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O Corinthians e a Caixa Econômica Federal assinaram nesta sexta-feira (16) um termo de confidencialidade para avançar nas negociações sobre a dívida da Neo Química Arena.
A reunião contou com a presença do ministro Guilherme Boulos e de representantes da Gaviões da Fiel, que também participam das conversas em busca de uma solução para o financiamento do estádio.
Com o documento assinado, as partes poderão compartilhar dados e propostas sob sigilo para avaliar alternativas à relação financeira entre o clube e o banco. A informação foi confirmada pela Caixa ao UOL.
O termo, porém, não representa um acordo definitivo nem altera o valor da dívida neste momento. A assinatura abre caminho para o aprofundamento das conversas, que seguem sujeitas às exigências legais aplicáveis a uma instituição pública.
Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Boulos esteve presente e atuou na articulação para aproximar os envolvidos, coforme apurou o UOL. Também participaram do encontro:o presidente corintiano, Osmar Stabile, diretores do clube e integrantes da Caixa
A Gaviões da Fiel participou da reunião por meio de seu presidente, Alexandre Domênico Pereira, o Alê, e dos vice-presidentes Fabio de Oliveira Camara, o Fantasma, e Sergio Luis Lopes de Barros, o Serginho. Os representantes foram convidados por Boulos e pelo presidente da Caixa, Carlos Vieira.
A participação da organizada amplia o número de interlocutores envolvidos nas discussões sobre o financiamento do estádio. A Gaviões acompanha a situação financeira da Arena e mantém uma campanha de arrecadação para ajudar a quitar a dívida.
Com o termo de confidencialidade, Corinthians e Caixa poderão aprofundar a análise de alternativas sem divulgar informações consideradas reservadas. As conversas envolvem as condições do financiamento e uma possível operação com os direitos de nomeação da Neo Química Arena.
O objetivo do clube é encontrar uma solução que permita reorganizar seus compromissos financeiros com o banco.
Paralelamente às negociações, a Caixa suspendeu temporariamente uma obrigação do Corinthians relacionada ao fundo de reserva do financiamento. A medida, conhecida como "waiver", permite ao clube deixar de fazer um depósito específico, em uma operação que tem como finalidade aliviar momentaneamente suas contas.
O valor envolvido é de aproximadamente R$ 30 milhões. O recurso, porém, não seria abatido do saldo devedor nem representaria o perdão de uma parcela da dívida.
A possibilidade foi publicada pelo colunista Juca Kfouri, no UOL, em 7 de outubro e confirmada pela reportagem. O fundo de reserva funciona como uma garantia para a Caixa e reúne recursos que podem ser utilizados caso o Corinthians deixe de cumprir obrigações previstas no contrato.
Uma eventual flexibilização também não suspenderia automaticamente os pagamentos seguintes. Sem uma nova decisão do banco ou um acordo mais amplo, o clube precisará cumprir o próximo compromisso previsto.
O UOL apurou com fontes do Planalto, que a proximidade do segundo turno da eleição presidencial é um dos fatores que exigem cautela nas negociações. Por ser uma instituição pública vinculada ao Ministério da Fazenda, a Caixa precisa observar os limites legais para eventuais mudanças no contrato.
Interlocutores envolvidos nas tratativas consideram difícil formalizar uma alteração mais ampla no financiamento antes da votação. Nesse cenário, a assinatura do termo de confidencialidade permite que as conversas avancem sem que isso represente uma decisão definitiva sobre as condições da dívida.
Corinthians e Caixa seguem, portanto, em busca de uma solução para o financiamento da Neo Química Arena. O próximo passo será aprofundar a análise das alternativas discutidas, enquanto o clube tenta reorganizar seus compromissos com o banco.