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Resumo
Após rescindir com o Alverca B, de Portugal, o goleiro brasileiro Mateus Mendes, revelado pelo Palmeiras, denunciou ter sofrido ofensas racistas e xenófobas em jogo contra o FC Oliveira do Hospital. Em resposta, o clube adversário negou categoricamente as acusações, alegando falta de provas na súmula da arbitragem, e afirmou que o atleta agrediu dois rivais após o apito final. O caso encerra a curta passagem do goleiro pelo futebol português, marcada por duas expulsões, e agora segue para a Justiça.
Amtes de mais nada, a passagem de Mateus Oliveira Mendes pelo futebol europeu terminou de forma conturbada, mas o caso ganhou um novo capítulo após a rescisão de contrato com o Alverca B, de Portugal.
O goleiro brasileiro, de 24 anos, utilizou as redes sociais para denunciar supostos insultos racistas durante a partida contra o FC Oliveira do Hospital, pela quinta rodada da Série 3 do Campeonato de Portugal.
O clube da Beira Serra, por sua vez, rejeitou categoricamente as acusações e apresentou uma versão oposta dos acontecimentos. Mateus afirmou que foi alvo de expressões como «Macaco», «Preto sujo» e «Volte pra sua terra».
Segundo o jogador, os episódios teriam ocorrido por volta dos acréscimos da partida e sido presenciados por várias pessoas. «Há testemunhas. Muitos viram, muitos ouviram (e todos se calaram)», escreveu o brasileiro, que também pediu desculpas aos antigos companheiros de equipe.
Na mesma manifestação, a cria do Palmeiras demonstrou insatisfação com a postura do Alverca após o episódio. Mateus citou Vinícius Júnior, acionista do clube português e também vítima de episódios de racismo no futebol, para questionar a falta de solidariedade que esperava receber da instituição.
A resposta do Oliveira do Hospital não demorou. Em comunicado oficial, a SAD do clube negou que os insultos denunciados pelo brasileiro tenham ocorrido e contestou a alegação de que várias pessoas teriam presenciado manifestações racistas ou xenófobas.
«Uma versão publicamente divulgada não é um facto demonstrado», afirmou o clube, que também exigiu que o goleiro apresente provas das acusações. A instituição destacou que mantém uma posição contrária ao racismo, à xenofobia e a qualquer forma de discriminação.
O Oliveira do Hospital também mencionou o relatório da equipe de arbitragem, segundo o qual não foi registrada nenhuma ocorrência de natureza racista ou xenófoba. De acordo com o comunicado, árbitros, forças de segurança, jogadores e integrantes da comissão técnica e da direção não teriam ouvido ou presenciado expressões dessa natureza.
Em contrapartida, o clube do distrito de Coimbra, no centro de Portugal, afirmou que Mateus agrediu violentamente não um, mas sim dois de seus jogadores após o apito final, quando os atletas trocavam os cumprimentos habituais.
A SAD manifestou solidariedade aos envolvidos e garantiu que prestará o apoio necessário aos jogadores agredidos. As versões apresentadas pelas partes são conflitantes. Até que os fatos sejam devidamente apurados, as alegações de racismo e as circunstâncias das agressões devem ser tratadas com a devida cautela.
O episódio também encerra uma passagem curta e negativa para Mateus Mendes em sua primeira experiência no futebol europeu. Cria das categorias de base do Palmeiras, o brasileiro chegou ao Alverca no início de 2026/2027, depois de deixar o clube paulista, e buscava consolidar a carreira em Portugal.
O período, porém, terminou após apenas duas partidas pela equipe B. Mateus foi expulso nos dois compromissos, embora em circunstâncias diferentes. Antes do episódio contra o Oliveira do Hospital, o goleiro já havia recebido cartão vermelho em outro jogo diante da Naval 1893 por razões estritamente esportivas, sem relação com a agressão que motivou a rescisão contratual.
No confronto mais recente, o Alverca B perdeu por 3 a 1, e as agressões divulgadas através de vídeo ao jogador português Nuno Viana após o apito final provocaram forte repercussão. O clube ribatejano anunciou posteriormente o encerramento do vínculo com o jogador.
Formado no Palmeiras, Mateus não chegou a disputar partidas oficiais pela equipe profissional do clube brasileiro. A passagem por Portugal representava uma oportunidade de ganhar experiência e abrir novos caminhos na carreira. Agora, além de lidar com o encerramento precoce dessa etapa, o goleiro vê seu nome envolvido em um caso que reúne acusações graves e versões divergentes.
O desfecho dependerá do esclarecimento dos fatos. Enquanto Mateus sustenta ter sido vítima de racismo, o Oliveira do Hospital nega as acusações e contesta sua versão. O caso ultrapassou, assim, os limites esportivos de uma partida do Campeonato de Portugal e será, agora, resolvido nos tribunais.