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A última vez que um carro de Fórmula 1 recebeu a bandeirada numa corrida africana foi em 14 de março de 1993, no circuito de Kyalami, na África do Sul. Alain Prost venceu, e a categoria nunca mais voltou ao continente. Nesta terça-feira (13), a F1 e a FIA, a federação internacional do automobilismo, anunciaram o fim desse intervalo de 33 anos: Ruanda vai receber o Grande Prêmio da África a partir do início dos anos 2030, com contrato de 10 anos.
A corrida terá o nome oficial de African Grand Prix e será apresentada pela Visit Rwanda, a marca de turismo do governo ruandês. Ela vai acontecer num circuito que ainda não existe. A pista será construída em Bugesera, cerca de 40 km ao sul da capital, Kigali, ao lado do novo aeroporto internacional do país. O projeto já recebeu da FIA o Grau 1, a classificação exigida para uma pista receber a Fórmula 1.
Por isso ainda não há data. A primeira largada depende da conclusão da obra, e a F1 informou que o calendário, o traçado definitivo e a programação do fim de semana serão divulgados mais tarde.
Ruanda é conhecido como o país das mil colinas, e o circuito vai aproveitar esse relevo, com subidas e descidas fortes ao longo da volta. O desenho está a cargo da WurzDesign, empresa do ex-piloto austríaco Alexander Wurz, e do escritório alemão Tilke, que assina pistas como a de Sepang, na Malásia.
A pista faz parte de um complexo maior, liderado pelo Rwanda Development Board, a agência de desenvolvimento do governo. A ideia é que o local receba também outras competições, grandes eventos e conferências ao longo do ano, e não fique parado entre uma corrida e outra.
Com Ruanda, a Fórmula 1 passa a correr em todos os continentes habitados. O presidente e diretor-executivo da categoria, Stefano Domenicali, chamou o acordo de um marco para a F1. O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, afirmou que a volta à África é um momento histórico para o esporte.
“Hoje pertence à África. Há mais de três décadas, o principal campeonato de automobilismo do mundo corre sem este continente, e isso muda com este acordo”, afirmou o presidente de Ruanda, Paul Kagame.
A conta comercial também pesa. Segundo a F1, mais de 100 milhões de pessoas acompanham a categoria no continente, e quase 60% dos fãs nos principais mercados da África Subsaariana, os países ao sul do deserto do Saara, têm menos de 35 anos. Ruanda tem 14,6 milhões de habitantes.
Kagame lançou a candidatura em dezembro de 2024, quando Kigali recebeu a assembleia geral e a cerimônia de premiação anual da FIA. No ano seguinte, a capital sediou o Mundial de Ciclismo de Estrada, o primeiro realizado na África. Os grandes eventos esportivos fazem parte da estratégia do governo para atrair turismo e investimento. Organizações de direitos humanos acusam o país de usar o esporte para melhorar a própria imagem enquanto silencia críticos, acusação que o governo nega.
A corrida não tem ligação direta com Mato Grosso do Sul. Ruanda, porém, já apareceu no noticiário do Estado em outras áreas: em julho, a UFMS assinou acordo de cooperação com uma universidade ruandesa, e em agosto dirigentes do agronegócio sul-mato-grossense se reuniram em Brasília com representantes diplomáticos de Ruanda, da China e do Vietnã.
Ficha da corrida O que já se sabe sobre o GP em Ruanda
Nome oficialAfrican Grand Prix (Grande Prêmio da África), presented by Visit Rwanda
LocalBugesera, cerca de 40 km ao sul de Kigali, ao lado do novo aeroporto internacional
Contrato10 anos
Primeira corridaInício dos anos 2030. A data depende do fim da obra
CircuitoNovo, projeto aprovado no Grau 1 da FIA. Traçado final ainda em desenvolvimento
ProjetistasWurzDesign, de Alexander Wurz, e Tilke Engineers and Architects
1958: Marrocos, em Ain-Diab, perto de Casablanca. Única corrida do Mundial fora da África do Sul.
1962 a 1965: África do Sul, em East London.
1967 a 1985: África do Sul, em Kyalami.
1992 e 1993: Kyalami de novo. A prova de 14 de março de 1993, vencida por Alain Prost, foi a última da categoria no continente.
Grau 1 da FIA: a classificação mais alta que a federação dá a um circuito. Só pistas com esse selo podem receber a Fórmula 1.
Visit Rwanda: a marca de turismo do governo ruandês, que dá nome à corrida.
Rwanda Development Board: agência do governo de Ruanda que lidera o projeto do circuito e do complexo ao redor.
África Subsaariana: os países africanos ao sul do deserto do Saara.
Com informações da FIA e da Fórmula 1. Calendário, traçado definitivo e programação do fim de semana ainda não foram divulgados.