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Jovem que nasceu sem um antebraço sonha em ser goleira e encontra no futebol força para superar o medo

Aos 15 anos, Iasmim Ferreira enfrenta a insegurança e sonha em ser goleira. Aluna de projeto social em Pernambuco, ela encontrou no futebol um caminho para desenvolver autonomia e confiança.

Resumo
A jovem pernambucana Iasmim Ferreira, de 15 anos, superou o medo do preconceito por ter nascido sem um antebraço e encontrou no futebol a força para perseguir o sonho de ser goleira. Apoiada pela equipe multidisciplinar do Instituto Geração 4, em Jucati, a adolescente transformou a timidez inicial em autoconfiança e inclusão, provando o poder do esporte e inspirando outras pessoas a acreditarem no próprio potencial e não desistirem de seus objetivos diante das limitações físicas.

O sonho de ser goleira pode parecer comum para quem cresce apaixonado por futebol. Para Iasmim Ferreira, de 15 anos, porém, compartilhar esse desejo exigiu enfrentar um medo que ia além dos desafios dentro de campo: a possibilidade de sofrer preconceito por ter nascido sem um antebraço.

Iasmim Ferreira, sonha em ser goleira de futebol.
Iasmim Ferreira, sonha em ser goleira de futebol.

Moradora de Jucati, no Agreste de Pernambuco, a adolescente encontrou no futebol um espaço para descobrir novas possibilidades, fortalecer a confiança e perceber que sua condição física não precisa definir os limites de seus sonhos. Aluna do Instituto Geração 4 no município, ela vem construindo uma relação diferente com o esporte e consigo mesma, em uma trajetória marcada por acolhimento, incentivo e coragem para tentar.

A mudança não aconteceu de uma hora para outra. Quando começou a frequentar as atividades do projeto, Iasmim demonstrava timidez e insegurança. Durante os treinos, costumava ficar de braços cruzados e participava das atividades de maneira reservada. Com o passar do tempo, a equipe começou a perceber sinais de transformação: mais sorrisos, maior comunicação e uma participação cada vez mais ativa.

Foi nesse processo que surgiu um dos momentos mais importantes de sua história. Iasmim procurou o professor Charles Gabriel para contar que queria ser goleira. Junto com o sonho, revelou também o receio de que outras pessoas zombassem dela por causa de sua condição física.

O medo de sofrer preconceito não apagou o sonho

A preocupação de Iasmim expõe uma realidade enfrentada por muitas crianças e adolescentes com deficiência: o medo de não serem aceitos, de se tornarem alvo de comentários ou de terem suas capacidades questionadas antes mesmo de uma tentativa.

No caso da jovem pernambucana, a possibilidade de sofrer bullying poderia transformar o desejo de defender o gol em mais uma fonte de insegurança. A resposta recebida no projeto, no entanto, foi de incentivo. Em vez de desestimular a escolha, a equipe procurou reforçar a importância do respeito, do acolhimento e da oportunidade de experimentar a posição.

"Iasmim é uma menina nota dez, que tem muita força de vontade e nos ensina muito todos os dias. Quando ela disse que queria ser goleira, ficamos surpresos, mas entendemos que nosso papel era apoiá-la e dar a ela a oportunidade de tentar. É muito bom acompanhar seu desenvolvimento e tê-la conosco. Só temos a agradecer por fazer parte dessa história", afirma Charles Gabriel, professor da adolescente.

O relato ajuda a compreender a importância de um ambiente em que crianças e adolescentes possam manifestar suas vontades sem que o medo da rejeição determine suas escolhas. Mais do que incentivar a prática esportiva, o trabalho passa por oferecer condições para que Iasmim participe, experimente suas habilidades e construa sua própria relação com o futebol.

Futebol como caminho para a confiança e a autonomia

O desenvolvimento da adolescente também conta com o acompanhamento de psicólogos e de uma equipe multidisciplinar do Instituto Geração 4. O suporte integra as atividades esportivas e busca ajudá-la a lidar com inseguranças, fortalecer a autonomia e ampliar sua participação no cotidiano do projeto.

A trajetória de Iasmim mostra que a inclusão não se resume à presença de uma pessoa com deficiência em determinado espaço. Ela também envolve escuta, respeito às escolhas individuais e condições para que cada participante possa desenvolver suas capacidades sem ser reduzido às suas limitações físicas.

Para Fernando DDI, campeão mundial de futebol de areia pela Seleção Brasileira e fundador do Instituto Geração 4, acompanhar a evolução da jovem é motivo de orgulho.

"É motivo de muito orgulho ter Iasmim como nossa aluna e acompanhar tudo o que ela vem conquistando. Ela tem superado desafios, desenvolvido sua confiança e mostrado, na prática, o poder transformador do esporte. O nosso papel é garantir que cada criança tenha oportunidades, seja acolhida e respeitada, independentemente de sua condição física. Essa história reforça que a inclusão acontece quando oferecemos oportunidades para que cada pessoa desenvolva suas potencialidades", afirma.

Aos 15 anos, Iasmim deixa uma mensagem para quem tem medo de tentar

A história da adolescente não se resume ao desafio de atuar como goleira. Ela também revela uma mudança na maneira de encarar a própria imagem e as possibilidades que se apresentam. Se antes a vergonha e a insegurança dificultavam sua participação, hoje Iasmim consegue falar sobre o que viveu e compartilhar uma mensagem com outras pessoas que também enfrentam receios para perseguir seus objetivos.

A jovem reconhece que já sentiu vergonha, mas afirma que esse sentimento perdeu força ao longo de sua experiência no projeto. Sua fala não apaga as dificuldades nem garante que o preconceito deixe de existir. Ela mostra, porém, como o incentivo e a oportunidade de participar podem ajudar alguém a encontrar coragem para dar novos passos.

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