Voltar
No verão de 2009, Carlos Tévez protagonizou uma das transferências mais surpreendentes desse defeso ao ter decidido trocar o Manchester United pelo vizinho e rival City. Bem, a história não foi assim tão linear e acabou motivada por um sentimento de traição, assim a explicou o internacional argentino, quase 20 anos depois, ao seu antigo capitão no United, Rio Ferdinand.
É preciso recuar dois anos, até 2007, para se perceber a troca de Tévez. Nesse verão, o Manchester United acordou com o West Ham o empréstimo do avançado argentino, válido por duas temporadas.
Logo na primeira época em Old Trafford sagrou-se campeão inglês e venceu a Liga dos Campeões, com 19 golos e sete assistências em 48 jogos.
«Eles sempre me disseram naqueles dois anos que, apesar de estar emprestado, se jogasse bem me contratavam ao fim de um ano. (…) Mais tarde, o (Alex) Feguson disse-me: “Vamos contratar o Berbatov, mas não te preocupes, vamos tratar do teu contrato”. Houve jogos em que os adeptos diziam ao Ferguson: “Contrata-o, contrata-o!”», contou Tévez no podcast Rio Ferdinand Presents.
Só que o United não quis avançar para a sua contratação. «Para baixarem o meu preço, contrataram outro jogador. Nos primeiros meses, continuei a trabalhar da mesma forma. Depois disso já não quis saber mais», confessou, antes de assumir que «ir para City foi como uma vingança por não me terem retribuído aquilo que dei (ao United)».
«Ferguson teve seis meses, depois de ter conversado comigo em Los Angeles, para cumprir a sua palavra, mas não o fez. Pelo contrário, começou a deixar-me no banco. Na minha cabeça, começou a pôr-me de lado para baixar o meu valor. E foi isso que mais me magoou», acrescentou.
A decisão de deixar Old Trafford ficou tomada seis meses antes do fim do empréstimo, que cessava em junho de 2009. «Na semana do último jogo, em Roma (derrota na final da Liga dos Campeões frente ao Barcelona), chamaram-me para assinar pelo Real Madrid. Eu não ia para o City, mas depois desse jogo puseram-me num avião para ir falar com xeique em Abu Dhabi.» E assim ficou tratada a mudança para os Cityzens, na altura a troco de 29 milhões de euros.
Carlos Tévez jogou ao lado de Cristiano Ronaldo, no United, e de Lionel Messi, na seleção argentina, o que levou Rio Ferdinand a questioná-lo sobre qual deles mais o impressionou.
«Para mim, Messi. As coisas saem naturalmente ao Messi. O Cristiano tinha de treinar muito cada drible que fazia, e eu nunca vi o Messi treinar isso. Em termos de potência, são iguais. Ronaldo fez muitos mais golos de cabeça. No remate, o Messi melhorou muito, tal como o Cristiano. A competição entre os dois fez com que tivessem crescido e manteve-os sempre no topo», explicou Tévez.