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-"Durante estes 12 anos, tudo mudou. A forma como estamos neste desporto mudou, a maneira como lideramos. O contexto é diferente. Como treinador, penso que o aspeto mais importante é criar uma cultura na qual as jogadoras se sintam o mais confortáveis possível para terem o melhor desenvolvimento possível no campo. A chave de uma boa liderança é criar um ambiente que retire o melhor das pessoas. Primeiro, é preciso conhecer bem as pessoas, todas são diferentes. Existem algumas regras e alguns valores que são importantes para todos, mas temos de perceber as pessoas por trás das jogadoras, é muito importante para nós."
-"Não é fácil estar 12 anos no mesmo projeto, por vezes com as mesmas jogadoras. Temos de entender que algumas coisas precisam de mudar. Ou mudas o treinador, e eu não quero ser despedido, ou mudas as jogadoras, e eu não as quero mudar, porque gosto delas, e não temos muitas jogadoras. Em todos os ciclos, tento trazer novas pessoas para a minha equipa técnica, com ideias frescas. Mudei a forma como comuniquei com as jogadoras ao longo destes 12 anos. Também mudámos a forma como jogamos, o desenvolvimento das jogadoras permitiu essa transformação. Há 12 anos, não podíamos fazer um jogo de posse de bola. Da última vez que defrontei a Montse Tomé, perdemos por 5-0. Foi uma derrota importante para nos fazer refletir que não estamos no ponto no qual queremos estar. Há 12 anos, não tínhamos pressão, agora temos, quer dizer que evoluímos. Estamos orgulhosos da pressão, estamos a crescer no nosso jogo. A pressão extra também vem do nível da seleção masculina, as pessoas não perceber por que razão não estamos ao mesmo nível, o que traz mais pressão, mas gostamos dessa pressão. Há 12 anos, ninguém acreditava que Portugal estaria no Mundial. Agora não há impossíveis. Todas as miúdas em Portugal podem acreditar que podem jogar futebol profissional em Portugal. Se vierem às seleções, vão lutar para ir ao Europeu e ao Mundial, é a pressão que queremos."
-"Numa seleção nacional, chegamos a passar 10, 20 ou até 40 dias juntas. Temos de criar uma boa energia, um ambiente competitivo, uma cultura profissional. Os membros da equipa técnica têm de perceber os seus papéis, e colocar as jogadoras no centro de tudo. Quando o staff tem os seus objetivos alinhados, damos às jogadoras o melhor ambiente possível."
-"Ainda bem que não estou envolvida no lado mais desportivo, é um trabalho duro, com pressão por resultados. Um treinador pode perder o trabalho rapidamente se não mostrar resultados. Estar fora do campo é mais fácil. Mas é importante equilibrar as emoções, temos de ter uma visão de futuro, temos de dar à equipa técnica e às jogadoras todas as condições de que precisam. Temos de ser a pessoa mais calma. Temos uma grande responsabilidade ao trabalhar nesta indústria, temos de liderar, temos de ser exemplos para as pessoas."