação Internacional de Xadrez. A terceira e última chegou agora, em Samarcanda. Com este feito, ultrapassou Kateryna Lagno, que alcançou o título aos 12 anos.
A história de Bodhana poderia começar num grande clube de xadrez, com um treinador especializado ou numa família apaixonada pela modalidade. Não foi isso que aconteceu.
Durante o confinamento provocado pela pandemia da COVID-19, encontrou um tabuleiro de xadrez dentro de um saco que um amigo do pai, Siva, estava prestes a levar consigo. A jovem interessou-se inicialmente pelas peças e queria utilizá-las como brinquedos. Foi o pai que lhe explicou que podia jogar com elas. A partir daí, começou a aprender sozinha, recorrendo também a tutoriais no YouTube.
O primeiro torneio surgiu em julho de 2021, no Harrow Chess Club, em Londres. Pouco tempo depois, a progressão tornou-se vertiginosa.
Em 2022, aos 7 anos, participou no Campeonato Europeu Escolar e venceu todas as 24 partidas que disputou. No ano seguinte, tornou-se a pessoa mais jovem conhecida a evitar uma derrota frente a um Grande Mestre numa partida competitiva, durante os Campeonatos Europeus de Rápidas e Blitz, na Croácia.
Em 2024, com 9 anos, foi convocada para representar Inglaterra na Olimpíada de Xadrez de Budapeste. Segundo a Federação Inglesa de Xadrez, essa convocatória fez dela a pessoa mais jovem a representar Inglaterra internacionalmente em qualquer modalidade desportiva.
Aos 10 anos, começou a derrotar Grandes Mestres, como Peter Wells no Campeonato Britânico de 2025, em Liverpool, e o Grande Mestre Marc'Andria Maurizzi no Open de Dole, em França.
Apesar de viajar para competições internacionais e de enfrentar algumas das melhores jogadoras do mundo, Bodhana continua a frequentar a escola a tempo inteiro e não encara necessariamente as duas atividades como mundos separados.
"Gosto de tudo [no xadrez] e gosto de viajar e, como também frequento a escola a tempo inteiro, isso liga-se a muitas disciplinas escolares, por isso também é muito útil nesse aspeto", explicou à Federação Internacional de Xadrez (FIDE), numa entrevista realizada depois da competição e citada pela BBC.
Por agora, a própria jovem parece preferir não transformar o futuro numa lista de metas. Continua a estudar, a viajar, a jogar e a tentar melhorar. Mais ainda...
É que apesar do último feito na 46.ª Olimpíada de Xadrez, a reação de Bodhana não é a de quem considera ter chegado ao destino. "Estou feliz por o ter conseguido, mas quero continuar e continuar a fazer história, em vez de simplesmente ficar por aqui".
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Começou por escrever músicas na infância a achar que um dia seria artista e acabou a escrever notícias sobre o mundo e agora sobre tendências.
O Lifestyle é o que a fascina, pelo modo como inspira e move o mundo a fazer e a ser melhor. Ser melhor é também o que sempre ambiciona, seja a escrever sobre uma passerelle, seja a tirar o café a que nunca resiste ou a servir um dos seus vinhos a amigos.
Esteve a um passo de ser nutricionista, mas a vida encaminhou-a para o jornalismo e por alguma razão terá sido. Mas de alguma forma ambas as áreas estão unidas: afinal, não é a escrita que nos nutre o pensamento?