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Jogador do Deportivo da Corunha voltou à escola para dar exemplo ao filho: "Deixei a vergonha de lado"
José Maria Giménez, com a camisola do Deportivo da Corunha
José Maria Giménez, com a camisola do Deportivo da Corunha

José María Giménez, internacional uruguaio, em programa escolar

O futebolista José María Giménez, de 31 anos, que esta temporada trocou o Atlético de Madrid pelo Deportivo da Corunha, voltou à escola para dar um bom exemplo ao filho.

Em entrevista à Mutual Uruguaya de Futbolistas Profesionales (MUFP), o internacional uruguaio, que deixou a escola aos 17 anos para se dedicar exclusivamente ao futebol, e além de estar a pensar no pós-carreira e no filho, também explicou como voltar a estudar o pode ajudar a lidar com um diagnóstico de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade).

"Estou a frequentar o curso do ensino secundário, organizado pela Mutual, para poder concluir o ensino secundário e, assim que me formar, poder seguir outra licenciatura. A verdade é que deixei a vergonha de lado. Disse: 'Quero aprender, quero merecê-lo'. Quando dizes: 'Não tenho nada a perder e tenho muito a ganhar', estás a dizer: 'Vale a pena fazer o esforço'. E, acima de tudo, também pelo exemplo que dou às crianças. Muitas vezes, quando vão dormir, perguntam-me: 'Papá, vais deitar-te?' Não, estou a estudar. E, claro, a diferença horária faz com que eu estude à meia-noite, hora de Espanha. O meu filho pergunta-me: 'Papá, porque é que queres estudar nesta idade?' Nunca, nunca é tarde para estudar. Nunca é tarde para te formares, realizares o teu sonho e dizeres: Caramba, formei-me", contou.

A decisão de deixar a escola quando era adolescente deveu-se á gravidez da irmã, para poder ajudar a família: "A minha irmã engravidou e eu decidi deixar o futebol para começar a trabalhar. Precisava de ajudar a minha família por causa das rendas. Ter um filho não é fácil. Graças a Deus, comíamos todos os dias, mas, na verdade, não nos sobrava nada. Liguei ao meu agente e amigo, eles vieram a minha casa, sentaram-se comigo e disseram-me: 'Não, não vais deixar o futebol, vamos ajudar-te.' Obviamente, agradeci-lhes. Continuei no futebol, mas a partir daí já não me concentrei nos estudos, é a realidade. Depois, assinei um contrato com o Danubio e foi aí que a nossa situação mudou", explicou.

José María Giménez falou ainda do transtorno que sofre: "Sou uma pessoa que tem TDAH, fui diagnosticado há pouco tempo. Tudo me custou muito mais esforço, sobretudo no que diz respeito ao comportamento. A nível dos estudos, sempre me saí relativamente bem, mas a nível comportamental isso prejudicava-me imenso. Pobres professoras que tiveram de lidar comigo, não é? Mas enfim, peço desculpa, porque era uma criança cuja cabeça funcionava a mil à hora. Tenho um filho com TDAH. O diagnóstico foi feito ao mesmo tempo que o meu e ele tem oito anos. Quando me dizem que é hereditário, começo a chorar, sobretudo porque, durante oito anos, não compreendia o que se passava. Pensava que ele não me dava ouvidos, que não se importava com nada. Ou seja, era do tipo: 'Meu, estou a falar contigo, respeita-me, não te comportes assim'. E a verdade é que era a cabeça dele que funcionava assim. Quando tive de lhe explicar isto, disse-lhe: 'És especial, tal como o pai. Temos de tomar um comprimido todas as manhãs e temos de tentar concentrar-nos e manter a calma'."

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