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A televisão estatal chinesa CCTV suspendeu as transmissões de jogos da Liga espanhola de futebol, numa decisão que surge após a polémica em torno de Kylian Mbappé e de uma imagem humorística que compara o avançado do Real Madrid a Mao Zedong. A medida, que entrou em vigor na segunda-feira, inclui também a retirada de anúncios e vídeos protagonizados pelo internacional francês.
Segundo o jornal chinês The Paper, que cita fontes ligadas à estação pública, a suspensão das transmissões coincide com uma série de decisões de empresas chinesas que anunciaram o fim das suas parcerias comerciais com o futebolista.
Entre as marcas que romperam relações com Mbappé estão o grupo de bebidas Dongpeng Beverage Group e as empresas de laticínios Mengniu e Milkground. As três companhias comunicaram o fim da colaboração com o jogador, manifestando oposição a comportamentos que consideram ofensivos para os sentimentos nacionais chineses.
A decisão da CCTV representa um novo desenvolvimento na polémica que envolve o avançado francês e a sua presença comercial no mercado chinês.
De acordo com o The Paper, a suspensão começou na noite de segunda-feira e abrange não só a transmissão de jogos do campeonato espanhol, mas também a retirada de conteúdos publicitários associados a Mbappé.
A medida surge numa altura em que várias marcas chinesas estão a rever as relações comerciais com o jogador do Real Madrid, na sequência de declarações sobre um meme que se tornou popular nas redes sociais.
A Dongpeng Beverage Group anunciou a rutura imediata da parceria com o futebolista através de comunicados publicados na rede social chinesa Weibo, tanto na conta oficial da empresa como na da marca Bu Shui La.
A empresa invocou uma política de "tolerância zero perante comportamentos que firam os sentimentos nacionais", sem identificar diretamente o episódio que motivou a decisão.
A Mengniu e a Milkground também confirmaram o fim dos respetivos acordos comerciais com Mbappé. Contudo, nenhuma das empresas especificou nos comunicados o incidente concreto que esteve na origem da rutura.
Nos últimos meses, a imagem do avançado francês tinha marcado campanhas publicitárias da Bu Shui La em várias cidades chinesas, com anúncios em paragens de autocarro, veículos de transporte público e elevadores, sobretudo durante o Mundial de futebol de 2026.
A Mengniu, um dos principais grupos de laticínios da China, tem uma presença relevante no patrocínio desportivo internacional, com acordos associados ao Mundial e ao Comité Olímpico Internacional (COI), além de uma ligação comercial ao futebolista argentino Lionel Messi. A Milkground também utilizava a imagem de Mbappé nas suas campanhas publicitárias.
A plataforma chinesa Xiaohongshu, conhecida internacionalmente como RedNote, anunciou igualmente alterações relacionadas com a presença do jogador nos seus conteúdos.
Segundo a informação divulgada, a colaboração com Mbappé terminou a 31 de dezembro de 2024, com o fim do contrato. A plataforma informou ainda que está a rever e a retirar conteúdos relacionados com o avançado francês.
A controvérsia teve origem numa entrevista recente, durante a qual Mbappé foi questionado sobre a sua imagem humorística favorita na Internet, habitualmente conhecida como meme.
"Aquela com que mais me ri foi uma em que usam a minha cara num ditador chinês. Uso-a muito com os meus amigos", afirmou o futebolista.
Embora o internacional francês não tenha identificado qualquer dirigente, a declaração surgiu num contexto em que circula nas redes sociais uma montagem que sobrepõe o seu rosto ao retrato de Mao Zedong, fundador da República Popular da China.
A imagem tornou-se popular nos últimos meses, sendo utilizada por adeptos para satirizar o avançado do Real Madrid.
Na China, conteúdos satíricos dirigidos a antigos líderes e figuras históricas associadas ao Partido Comunista Chinês (PCC) podem ter consequências legais ao abrigo da legislação que criminaliza a "difamação de heróis e mártires". O controlo dos conteúdos políticos nas redes sociais torna estas referências particularmente sensíveis.
A suspensão das transmissões da Liga espanhola surge após outros episódios que envolveram clubes espanhóis e provocaram críticas na China.
Em setembro, órgãos de comunicação social oficiais chineses criticaram o Real Madrid depois de o clube publicar uma mensagem que mencionava conjuntamente o Nepal e a região chinesa do Tibete, na sequência de inundações. A formulação foi considerada "incorreta" pela imprensa local, por colocar os dois territórios no mesmo plano.
Em abril, o Barcelona pediu desculpa após a divulgação de uma imagem com a bandeira de Taiwan numa página associada à sua academia internacional.
Já em fevereiro, o Real Madrid divulgou um pedido de desculpas atribuído ao defesa Dean Huijsen, depois de o jogador ter republicado no Instagram um conteúdo considerado racista e ofensivo para os cidadãos asiáticos.
A suspensão das transmissões televisivas e o fim de várias parcerias comerciais acrescentam um novo capítulo às tensões em torno da presença do futebol espanhol no mercado chinês, agora com Kylian Mbappé no centro da controvérsia.