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GP de São Paulo de F1 revela troféu da edição de 2026

Confeccionada com alta tecnologia, peça de titânio puro traz referências esportivas, culturais e até geográficas

Troféu do GP de São Paulo de F1 de 2026

Foto de: Divulgacao

Os pilotos que subirem ao pódio da edição de 2026 do GP de São Paulo de Fórmula 1 vão receber em mãos uma das peças mais sofisticadas já elaboradas especialmente para uma prova da categoria. O troféu deste ano foi confeccionado com uma tecnologia inovadora, chamada Fusão Seletiva a Laser, e foi inspirado no som do motor dos carros do Campeonato Mundial, além de contar com diversas referências esportivas, culturais e até geográficas.

Feita de titânio, a peça é inspirada num coletor de escapamento de um motor V10, que marcou a história da F1 pelo seu poderoso som. Cinco tubos se juntam num contorno só em meio a curvas que remetem ao autódromo de Interlagos e à história do automobilismo brasileiro. Na extremidade superior, o troféu mostra a famosa curva “S do Senna”. De outro ângulo, a “onda” da peça parece o movimento da bandeirada final de uma corrida.

As curvas dos tubos também lembram uma nota musical, tanto em referência ao som do ronco dos motores quanto à música brasileira, famosa mundialmente pelos seus ritmos e vibração. É possível perceber ainda, observando o troféu de frente, a silhueta do mapa do Brasil, com o contorno da costa. E as zebras da pista “surgem” na base da peça.

“Conforme vemos por outros ângulos, o troféu vai contando uma nova narrativa. Olhando de cima, fazemos uma homenagem à curva mais icônica de Interlagos, que é o ‘S do Senna’. Temos a representação da topografia que vemos pela TV, que é uma descida. Quando a gente vira do outro lado, a peça se assemelha a uma bandeira tremulando, a bandeira da vitória”, afirmou o designer Fábio Castellotti, um dos três responsáveis pelo projeto.

O troféu, também concebido por Fernando Lambiasi e Gabriel Scholab, mistura referências do automobilismo com a música e a própria cidade de São Paulo.

“As linhas se resolvem de forma anti-horária, que tem tudo a ver com Interlagos, um dos raros circuitos com traçado anti-horário. E também temos menção ao ‘S’ e ao ‘P’, iniciais da cidade de São Paulo”, explicou Castellotti.

“Os cinco coletores do escapamento também representam as cinco linhas de uma partitura musical. Explorando por outros ângulos, vira uma colcheia, que é uma nota musical. É uma homenagem à ‘música’ feita pelos carros com motores V10".

A peça foi pensada para permitir diversas interpretações a partir dos seus traços. “As pessoas podem ver diversos desenhos, como uma mão ou fibras musculares a partir da base”, afirmou Castellotti. “É um troféu cheio de easter eggs”, diz o designer, ao mencionar a expressão que significa um tipo de mensagem ou referência oculta num objeto ou num filme, por exemplo. 

Alta tecnologia

A elaboração do troféu contou com a participação de um estúdio de design, o Secret Weapon, e por uma fábrica conhecida pelo pioneirismo tecnológico, a BTOMEC Ferramentaria e Usinagem de Precisão. 

O complexo processo de criação, confecção e finalização durou dez meses e juntou a tecnologia de ponta com o trabalho artesanal em uma dobradinha entre São Paulo e Joinville (SC), sede da BTOMEC. O troféu de 2026 foi produzido a partir de pó de titânio, num delicado e elaborado procedimento de fusão, chamado de “Selective Laser Melting” (SLM) ou “Fusão Seletiva a Laser”. 

Na prática, trata-se de um tipo de impressão 3D em metal a partir de um laser de alta potência para fundir completamente o pó metálico, como o titânio, camada por camada. No caso do troféu do GP de São Paulo de F1, foram mais de 20 mil camadas, de baixo para cima. As peças se tornam densas e resistentes. E tudo isso dentro de um forno onde a temperatura supera os 2.000° C.

“É um processo que leva 190 horas [quase oito dias] para fazer apenas uma peça. Depois há um processo de trabalho artesanal para o acabamento final, que leva mais ou menos 500 horas também por troféu”, explica Castellotti.

A tecnologia SLM é novidade até para os engenheiros da indústria. Para se ter uma ideia, a primeira máquina de SLM surgiu no Brasil em janeiro de 2026. Foi a segunda das Américas. A primeira pertencia à famosa Boeing, que fabrica aviões, nos Estados Unidos.

Somente o custo da máquina de SLM é de 3 milhões de dólares (cerca de R$ 15 milhões). No total, os troféus foram produzidos por um maquinário que alcança R$ 60 milhões, todos pertencentes à BTOMEC, empresa que trabalha há mais de 40 anos na fabricação de moldes para os mercados nacional e internacional.

O troféu do primeiro colocado pesa 5,7kg e tem 55cm de altura, 22,5cm de largura e 24,3cm de profundidade.

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