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PARTE I - "Jorge Costa - O Capitão" estreia esta sexta-feira nas plataformas do FC Porto, mas O JOGO antecipa alguns dos testemunhos em exclusivo. Com imagens inéditas, a série de quatro episódios condensa mais de 50 entrevistas sobre figuras que marcaram a vida do "Bicho", mostrando momentos inéditos da etapa particular e desportiva.
O documentário "Jorge Costa - O Capitão", sobre a vida do malogrado defesa, estreia esta sexta-feira nas plataformas do FC Porto, com a divulgação dos primeiros dois de quatro episódios no canal de YouTube do clube às 14h02, hora simbólica em referência ao número de camisola que o Bicho usou.
Com imagens inéditas e testemunhos exclusivos, o documentário condensa mais de 50 entrevistas a figuras que marcaram a vida do eterno defesa e dirigente portista, mostrando momentos particulares e da cena desportiva que não tinham ainda sido publicados. O JOGO teve acesso a alguns desses depoimentos, de figuras como Gianni Infantino, André Villas-Boas, Pedro Proença, Luís Montenegro [para ler nesta Parte I], Costinha (conta como foi praxado pelo antigo central), Quaresma (recorda um jantar em casa do Bicho), Antero Henrique, Domingos Paciência, Hélder Postiga e Sérgio Conceição, que não conseguiu conter as lágrimas ao recordar o amigo que perdeu de forma trágica e súbita a 5 de agosto de 2025. "Apesar de falar com ele, houve aí uma pequena chatice, uma coisa insignificante, pensava eu, mas que não podia ter acontecido entre dois irmãos, porque nós éramos dois irmãos."
O documentário, que também vai ser exibido no Porto Canal no fim de semana, foi produzido de raiz pelos meios internos do FC Porto, numa homenagem a uma das suas figuras históricas, na sequência das recordações a "José Maria Pedroto - Um Homem Superior" e "Fernando Gomes: Nascido para Marcar".
"Recordo conversas antes de ele assumir o cargo de treinador do Aves, nas quais falámos muito do FC Porto e nas quais o Jorge tinha sobretudo dúvidas se poderia ser útil. Dúvidas que eu rapidamente desfiz e que lhe disse que ele não só tinha as competências humanas certas, de valências que são dele, pessoais, aquela nobreza de caráter e a forma como lidera pelo exemplo, mas também as competências profissionais do ponto de vista técnico, por ser um profissional exemplar, treinador, conhecedor de balneários, conhecedor de jogadores e de alguém que, sendo jogador, fez a transição para treinador e aplicou com sucesso o seu método em diferentes países, em diferentes culturas. Sempre com reconhecimento".
"Recordo-me sempre de um célebre jogo, na primeira época a sério do José Mourinho no FC Porto, num FC Porto-Belenenses, em que, aos 88 minutos, eu marco uma grande penalidade contra o FC Porto, cometida pelo Jorge Costa. Ele dizia: "Oh, Pedro, tu tens coragem? Tu tens coragem de marcar isto?" E eu disse: "Jorge, tanto tenho coragem que marquei". Tínhamos uma relação de muita empatia, de muito respeito, porque o Jorge era uma pessoa que respeitava muito o próximo, embora, pela sua imagem, parecesse que virava o mundo ao contrário, mas era um homem muito respeitador".
"Guardo dele uma simpatia enorme, um afeto no contacto com as pessoas e depois uma garra quase indescritível, que contagiava tudo e todos, em particular os colegas. Depois, como adepto que também sou do FC Porto, lembro aquele carisma de uma liderança que é feita pelo esforço. O Jorge Costa nunca foi conhecido por ser muito tecnicista, por ser aquele atleta indiscutível do ponto de vista técnico. Ele era indiscutível do ponto de vista da vontade. E o adepto gosta de líderes, gosta daqueles que, no momento de dificuldade, puxam pelos outros. Gosta daqueles que, quando veem um colega a tombar, não contribuem para calcar o colega: levantam-no e mandam-no para a frente".
"Jorge Costa foi, claro, um jogador incrível, uma grande pessoa, mas sobretudo um fantástico líder. Todos nos lembrámos do Jorge Costa, no seu tempo no FC Porto, a vencer a Champions League, a Taça UEFA, a Taça Intercontinental, a jogar também pela seleção nacional, e a envergar a braçadeira de capitão em campo. Mas ele não usou apenas a braçadeira, ela tornou-se parte dele".